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domingo, 7 de agosto de 2011

Ilusão


lusão
Com o prefixo in- (para dentro de), por meio da mesma assimilação forma-se o verbo illudere(brincar, zombar, insultar), donde o substantivo illusio (ironia), cujos correspondentes em português são, respectivamente, "iludir" e "ilusão". É notável que uma aproximação gere uma alusão e que a intromissão gere um insulto. De qualquer forma, o sentido de "ilusão" como "engano dos sentidos ou do entendimento" é mais moderno.

Em francês arcaico, illosiun era o gracejo, como no sentido etimológico, mas já no século 17 encontramos o sentido moderno, que, provavelmente, migrou para o português. De fato, a "ilusão" é um dos temas preferidos da literatura, escultura e pintura barrocas. A ilusão entrevê-se já na figura do Malin Génie de Descartes - que teria o poder de enganar nossos sentidos - e é central na filosofia de Berkeley.

Esse sentido já se encontra no pouco conhecido latim medieval e, mais para trás, vemos seus ecos no livro de Eclesiastes. Do conceito vago para a palavra inequívoca, porém, requerem-se séculos. Não é possível imaginar esse sentido da palavra "ilusão" no português medieval, muito menos no indo-europeu. Para expressar essa ideia, serviam-se de metáforas. E algumas, bem-sucedidas, desbancam os sentidos básicos: no caso de "ilusão", observa-se um sentido muito distinto do latim clássico illusio. De fato, uma das acepções da palavra é seu oposto do sentido original: "promessa de prazer, felicidade, durabilidade etc. que se revela decepcionante, dolorosa ou efêmera; esperança vã; decepção, desilusão".

O paradoxo que vemos em "ilusão" ser sinônimo de "desilusão" prova quão facilmente uma palavra se afasta do sentido original. Embora onipresente na literatura e filosofia do pós-guerra, as quais influenciaram o modo de enxergar as coisas típico do homem atual, é preciso, contudo, para dar o peso correto às palavras, entendendo-as no seu entorno sincrônico, se não quisermos cometer anacronismos. Mais do que qualquer um, o etimólogo deve estar atento a isso. Palavras como "débil" e "imbecil" remontam ao latim debilis  e imbecillis, significando "fraco". A mudança de sentido de cada uma mostra trajetórias que envolvem outras línguas de cultura (sobretudo o francês). Além disso, arcaísmos semânticos se mantêm em alguns discursos ou nos dicionários. O sentido hoje incomum era o básico de outrora. Como as águas de Heráclito que nunca param, os significados das palavras fluem, sem dono, de uma língua a outra. Reconstruir o trajeto de tantas palavras, para entender sua complexidade, é obra ainda por fazer. Para isso, a história de seus radicais ajuda muito.

Mário EduardoViaro é professor de língua portuguesa na USP, autor de Por Trás das Palavras (Globo, 2004)
http://revistalingua.uol.com.br/textos.asp?codigo=12130






