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quinta-feira, 4 de agosto de 2011

eXERCÍCIO DE NARRAÇÃO. ABERDEEN.

Escreva um texto narrativo( narrador em 1a!)  cujo tema seja o conflito entre pais e filhos.
Leia o texto de Sérgio Roveri e, depois, o da FolhaTeen
( Não se esqueça de descrever bem seu(s) personagem, tanto física quanto psicologicamente).


Texto 1


FONTE. FOLHA DE SÃO PAULO. ILUSTRÍSSIMA
Aberdeen

Um possível Kurt Cobain
SÉRGIO ROVERI
QUINTO MOVIMENTO. "Eu tenho olhos azuis. E uso camisas de mangas compridas para que vocês não vejam as crostas e abscessos nos meus braços.
Nem sempre foi assim. Assim triste. Houve um tempo, nem tão lá atrás, em que eu sabia dizer outro tipo de coisa. Não sei se, a esta altura, alguém ainda consegue acreditar que eu já fui capaz de falar sobre a felicidade. Não sobre a felicidade das músicas, mas sobre a felicidade da vida.
Eu sou um cara muito mais feliz do que muita gente pensa. Ninguém colocou isso na minha boca, eu disse isso, exatamente assim. E por algum tempo acreditei nisso que eu disse. Acreditei tanto que eu cheguei a ter medo de que tamanha felicidade fizesse de mim um chato. Embora eu sempre soubesse que eu era neurótico o suficiente para continuar fazendo coisas estranhas, como, como criar coelhos, ratos e tartarugas dentro de casa ou mesmo pintar um quadro e depois passar minha porra em cima da pintura, na crença de que ela adquirisse um brilho mais humano.
Eu nunca disse que fui feliz na esperança de agradar as pessoas. Se eu disse, é porque havia motivos. Em alguns momentos eu fui feliz porque, depois de cinco anos, minha dor de estômago me deixou em paz e eu descobri que podia comer uma pizza inteira numa noite sem ter de passar a madrugada vomitando sangue.
Eu acho que fui um pouco feliz também porque alguns shows eram ótimos, embora eu nunca fosse a fim de cantar, o que eu sempre quis foi tocar guitarra e me esconder lá atrás de todo mundo.
Dinheiro? Sim, uma porrada de dinheiro. Tanta grana que eu achava que nunca mais precisaria fazer nada na vida. Mas daí veio o ano passado e eu torrei um milhão de dólares e não me perguntem como e nem com quê. E teve minha família.
Não aquela da mãe secretária e do pai mecânico, que eu pude ver um ao lado do outro até os oito anos e então nunca mais. E depois uma vida dedicada a ser diferente deles, principalmente dele, sem nunca ter a certeza de que eu consegui.
Uma vida dedicada, ao menos, a tentar dar mais amor do que meu pai foi capaz de dar. A última vez que falei com ele foi por telefone, mais de uma hora. Quando a gente desligou, ele chorou. E eu quase cheguei a acreditar que estava tudo bem. Eu pedi para que ele viesse me visitar. Ele veio, eu não."

...


Texto 2



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Eu odeio meus pais

HISTÓRIAS DE QUANDO A VIDA FAMILIAR VIRA UM INFERNO
Divulgação
Ilustração da HQ "Cicatrizes"

DIOGO BERCITO
DE SÃO PAULO

Aos 16 anos, Isabel* decidiu se afastar da própria mãe. A relação entre ambas, que já vinha sendo áspera, havia chegado a um extremo.
O irmão mais novo da garota flagrou a mãe transando com um amigo de escola. A briga causada pelo encontro envolveu toda a casa e foi apartada pela polícia.
Foi mais um episódio na convivência familiar conflituosa. "Eu sempre me frustrei, ela não tinha postura de mãe", afirma Isabel, 21, que passou meses afastada.
"Tive de me acostumar a não ter a melhor mãe do mundo. Ou a nem ao menos ter uma boa mãe", conta.
A história da garota é a variação sobre um tema comum a outros jovens ouvidos pelo Folhateen: a má relação com os pais que vai além das brigas para sair à noite ou ter aumento na mesada.
"Antes eu não tivesse conhecido meu pai. Assim eu ainda poderia sentir amor por ele", diz Ferdinando*, 16. "Hoje eu sinto apenas raiva."
O rapaz conheceu o pai aos oito anos. "Ele só dá atenção aos meus irmãos. A mim, nada", afirma. "Liguei no aniversário dele. Estou esperando há dois meses ele retornar a minha ligação."
Alguns relatos envolvem violência ou negligência, mas há disputas que vêm de má convivência e, às vezes, de intolerância mútua.
Além da relação ruim com a mãe, Augusto*, 20, também não se dá com o padrasto. E não cede: "Já desisti. Tentei, tentei, mas não consigo conviver com eles."
A disputa, no caso de Fábia*, 20, chegou à Justiça. A garota pediu a um juiz que obrigasse o pai a pagar a faculdade. Foi atendida.
Aos 11, ela já havia prestado queixa contra ele, no processo de separação dos pais.
"Ele era violento. Nunca fiz nada, sempre quis saber por que ele me tratava mal. Hoje, se o encontro na rua, não o cumprimento."
Crescer brigado também gera dúvidas. Lúcio*, 17, que não fala com o pai há três anos, diz sentir falta dele.
"Penso em retomar o contato, mas tenho medo de dar com a cara na porta", diz.
Tadeu*, 18, que voltou a falar com o pai após anos de brigas diárias, sugere paciência. "Demora para mudar esse hábito. Mas vimos que não brigávamos porque gostávamos de discutir, e sim porque éramos diferentes."

DELEGACIA
Um caso de briga entre mãe e filho é o da ex-modelo Cristina Mortágua e Alexandre, 16, nascido da relação com o ex-jogador Edmundo.
Em fevereiro, o garoto foi à polícia reclamar de maus-tratos. Cristina apareceu por lá, avançou nele diante das câmeras e, mais tarde, reclamou para a imprensa que o filho é gay e drogado. Hoje, Alexandre mora com a avó.
"Estava no auge do desgaste psicológico", disse Cristina. "Não dormia com medo de ele fugir de casa."
Ela credita parte das brigas a uma vontade "muito triste" de Alexandre querer ser famoso. Mas assume, também, parte da responsabilidade.
"A ausência da mãe em casa, para trabalhar, faz querer compensar com bens materiais, e a distância vai ficando maior. Não há tempo para vigiar. Cometi esses erros."
Fonte. Folha de São Paulo
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/folhatee/fm2504201113.htm

*Nomes fictícios

CICATRIZES

David Small
Editora Leya
336 págs., R$ 39,90 

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