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sábado, 27 de agosto de 2011

proposta : violência nas escolas.


Violência nas escolas: o que fazer?


Inadmissível é adiar providências enquanto se buscam as causas da violência escolar e nos perdemos em um labirinto de "achismos". De um lado, muitos crêem que as escolas são autoritárias, sufocam os alunos e favorecem sua agressividade. Outros acham que falta mais disciplina. De que lado você está?
Artigo do leitor Magno de Aguiar Maranhão
O problema se alastra pelo mundo mas, no Brasil, embora o governo admita sua existência, ele não é prioritário dentro das políticas educacionais. Iniciativas para combatê-lo geralmente partem de entidades como Unesco, pesquisadores e secretarias de Educação. O MEC as apóia, mas elas contemplam um número reduzido entre os mais de 200 mil estabelecimentos e não há diretrizes para um combate efetivo à violência escolar. As discussões são estéreis e as soluções apontadas abarcam desde munir escolas com modernos aparatos de segurança até a implementação de projetos que visam à oferta de atividades culturais e esportivas para os alunos, passando pelo treinamento de professores em mediação de conflitos. Todas têm seu lado positivo e devem ser tentadas em conjunto, desde que não se caia em exageros: nem podemos transformar escolas em fortalezas, onde olhos eletrônicos vigiam qualquer movimento, e (no outro extremo), tampouco podemos nutrir a ilusão de que um jogo de bola nos fins de semana demoverá jovens infratores do hábito de portar armas e drogas e ameaçar a integridade física e mental de professores e colegas.
Há dois problemas em um. O primeiro, segundo especialistas americanos, que têm como marco a tragédia de Columbine, é o fato de as escolas não estarem preparadas para detectar alunos com problemas emocionais graves. O Centro Nacional de Segurança nas Escolas (National School Safety Center - NSSC) elaborou até uma lista de características dos "alunos-problema" que beiram a patologia para que sejam identificados antes de causarem uma desgraça. Esses casos bárbaros, no entanto, desvelam o segundo problema: um cotidiano de violências em vários graus, com a qual os alunos compactuam ou da qual temem falar.
A Unesco alerta que nas escolas impera a lei do silêncio e não há confiança entre professores, alunos e pais. O instituto de prevenção de violência na escola dos EUA entrevistou alunos e pais e constatou que 2/3 dos alunos participam de grupos que intimidam colegas; só 1/3 acha que a escola penaliza os intimidadores; entre as vítimas, apenas 16% pediriam ajuda a um professor e, entre recorrer aos pais ou a um amigo, 78% escolheriam o amigo. Na Alemanha, pesquisa entre jovens das 7ª e 8ª séries apontava que 60% já tinham batido em colegas nos últimos seis meses; 5% os intimidam regularmente e 8% os ameaçaram com facas e pistolas.
Na França, 23,9% dos alunos já foram agredidos; 72,4% sofreram insultos e 45,1% foram roubados. Mas esses percentuais não "batem" com dados oficiais. Denúncias não são levadas à polícia: lá como cá, os alunos não crêem que ela vá protegê-los de represálias.
E que ações distintos países vêm promovendo para amenizar o fenômeno que fez do magistério profissão de risco e dividiu alunos em opressores e vítimas? Nos EUA, os estabelecimentos se equipam, contratam seguranças e milhares deles estão recompensando alunos que informam, via "disque-denúncia", atividades suspeitas. Na Inglaterra, crianças de dez anos respondem por seus crimes e podem ser expulsas da rede escolar. A Argentina desenvolve um trabalho pioneiro na América Latina, treinando professores para mediar conflitos. No México, implantou-se o programa "Contra la violencia, eduquemos para la paz. Por ti, por mí y por todo el mundo". A Unesco propõs o Programa Abrindo Espaços: Educação e Cultura para a Paz, nascido da observação de experiências nos Estados Unidos, França, Espanha e países onde o trabalho com jovens nas dimensões artísticas, culturais e esportivas funcionou como prevenção à violência.
No Brasil, além do reforço de policiamento no entorno, as escolas também devem perder o escrúpulo de adotar medidas de segurança. Além disso, deve ser efetiva a integração famílias/escola, para que esta seja gerida de modo democrático e ofereça aos alunos oportunidades de expressarem seus talentos, não sua crueldade.

