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quinta-feira, 11 de novembro de 2010

Ética e a mídia



Ética é um termo muito usado e pouco efetivado em seu sentido neste início de século. A mídia é o lugar onde essa discrepância é ainda mais salientada. Pornografias apresentadas como arte, explorações das desgraças alheias exibidas como notícias, assassinatos colocados em questão com relação ao assassino ser justo ou não.

Na sociedade do século XXI, o cidadão vive preso por grades com lanças pontiagudas, arame farpado e elétrico em muros altos. Os ladrões vivem soltos. Mais que isso, fazem papéis de policiais, protegendo aqueles a quem conhecem, dando ordens, impondo regimes perante a população. Para os policiais, o que sobra? Os papéis de bandidos, roubando, extorquindo, assassinando.

O desrespeito ao outro, presente na sociedade, está também na TV, no rádio, no jornal, na revista. Esta é uma relação de ovo-galinha. Quem veio primeiro? A mídia é refletora da situação. Não só refletora, mas também mantenedora ou transformadora. O jornalista, a cada matéria, mantém o sistema social ou transforma-o. Seja um ou outro, sempre está influenciando. Assim sendo, deve estar sempre colocando em relação a intensidade de sua participação no processo. Quando se dá conta disso, busca mobilizar outros a exercerem influência similar.

É por isso que não pode haver simplesmente preocupação em criticar, mas também em sugerir alternativas, soluções. Não quer dizer que esse é o ponto solucionador de problemas, mas participante ativo.

Ter sempre consciência de seu papel é o primórdio do jornalista. Pois se não influencia sabendo, o faz sem saber.

Numa era de sensacionalismo, o jornalista é tendenciado a divulgar notícias custe o que custar. Seja a desgraça de um ou de vários, o que importa é chocar. Isso implica, muitas vezes no sacrifício das "fontes". Se o jornalista não tiver credibilidade com as fontes, até onde sua profissão subsistirá? Ao dizer para uma "fonte" que o nome ou imagem dela será preservado, isso tem que acontecer. O jornalista tem que ter palavra, porque isso não é modismo, mas necessidade da profissão.

A globalização alavancou um viver imediatista, que chegou às redações. É priorizada a busca quantitativa de notícias, numa dinâmica que precisa ser rápida. Isso tem abalado o jornalismo investigativo sério, que prima pela integridade da notícia. Se os veículos de comunicação em massa não gozarem da credibilidade da população, estão num perigoso jogo de roleta russa, em que a qualquer momento o tiro será disparado contra si.

O jornalista deve cobrar e buscar transformar sua própria ética, a de seus colegas, para aí sim partir para a sociedade. Se ele não concorda com o modo como são retratadas as notícias, certamente buscará fazer diferente. Se esse diferente for bem feito, será reconhecido e influenciará outros com seu estilo. Outros, fazendo o mesmo, aumentarão a força, chegando à transformação social. Na sociedade aquele que mais influencia é o que transforma.

Um pensar ético não é uma alternativa profissional; é uma necessidade social. Se o descaso com a moralidade não for modificado na mídia, a sociedade continuará caminhando para o caos.
Alex Gonsalves
http://www.canaldaimprensa.com.br/canalant/debate/dquartedicao/debate08.htm
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