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quinta-feira, 4 de novembro de 2010

Proposta de escrita: o autoconhecimento e a escolha profissional

Com base nas leituras, escreva um texto dissertativo  que busque refletir sobre a questão: em que medida o autoconhecimento é relevante para a escolha duma profissão?
Não deixe de inserir seu arrazoado numa perspectiva atual, ou seja, século XXI e a sociedade de mercado

O Dever Para Nós Próprios


Influenciar uma pessoa é dar-lhe a nossa própria alma. O indivíduo deixa de pensar com os seus próprios pensamentos ou de arder com as suas próprias paixões. As suas virtudes não lhe são naturais. Os seus pecados, se é que existe tal coisa, são tomados de empréstimo. Torna-se o eco de uma música alheia, o actor de um papel que não foi escrito para ele. O objectivo da vida é o desenvolvimento próprio, a total percepção da própria natureza, é para isso que cada um de nós vem ao mundo. Hoje em dia as pessoas têm medo de si próprias. Esqueceram o maior de todos os deveres, o dever para consigo mesmos. É verdade que são caridosas. Alimentam os esfomeados e vestem os pobres. Mas as suas próprias almas morrem de fome e estão nuas(...)
Oscar Wilde, in "O Retrato de Dorian Gray"



http://www.citador.pt/pensar.php?op=10&refid=200701282200&author=39&theme=451




Singularidade(s)

Quem sou eu? A minha singularidade dissolve-se quando a examino e, por fim, fico convencido de que a minha singularidade vem de uma ausência de singularidade. Tenho mesmo em mim algo de mimético que me impele a ser como os outros. Em Itália sinto-me italiano e gostaria que os italianos me sentissem como participante na sua italianidade. Outro dia, ao falar a um auditório da Champanha senti-me champanhizado. Ah sim, gostaria de ser como eles. Adoro ser integrado e, contudo, não sou inteiramente de uns e dos outros. Poderia ser de todo o lado, mas nem por isso me sinto de alguma parte, estou enraizado assim.
Não é o exercício de um talento singular nem a posse de uma admirável verdade que me distinguem. Se me distingo é pelo uso não inibido ou cristalizado de uma máquina cerebral comum e pela minha preocupação permanente em obedecer às regras primeiras desta máquina cognitiva: ligar todo o conhecimento separado, contextualizá-lo, situar todas as verdades parciais no conjunto de que fazem parte.

Edgar Morin, in 'Os Meus Demónios'
 





O Lema «Conhece-te a ti mesmo» não Leva a Nada de Proveitoso

Conhece-te a ti mesmo! — De que me há de servir? Se a mim me conhecesse, desatava a fugir. [...] Com isto confesso que a grande tarefa — Conhece-te a ti mesmo! —, que soa tão importante, sempre me pareceu suspeita, como um ardil de padres secretamente coligados que quisessem perturbar o homem por meio de exigências inatingíveis e desviá-lo da actividade no mundo externo para uma falsa contemplação interior. [... ] Cada novo objecto, bem observado, abre em nós um novo órgão. Do máximo proveito nesse sentido são, porém, os nossos semelhantes, que têm a vantagem de nos compararem com o mundo a partir de seu próprio ponto de vista, e por isso atingem um melhor conhecimento de nós que nós mesmos podemos alcançar.

Johann Wolfgang von Goethe, in "Parábolas, Sentenças, Provérbios"



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Pode até parecer estranho vincular as palavras autoconhecimento e profissão num título, mas na Era do Conhecimento é impossível falar de profissão sem falar de autoconhecimento como condição essencial, desde o momento da escolha da profissão e/ou até mesmo na reflexão que se faz quando já se é um profissional.
Por que se autoconhecer? Como isso pode fazer diferença na escolha de uma profissão? O que há de tão importante no processo de autoconhecimento que pode contribuir para a melhoria da vida profissional?
Acreditamos que há muito a descobrir acerca do assunto, e o que podemos garantir é que quanto mais soubermos sobre nós, nossos potenciais, nossas limitações, nossos desejos, nossos anseios, melhores poderemos ser no que nos propusermos a fazer.
Ao escolhermos uma profissão (ou ao pensarmos na escolha de uma), precisamos saber qual é nosso projeto de vida. O que necessitamos fazer para realizá-lo. Isso só se responde com muita dedicação e reflexão sobre si mesmo. Não se trata de tarefa fácil, e é frequente não se encontrar maduro o suficiente para responder a tais questionamentos. Mas eles são necessários.
É preciso supor como nos sentiríamos diante de situações absolutamente corriqueiras em determinadas profissões. Por exemplo: há profissões que exigem que se fale em público (professor, jornalista, advogado, vendedor e outras); no entanto, mesmo quando temos que contar algo dentro de casa, com pessoas próximas, ou, ainda, relatar um fato a alguém, temos dificuldade em organizar o pensamento, a sequência lógica dos acontecimentos e, mais que isso, ficamos aprisionados à ideia de que os outros podem estar prestando muita atenção em nós, o que nos tira completamente o chão. Sendo assim, por que escolheríamos uma profissão em que isso seria recorrente, se o dia a dia passaria a ser um incômodo?
Para descobrir isso, somente buscando autoconhecimento permanente e procurando perceber em que nos damos bem e em que temos dificuldades. Acreditar que isso um dia poderá ser superado é condição básica, desde que se procure uma ajuda. Caso contrário, o ideal é encontrar o “seu jeito de ser” e nele identificar profissões que façam sentido para você. Sem pressão, sem agressão e com a crença em que todas as profissões são necessárias para a humanidade e em que dela precisamos conhecer o máximo que pudermos, porém sem esquecermos que precisamos nos conhecer primeiro.
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Importante decisão
Influência de família e professores e conhecimento da área escolhida são essenciais
Que imagem temos de nosso futuro? Jovens que prestam vestibular enfrentam cada vez mais cedo essa questão ao ter que fazer a escolha por um curso superior. Essa decisão pode estar relacionada a diversos fatores, como família, professores e empregabilidade.