87% dos professores já presenciaram casos de violência na escola

Karina Costa
87% dos professores da rede pública de ensino do estado de São Paulo confirmam conhecer casos de violência dentro das escolas. Tráfico e consumo de drogas, por exemplo, são situações presenciadas por 70% e 67% dos professores, respectivamente.
Os dados são de uma pesquisa do Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo (APEOESP), feita com 684 professores, com o objetivo de entender qual a percepção dos professores em relação à violência no ambiente escolar.
Agressão verbal é o tipo de violência mais rotineira. 96% dos professores declaram já terem presenciado. Além disso, atos de vandalismo, apontado por 88,5% dos professores, agressão física, citada por 82% e casos de furto, lembrada por 76,4%, completam a lista.
"Essa violência atinge a todos - professores, alunos, funcionários e comunidade", lembra o presidente da APEOESP, Carlos Ramiro de Castro. De acordo com os dados, 74% dos entrevistados disseram conhecer casos de professores ameaçados dentro da escola e 68% dizem conhecer situações em que alunos sofreram ameaças. "Não é uma pesquisa com dados surpreendentes, mas que, sem dúvida, vem a reforçar a visão de que a situação é extremamente preocupante e de que providências devem ser tomadas", diz.
As principais causas da violência, segundo os professores entrevistados, são: conflito entre alunos (76%), consumo de drogas e álcool (63%), falta de funcionários (60%) e por pobreza generalizada (45,6%). Para os educadores, em 93,3% dos casos, os alunos são os responsáveis pela violência. Pessoas desconhecidas são responsáveis por 31,6% dos casos e 25,2% das situações são causadas por pais ou responsáveis.
Para a mestre em educação e linguagem e especialista em questões relacionadas à disciplina em sala de aula, Anna Rita Sartore, existem dois tipos de violência: uma delas está na sociedade, ou seja, a marginalidade e o banditismo que invadem a escola e a violência causada dentro da própria instituição. "No primeiro caso, a resolução não compete às escolas e sim ao poder público. É uma questão de polícia, está fora da alçada pedagógica da escola", defende. "Já a violência causada dentro da escola acontece porque há frouxidão de limites da instituição para com os estudantes. A escola, sendo o primeiro meio de convívio social dos alunos, deve primar pelos limites e pela ética", analisa.
Ainda segundo a pesquisa, os professores apontam que 39% dos alunos se sentem inseguros a ponto de deixar de ir para a aula. 29% dos professores não se sentem seguros e, por isso, deixam de lecionar. "E para o ensino-aprendizagem acontecer é preciso, no mínimo, um ambiente possível de se relacionar. A pesquisa ilustra a falta de condição de trabalho dentro dessas instituições, que inclui infra-estrutura, indisciplina, falta de funcionários e carga horária reduzida", aponta Castro.
Tanto Castro quanto Sartore defendem uma gestão democrática para redução da violência nas escolas. "A comunidade, por exemplo, deve participar na elaboração do projeto pedagógico da escola", sugere Castro. "É preciso integrar comunidade, serviços de saúde, assistência social, Conselho Tutelar, entre outras instituições, para uma educação mais abrangente. O professor não pode mais ser o 'faz tudo' na escola e abarcar, inclusive, papel de psicólogo, pai ou mãe", defende o presidente da APEOESP.
"Essa gestão deve incluir também reuniões de pais com discussões além das notas. Só essa parceria reverterá a situação. Pais, alunos e professores passarão a se entender e enxergar que estão em busca de um mesmo objetivo: formar cidadãos de bem. Isso trará, de fora, mais respeito à instituição e seus colaboradores. Além disso, a comunidade e o corpo pedagógico estarão unidos e prontos para gritar ao poder público, pedindo o respaldo que eles são obrigados a dar", acredita Sartore.
Uma experiência nas redes pública e particular de ensino de Curitiba (PR) ajuda professores a identificarem mais facilmente alunos que estejam sofrendo tal punição também fora desse ambiente. Trata-se de uma capacitação acompanhada de uma cartilha com dicas de como fazer essa identificação. Cerca de 13 mil profissionais que lecionam na rede pública e duas mil escolas particulares participam da ação desenvolvida pelo Hospital Pequeno Príncipe em parceria com a Prefeitura e o Sindicato das Escolas Particulares do Paraná (Sinepe-PR).
"O aluno passa metade do seu dia na escola portanto se um grupo é capacitado para identificar casos de violência, conseguimos combatê-la precocemente," acredita a diretora de Relações Institucionais do hospital, Ety Cristina Forte Carneiro. Segundo ela, no Brasil, os professores são responsáveis por cerca de 8% das denúncias de maus-tratos. A rede criada em Curitiba faz com que os profissionais gerem 31% desse tipo de denúncia.

