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sábado, 6 de novembro de 2010

Zygmunt Bauman, pensamento

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“Riscos e contradições continuam a ser socialmente produzidos; são apenas o dever e a necessidade de enfrentá-los que estão sendo individualizados.”
Zygmunt Bauman


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Para ajudar um pouco:



A insegurança, que diz respeito a todos, se origina do mundo em que vivemos, desregulamentado, flexível, plural, competitivo e repleto de incertezas, onde cada um está deixado por conta própria. Como assinala: Somos convocados (...) a buscar soluções biográficas para contradições sistêmicas; procuramos salvação individual de problemas compartilhados (p. 129). O mundo volátil e mutante à nossa volta induz a um investimento naquilo que podemos ou supomos controlar, qual seja, a nossa autopreservação. Para tanto o paliativo para a insegurança é a busca por segurança que tem a ver com a nossa integridade corporal, nossas propriedades, nossa "comunidade" e que faz do estranho o inimigo a ser evitado ou combatido. Levantamos muros, compramos vigilância privada já que a pública deixa a desejar. O contrasenso se faz presente. Ao incrementarmos nosso arsenal de segurança, mais inseguros ficamos, mais os "outros" se tornam ameaçadores, mais nos distanciamos da liberdade de ir e vir. Os estranhos são a projeção dos nossos medos. Nossos temores [são mais] difusos e esparsos (p. 130). Como chegamos a este ponto? A explicação para Bauman estaria na "secessão dos bem-sucedidos", expressão usada pelo autor para se referir a distanciamento, indiferença, desengajamento dos afortunados (p. 49). Nessa situação, como falar em redistribuição de renda? A "secessão dos bem-sucedidos" é o abandono do compromisso com os pobres e como preferimos, a "pilatos-zação" das responsabilidades. Os ricos não precisam mais da comunidade e, mais grave, não podem perceber o que ganhariam na e com a comunidade que já não tivessem obtido por esforço próprio, mas não deixam de pensar no que perderiam. Este comportamento é enfeitado pela idéia de autonomia e sob a égide da falta de espaço que cada vez mais todos sentem falta e que encobre o distanciamento da intimidade.
Por outro lado, os bem-sucedidos criam simulacros de comunidades. Elas são fortemente vigiadas para não permitir a entrada de intrusos. O comunitarismo é, neste sentido, uma filosofia dos fracos porque estes são os indivíduos de jure, isto é, aqueles indivíduos que não são capazes de praticar a individualidade de fato, aqueles deixados de lado e que têm de resolver seus problemas sem contar com ninguém. Os indivíduos de fato são aqueles que venceram, donos de seu próprio destino, com liberdade de opções com seus guetos voluntários. Aos fracos à comunidade real e obrigatória dos guetos verdadeiros pela sua incapacidade de "exibir alguma capacidade especial" (p. 57) e, por isso, condenados a uma vida de submissão. Nesta sociedade meritocrática, por excelência, o importante é fama e dinheiro. O importante é ser "celebridade". Importa o resultado. As pessoas hoje são avaliadas pelo que compram e possuem. O que podemos dizer da ética atual é que não mais existe algo que pode ser sintetizado pela "ética do vizinho", isto é, já não nos importamos com que os outros pensam. Antes éramos criados sob a ameaça de que nossa conduta poderia ser reprovada pelos vizinhos, conhecidos, parentes. Sentíamo-nos vigiados pelas frestas das janelas da vizinhança que poderiam apontar seus dedos em riste se julgassem que a nossa conduta ia contra a moralidade em comum da comunidade em que crescíamos. A transgressão não era admitida. Hoje a transgressão já não se sabe muito o que é e para se destacar da multidão tudo vale. Se não for pelo dinheiro, pode ser pela fama e em nome dela quase tudo é permitido até as mais estranhas bizarrices.
http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S1413-81232004000300032

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