Imagine quantos profissionais estão mudando de carreira por não terem conseguido alcançar seus sonhos de juventude ou dos tempos de universidade.
Imagine quantos casamentos estão desmoronando porque um dos cônjuges – ou os dois – não chegou ao ponto de prazer físico e emocional ou de convivência a que sua imaginação lhe remetia antes.
Imagine o peso das dívidas contraídas na compra de um imóvel que não produziu em seu morador a sensação com que se via vivendo dentro dele antes de se mudar.
Imagine quantas pessoas retornam agora decepcionadas da "viagem de suas vidas", pois o lugar não era bem o que sonharam durante anos.
Sonhos, ilusões, fantasias, pressupostos, imagens, desejos, utopia, visões, devaneios e todas as tantas palavras que se enquadram nessa categoria de fluxos mentais são tão responsáveis pelo sucesso quanto pelo fracasso de cada ser humano, em situação por situação de sua existência neste planeta.
Hollywood sabe muito bem disso. Disney também. O sistema psicológico humano engloba subjetividades infinitas. Tudo é possível à imaginação. Os planos são todos fantásticos. Mas quantos se realizam? Pois é! “Viver é fácil com os olhos fechados” diziam os Beatles, em Strawberry Fields Forever.
Se as agências de propaganda apenas anunciassem as qualidades objetivas dos produtos não teriam trabalho algum. No sentido lógico, fumar um cigarro, por exemplo, significa apenas tragar a fumaça produzida por um canudo de fumo e outras substâncias tóxicas. Isto jamais produziria o astronômico contingente de viciados espalhados pelo mundo.
Mas fazê-los crer que consumindo a marca X terão instantaneamente a bravura de um “cowboy”, a liberdade de um corredor de Fórmula 1, o sucesso de um surfista com as mulheres, ou a vantagem e o charme de um milionário bon vivant – coisas com que quase todos sonham após assistir a uma propaganda cinematograficamente produzida –, isto sim cria dependência e estatísticas de desgraça que todos os países conhecem bem.
No mundo da imaginação tudo é fácil e simples. Não há preocupações. Somente brilho, beleza, sonoplastia encantada, idealismo, realização total... e somente subjetividade – do começo ao fim.
Mas a imaginação produz benefícios. Ela faz do homem um ser criativo. Deu-nos um Beethoven, um Castro Alves, um Michelângelo e outros. É ela, porém, a maior responsável pela vulnerabilidade e fraqueza humanas. Ela inverte valores – faz crer que o negativo é atraente, e que o positivo é repulsivo.
Você vê o anúncio de uma borbulhante pizza, entrega-se à ilusão de que o prazer será imenso. Ao comer um pedaço, sente que já não corresponde a tudo aquilo. Talvez nem aguente comer o quanto desejava antes de viver a experiência de fato. O que parecia uma satisfação compensadora durou um átimo desprezível e às vezes frustrante.
"O caminho do meio é, certamente,
a segurança de que precisamos para não
cair em desequilíbrios e descontentamentos pueris,
cujas consequências reduzem a vida
a um piscar de olhos
sem qualquer sentido."
Por tal raciocínio, observe como se alastra nos dias de hoje a crença de que as pessoas devem receber tudo pronto das mãos das demais. O sentimento de dignidade própria se elevou a tal nível que inibiu quase completamente a pouca gratidão que se encontrava no coração do homem desde a sua criação. Incomum, hoje, é achar quem abrace para si a responsabilidade de levar suas buscas ao máximo do esforço necessário para alcançá-las.
E o que dizer da necessidade de passar o máximo de tempo sem fazer nada? Ricos, pobres, cultos e idiotas estão plenamente tomados do ideal de que têm de descansar. “Trabalhar para quê? Dar de si para o próximo por quê? Eu pago impostos. O governo que faça a sua parte”. Este é o lado mau da imaginação.
Podemos ter consciência deste processo. Podemos nos ater à realidade. Podemos atenuar – pouco a pouco – a distância das “viagens fantásticas” para onde nos leva a imaginação e, assim, empregar melhor esta faculdade em favor das nossas escolhas.
Ser realista é bom. Porém, só com realismo não expressamos o melhor de nós. Sonhar é bom. Contudo, os estragos dos devaneios podem destruir – e custam caro! O caminho do meio é, certamente, a segurança de que precisamos para não cair em desequilíbrios e descontentamentos pueris, cujas consequências reduzem a vida a um piscar de olhos sem qualquer sentido.
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* Consultor e coach de líderes
shapiro@shapiro.com.br
Fonte: Portal HSM 06/06/2011



http://zelmar.blogspot.com/2011/06/ilusao-e-realidade.html
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http://www.citador.pt/textos/t/ilusao


