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sexta-feira, 12 de agosto de 2011

Para a Marina. Proposta de Narrativa.

Morre protagonista do documentário Estamira
Catadora de lixo com transtornos mentais foi personagem-título de filme premiado mundialmente

divulgação
Estamira Gomes de Souza, personagem-título de documentário vencedor de 33 prêmios nacionais e internacionais, morreu no último dia 28, no Rio de Janeiro. Ela tinha 72 anos e estava internada com septicemia – infecção generalizada – no Hospital Miguel Couto, na Gávea. Estamira (2004), dirigido por Marcos Prado, ganhou projeção quando venceu a Mostra Internacional de Cinema de São Paulo, em 2005.



Prado conheceu a catadora de lixo quando fotografava no aterro de Gamacho, na Baixada Fluminense. A senhora de pouco mais de 60 anos se aproximou dele e disse que tinha uma missão: revelar “a verdade”. Ele voltou outras vezes ao local e, ao conversar com a “louca do lixão”, como ela era conhecida, se impressionou com os lampejos de lucidez durante os discursos aparentemente confusos e arbitrários. Prado decidiu retratar o cotidiano da catadora de lixo e tentar reunir os fragmentos de seus vários mundos.



Nas sequências filmadas no aterro, no barraco onde vivia ou na casa de parentes, Estamira expressou sua revolta contra um “Deus estuprador” e contra médicos “copiadores” de receitas. Em diálogos com o neto da catadora de lixo, Prado levantou possíveis alavancas de sua psicose: ela oscilou entre religiosidade e ceticismo ao longo da vida, sofreu agressões sexuais e foi internada diversas vezes em hospitais psiquiátricos – histórico semelhante ao de sua mãe, que também tinha distúrbios mentais. “Ela era uma espécie de Arthur Bispo do Rosário do verbo”, definiu Prado em entrevista ao jornalCorreio Braziliense, em alusão ao artista plástico que viveu por anos internado em um manicômio e produziu obras com sucatas. Estamira dá voz à marginalidade dos aterros e dos hospícios. É um misto incômodo de posição social degradante e de mente “anormal”. Não por acaso, o pano de fundo da narrativa é o lixo descartado pela sociedade e que destoa da paisagem da cidade maravilhosa. O corpo de Estamira foi enterrado no dia 29 de julho, no cemitério do Caju, mesmo local onde sua mãe está sepultada.

FONTE: MENTE CÉREBRO

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