A escolha da profissão compõe um projeto de vida e profissional, segundo a psicóloga Denise Combinato, coordenadora do serviço de orientação profissional do Centro de Psicologia Aplicada (CPA), ligado à Faculdade de Ciências (FC), câmpus de Bauru. “Um projeto profissional começa na escolha de uma profissão, e o pessoal, no cidadão que queremos ser”, diz.

Todo ofício desempenha um papel social, e a escolha de um pode ser determinada pelo papel que esse jovem quer ter na sociedade. “Não é só buscar uma realização financeira, uma satisfação material. É pensar também qual o meu compromisso com o outro e qual a função da minha atividade na comunidade”, complementa.

Em um projeto, de acordo com Denise, devemos estabelecer um objetivo a ser atingido. Depois, é importante que se tenha a consciência da sequência de ações necessárias para atingi-lo. Por sua vez, a cada ação devem ser estabelecidas metas. Como exemplo, imaginamos que nosso objetivo é passar no processo seletivo de uma Universidade para o curso de uma determinada área. Nas ações, o empenho nos estudos e sanar as principais dificuldades nas disciplinas do ensino médio parecem ser fundamentais. Para medir o sucesso da empreitada, entre as metas, podem estar as boas notas nas provas do último ano do ensino médio.

Ao projetar seu futuro, o pré-vestibulando deve vislumbrar o cenário desse futuro e, assim, encontrar oportunidades para seu desenvolvimento e também da comunidade. Essa é a visão de Emerson Moraes Vieira, gerente de Educação do Sebrae-SP (Serviço Brasileiro de Apoio a Micro e Pequenas Empresas – São Paulo). “Para enxergar novas possibilidades, é preciso buscar informações e não pautar as decisões apenas no momento presente”, reflete.

Contudo, a elaboração de projetos é a última etapa de um processo de auto-conhecimento e de obter informações sobre os cursos e profissões, concordam Vieira e Denise. “Nesse processo, o jovem toma consciência das influências que afetam suas decisões e da permanente construção do indivíduo. É importante saber que não existe uma única possibilidade de escolha ou uma certa, mas a melhor naquele momento e condições”, explica a psicóloga.

Ser ou não ser


Quem ou quais são os afetos que me afetam? Sonho? Se sonho, quais são meus sonhos? Quais são os medos que me fazem perder o sono? Refletir sobre essas e outras questões pode trazer algumas pistas para o autoconhecimento, peça fundamental para a melhor escolha. Para a psicopedagoga Maria Beatriz de Oliveira, coordenadora do serviço de orientação vocacional do Centro de Pesquisas sobre a Infância e a Adolescência (Cenpe), da Faculdade de Ciências e Letras, câmpus de Araraquara, enquanto os jovens não conseguem expressar sua própria identidade – que é um processo também de autoconhecimento –, eles podem se achar perdidos. “Enquanto eles não se veem, também não enxergam o caminho a seguir”, conclui.

Nesse processo, ver-se anos à frente no curso e profissão escolhidos pode ajudar, segundo Idamar Carpinelli, orientadora vocacional do Ciee – SP (Centro de Integração Empresa-Escola – São Paulo). “Os jovens, cada vez mais prematuramente, são obrigados a escolher a profissão. Contudo, sofrem influências dos pais, professores, amigos e da mídia. Por isso, é importante que eles tentem se imaginar daqui a 10 ou 15 anos naquela profissão”, diz.

Porém, é preciso tomar cuidado quanto à imagem feita das profissões, alertam as duas orientadoras. Por construções sociais, algumas áreas são mais bem-vistas pelos pais. Por exemplo, ter um filho advogado ou médico ronda os sonhos ou o inconsciente de alguns deles.

Idealizações perdidas

Esses estereótipos profissionais encontram-se ligados, muitas vezes, a altos retornos financeiros e bens materiais, como também ao valor simbólico – ou status – que certas profissões acarretam. E a mídia, ao valorizar algumas carreiras, reforça esses estereótipos, acredita Paulo Motta, coordenador da orientação vocacional do Centro de Pesquisa e Psicologia Aplicada (CPPA), da Faculdade de Ciências e Letras, câmpus de Assis. “A exposição contínua faz com que haja a idealização. É o caso do Jornalismo. Muitos querem se formar no curso para serem âncoras de telejornais”, ressalta.

Um problema muito comum de acontecer, na visão de Denise, do CPA, é que os alunos acabam rela­cio nando diretamente as disciplinas do ensino médio com o curso e a profissão. “Um estudante gosta de Biologia e acaba escolhendo um curso de graduação ligado à área de Biológicas, mas nem conhece a profissão”, exemplifica.

Para especialistas como Denise, Maria Beatriz e Motta, a falta de informação sobre as profissões é o principal problema dos pré-vestibulandos. Eles acreditam que a melhor forma de desconstruir tais idealizações é informar-se por meio de guias, participar dos projetos de recepção dos pré-vestibulandos feitos pela maioria das universidades, entrevistar e conviver com diferentes profissionais, professores e alunos universitários, além de participar de projetos de orientação profissional.
http://www.unesp.br/guia/informacao.php


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