Professores apontam violência nas escolas
 
Pesquisa inédita da Unesco feita em seis capitais mostra que 30% deles já viram arma nas mãos de alunos


Fernanda Mena e Cláudia Collucci escrevem para a ‘Folha de SP’:

A lousa, o caderno, o lápis e a borracha, tão comuns à sala de aula, não é de hoje convivem com o porte de armas, a atuação de gangues e do tráfico de drogas, o furto e a agressão física e verbal.

‘Violência contra o professor é a coisa mais comum que há em escolas. Todos têm uma história para contar’, diz o professor de geografia do ensino fundamental e médio João (todos os nomes de professores são fictícios), 38.

O depoimento de João ilustra bem o resultado de um estudo inédito da Unesco (órgão das Nações Unidas para educação e cultura). Intitulada Pesquisa de Vitimização, o estudo entrevistou, em 2003, 2.400 profissionais de seis capitais brasileiras (SP, Rio, Salvador, Porto Alegre, Belém e Distrito Federal) e apontou que 86% deles admitem haver violência em seu local de trabalho.

Segundo a pesquisa, mais de 50% dos professores afirmam haver casos de furtos nas escolas onde trabalham. Um em cada dez conhece casos de gangues e de traficantes atuando nas instituições. E 30% já viram algum tipo de arma nas mãos de seus alunos.

Adriana, 36, foi ameaçada por um aluno que fumava maconha dentro da sala e que afirmou conhecer sua casa. Artur, 30, foi assaltado no estacionamento do próprio colégio por alunos encapuzados. João mesmo tem as suas histórias: foi ameaçado de morte. Há um ano, quando alunos começaram a levar bebidas alcoólicas para a aula, ele resolveu chamar a atenção de um garoto. ‘Ele não gostou e quis crescer diante dos colegas me ameaçando. Disse: ‘Aqui dentro, o senhor pode mandar. Mas, lá fora, o senhor pode até perder a cabeça. Alguém pode cortar ela fora’’, conta.

Adriana, professora de português concursada há dez anos, conta ter tirado duas licenças, alegando motivos médicos, por conta de violência sofrida na escola.

O terror é tanto que nenhum quis ser identificado. Segundo Juçara Dutra Vieira, 54, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, a lei do silêncio predomina entre profissionais que trabalham em escolas em áreas de tráfico de drogas.

‘A violência conseguiu impor a sua lei do silêncio’, explica Miriam Abramovay, coordenadora da pesquisa da Unesco. A evidência está nos dados: 53,2% dizem ‘não saber’ se gangues atuam na escola e 61,2% afirmam ‘não saber’ se ali há tráfico de drogas. ‘O pânico é tamanho que fica mais fácil fingir que não há nada acontecendo’, diz.