http://pt.wikipedia.org/wiki/Ilus%C3%A3o

Auto-ilusão é o processo de nos enganarmos a nós mesmos de modo a aceitar como verdadeito ou válido o que é falso ou inválido. É, de um modo abreviado, uma maneira de justificarmos crenças falsas a nós mesmos.
Quando filósofos e psicólogos discutem auto-ilusão, usualmente focam-se nas motivações inconscientes e nas intenções. Geralmente consideram a auto-ilusão uma coisa má, algo de que nos devemos proteger. Para explicar como funciona a auto-ilusão, falam no interesse próprio, preconceito, desejo, insegurança e outros factores psicológicos que, inconscientemente, afectam de um modo negativo a vontade de acreditar. Um exemplo comum é os pais que acreditam que o filho está a dizer a verdade mesmo se as evidências apontam claramente o contrário. Os pais iludem-se porque desejam que a criança esteja a dizer a verdade. Uma tal crença é considerada mais enganadora que a devida à falta de habilidade de avaliar as provas correctamente. Aquela passa por um erro moral, uma espécie de desonestidade, e é irracional. A segunda é uma questão de fé: algumas pessoas não são capazes de inferir correctamente a partir dos dados da percepção e da experiência.
Contudo, é possivel que os pais deste exemplo acreditem na criança porque a conhecem intimamente e não conheçam os seus acusadores.Os pais podem não ser afectados por desejos inconscientes e raciocinar na base do que sabem sobre a criança mas não sabem do outro envolvido. Os pais podem ter razões muito boas para confiar na criança e não confiar nos acusadores. Em resumo, um acto de auto-ilusão aparente pode ser explicado em termos puramente cognitivos sem nenhuma referência às motivações inconscientes ou ao irracional. A auto-ilusão pode não ser uma falha moral ou intelectual. Pode ser o resultado existencial inevitável de uma pessoa bàsicamente honesta e inteligente que tenha um conhecimento extremamente bom da sua criança, que sabe que as coisas não são sempre o que parecem ser, que não tem quase nenhum conhecimento dos acusadores da criança, e que, assim, não tem razões suficientes para duvidar da criança. Pode ser que um observador independente examine a situação e concorde que as provas indicam que a criança está a mentir, mas se assim não fosse nós diríamos que estava enganado, não auto-iludido. Consoderamos que os pais estão iludidos porque assumimos que não estão apenas enganados, mas a serem irracionais. Como podemos ter a certeza?
Um caso mais interessante seria um onde (1) um pai tem boas razões para acreditar que a criança diz provávelmente a verdade em qualquer situação, (2) as provas objetivas apontam para a inocência, (3) o pai não tem nenhuma razão particular para confiar nos acusadores da criança, mas (4) o pai acredita nos acusadores da criança. Tal caso quase impossível de explicar assumir qualquer espécie de motivação inconsciente e irracional (ou desordem cerebral) da parte do pai. Contudo,  se a incompetencia cognitiva for permitida como explicação para uma opinião aparentemente irracional, então os mecanismos psicológicos inconscientes não são necessários neste caso.
Felizmente, não precisamos de saber se a auto-ilusão se deve a motivações inconscientes ou não, para saber que existem situações em que a auto-ilusão é tão comum que devemos proteger-nos dela sistematicamente para a evitar. Tal sucede com a crença no paranormal ou oculto como na PES, sonhos proféticos, vedores, toque terapeutico, comunicação facilitada e outros tópicos abordados neste Dicionário.
Em How We Know What Isn't So, Thomas Gilovich descreve os detalhes de muitos estudos que tornam claro aquilo para que nos devemos precaver
  1. erro de interpretação de dados aleatórios e encontrar padrões onde eles não existem
  2. erro de interpretação de dados incompletos ou não representativos e dar atenção extra a dados que confirmam a hipótese, tirando conclusões sem esperar ou procurar dados que a negam
  3. avaliar dados ambiguos ou inconsistentes, tendendo a ser acritico de dados que nos apoiam e muito critico a outros dados.
É por estas tendências que cientistas exigem estudos claramente definidos, controlados, duplamente cegos, aleatórios, repetíveis e apresentados publicamente. De outro modo, corremos o risco de nos enganar-nos a nós mesmos e acreditar em coisas que não são verdade. É tambem devido a estas tendências que os não-cientistas devem tentar imitar a ciência quando tentam provar fenómenos "estranhos".
Muitas pessoas acreditam, contudo, que enquanto se protegerem de wishful thinking, não se iludirão a si mesmas. Na verdade, se uma pessoa acredita que só se deve precaver de wishful thinking, então pode estar mais susceptivel a auto-iludir-se. Por exemplo, muitas pessoas inteligentes investiram em produtos fraudulentos que prometiam poupar dinheiro, salvar o ambiente, o mundo, etc., não porque fossem culpados de wishful thinking mas porque não o eram. Assim, estavam seguros de estarem certos quanto aos produtos. Podiam ver as falhas das criticas. Encontravam as fraquezas dos oponentes. Eram brilhantes na sua defesa. Os seus erros eram cognitivos, não emocionais. Interpretavam mal os dados. Davam atenção aos dados confirmatórios, mas esqueciam ou ignoravam os outros. Não se apercebiam que o modo como escolhiam os dados tornavam impossivel encontrar dados negativos. Interpretavam como favoráveis dados ambiguos ou vagos. Eram brilhantes a rejeitar dados inconsistentes com hipóteses ad hoc. Mas, se tivessem desenhado testes claros com controles apropriados, poderiam ter poupado tempo, dinheiro e embaraço. Muitos defensores de máquinas de movimento perpétuo e de energia livre não são necessariamente impulsionados pelo desejo de acreditar nas suas máquinas mágicas. São simplesmente vitimas de obstáculos cognitivos vulgares ao pensamento critico. Igual para as enfermeiras que acreditam no toque terapeutico e os que defendem a comunicação facilitada,PESastrologiabiorritmoscristais, vedores, e outras noções que parecem claramente refutadas pelas provas cientificas.
Em resumo, auto-ilusão não é necessariamente uma fraqueza da vontade; pode ser uma questão de ignorância cognitiva, preguiça ou incompetencia. De facto, a auto-ilusão pode não ser sempre uma falha e pode mesmo ser benéfica. Se fossemos brutalmente honestos e objectivos acerca das nossas capacidades e àcerca da vida em geral, poderiamos ficar debilitantemente deprimidos.

http://www.cpflcultura.com.br/site/2010/03/23/eu-que-aprenda-a-levantar-olgaria-matos-4/

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