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sábado, 30 de julho de 2011

O tratamento midiático à questão da homossexualidade Publicado por Ruan Carlos Brito

 A questão dos direitos dos cidadãos homossexuais tem estado mais presentes, nos últimos meses, nos espaços brasileiros de grande visibilidade. Eventos como as polêmicas declarações do deputado federal Jair Bolsonaro, o debate em torno da PL 122, a decisão do STF de reconhecer a união homoafetiva, crimes possivelmente motivados por homofobia, dentre outras coisas, trouxeram à tona este debate. Diante disto, o IBOPE foi a campo para aferir a opinião dos brasileiros acerca da controvérsia. Segundo o instituto, a maioria de 55% dos entrevistados (considerando os votos válidos) é contrária ao entendimento do STF, ao passo que 45% consentem com a decisão. Este número revela um viés mais conservador na opinião brasileira média sobre o tema da homossexualidade, ao mesmo tempo em que traduz um cenário nem tão díspare, ou seja, sem uma distância exageradamente acentuada entre os dois grupos. Com a pesquisa IBOPE, temos ainda que esta divisão varia consideravelmente conforme recortamos a amostra populacional, a partir de certas variáveis.
Notadamente, o tema da homossexualidade – e o reconhecimento dos direitos conferidos aos gays, como casamento civil e adoção de crianças – encontra maior resistência nos segmentos: do sexo masculino, de menor escolaridade, com mais de 50 anos e das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste. O quadro é menos adverso quando consideramos a aceitação das pessoas ao exercício de determinadas profissões por homossexuais. Apenas 14% vêem problemas na prática da medicina por gays, 22% têm este entendimento para com a profissão de professor, enquanto que 24 % mostram-se desconfortáveis com a idéia de um policial gay. Ainda, um percentual expressivo, 73%, afirmou que não se distanciaria de um amigo, em função de uma eventual orientação sexual diferenciada. Aparentemente, os indivíduos podem não concordar com a extensão de práticas tradicionalmente heterossexuais (como casamento ou adoção) à população LGBT, mas transitam para uma atitude mais “tolerante” diante de outros aspectos da vida, como o círculo de amizades ou o exercício de profissões.
No que se refere ao tratamento que os veículos de mídia conferem a este tema, temos que a cobertura jornalística mostra-se amplamente favorável às causas da cidadania LGBT. Curiosamente, a praxe jornalística (que tende a priorizar valores como isenção, objetividade, imparcialidade) não se detém na defesa aberta dos direitos que devem ser reconhecidos em prol dos cidadãos homossexuais. Neste caso, parece predominar o entendimento, também bastante disseminado entre os profissionais de comunicação, de que o jornalismo deve cumprir uma função social. Uma espécie de ethos profissional jornalístico, de teor mais humanista, que prescreve um esforço para demover os indivíduos daquelas posições consideradas retrógradas ou intolerantes, ou para promover valores republicanos e democráticos. Imbuídos deste espírito, muitos segmentos midiáticos procuram fortalecer perante a população brasileira entendimentos como os de que o Estado não pode conceder tratamento diferenciado aos cidadãos com base em diferenças sexuais, e de que a população gay ainda é vitima de variadas formas de preconceito.
Um bom exemplo deste tipo de tratamento midiático têm sido as reportagens feitas sobre os crimes de agressão contra homossexuais, ocorridos ultimamente no Brasil. A maior parte das matérias, nos diferentes meios, retrata os episódios efetivamente como casos de homofobia, e não apenas de violência. Também tem sido muito utilizada a categoria do “crime de ódio”. Da mesma forma, os espaços midiáticos que se propõem a debater os assuntos de natureza política ou social tendem a adotar um posicionamento fracamente favorável à cidadania LGBT, como foi o caso da última edição do Entre Aspas, da Globo News, em que ambos os convidados defenderam a importância do respeito à diversidade sexual. Outro exemplo seriam as formas como as telenovelas abordam a questão gay, também a partir de um ângulo bastante simpático. Não é possível afirmar até que ponto a forma como a temática tem sido interpretada pelos segmentos da mídia vai alterar cognições e comportamentos sociais. Porém, é razoável assumir que tal visibilidade tem feito com que a temática esteja mais presente na agenda pública e provavelmente contribui para uma maior abertura da sociedade em relação a este debate.

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