‘Todo o problema do fracasso escolar vem não só da qualidade do ensino mas também daquilo que ocorre no cotidiano escolar’, diz. ‘A escola não funciona. E não está organizada nem preparada para receber a população que passou a freqüentá-la com a democratização do ensino’, afirma Abramovay. Para ela, a violência aumentou à medida que o ensino se democratizou e a escola de hoje não tem mecanismos de resolução de conflitos.

Para a educadora Elvira de Sousa Lima, que trabalha com professores na área de déficit de aprendizagem, os profissionais que lecionam em regiões como a das favelas, no Rio, já estão tão acostumados com a rotina que não atrapalha o fazer pedagógico. ‘Eles convivem com tiroteios e mortes e trabalham questões como respeito, tolerância e solidariedade.’

A pesquisa detectou uma grande banalização da violência, especialmente na rede pública. ‘Tudo parece fazer parte do cotidiano. A escola vira espaço de ninguém.’

Alunos perdem medo de repetir

Concursada há dez anos, a professora de português Adriana, 36 (o nome é fictício), diz já ter tirado duas licenças, alegando motivos médicos, em razão da violência sofrida na escola estadual onde leciona, no bairro do Ipiranga, periferia de Ribeirão Preto (SP)

Para ela, um dos motivos da vitimização dos professores foi a implantação da progressão continuada. ‘Eles perderam o medo de repetir de ano. Não há o menor respeito pelo professor.’

Para Juçara Dutra Freire, do CNTE, a progressão automática pode ‘tangencialmente’ ajudar na falta de disciplina de alguns alunos, mas não é a principal causa de violência dentro das escolas. ‘Não é uma causa muito forte. Será que se voltássemos ao que era antes, a violência diminuiria?’

Resultados
Um programa que tem apresentado resultados positivos na diminuição da violência é o Escola Aberta, elaborado pela Unesco em parceria com o MEC (Ministério da Educação), que mantém as instituições abertas nos finais de semana e promove atividades culturais e esportivas para alunos, pais e para toda a comunidade.

Segundo a Secretaria Estadual de Educação, que implementou o programa na rede com o nome Escola da Família, após um ano de funcionamento a violência contra o patrimônio havia diminuído 29%, e a violência contra a pessoa tinha sido reduzida em 27% nas escolas.

Exclusão social é principal causa

Pesquisadores e sociólogos apontam como principal razão da violência nas escolas a própria exclusão social. De acordo com a publicação, também da Unesco, ‘Violência nas Escolas e Políticas Públicas’, de 2002, enquanto nas escolas de elite, ou de classe média, os comportamentos de risco (como o abuso de drogas) são mais freqüentes, o comportamento agressivo, a violência física e os ataques a adultos são mais comuns nas escolas das classes trabalhadoras.

Para Juçara Dutra Vieira, 54, presidente da Confederação Nacional dos Trabalhadores em Educação, a violência dentro da escola é só um reflexo das desigualdades sociais de um país marcado pela competitividade e supremacia de uns sobre os outros. ‘Ela [a violência] está na sociedade e só é reproduzida na escola.’ Nesse contexto, para lidar com a violência é necessário enfrentar a exclusão e a desigualdade social.

Segundo Miriam Abramovay, coordenadora da Pesquisa da Vitimização da Unesco, a violência aumentou nas escolas justamente quando se deu o processo de democratização do ensino, ou seja, quando os jovens excluídos passaram a freqüentar as escolas.

‘Os professores, acostumados a uma elite na sala de aula, estão completamente despreparados e desamparados para a democratização.’ Para ela, ‘a sociedade é tão excludente que a escola se tornou um retrato disso, e a violência faz parte dele.’
(Folha de SP, 30/8)

http://www.jornaldaciencia.org.br/Detalhe.jsp?id=21134

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