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sexta-feira, 15 de outubro de 2010

Tiririca

PROPOSTA - 
São Paulo — Deputado federal mais votado do país, Tiririca (PR) deverá comparecer à Justiça Eleitoral de São Paulo, até sexta-feira, para provar que sabe ler e escrever. O juiz eleitoral Aloísio Sérgio Rezende Silveira, da 1ª Zona Eleitoral, vai pedir que o palhaço, eleito com 1,3 milhão de votos, escreva de próprio punho um documento idêntico ao que ele protocolou no Tribunal Regional Eleitoral (TRE) ao pedir deferimento da sua candidatura. Um laudo do Instituto de Criminalística de São Paulo constatou que o documento tem indícios de que foi escrito por mais de uma pessoa.

Uma psicóloga treina Tiririca para que ele fique calmo na hora da prova - (Paulo Liebert/Agência Estado/AE )
Uma psicóloga treina Tiririca para que ele fique calmo na hora da prova
Ainda não está confirmado se Tiririca também fará um ditado ou mesmo lerá um trecho da Constituição. Uma assessora de Francisco Everardo Oliveira Silva, 53 anos, nome verdadeiro do artista, disse que, desde que estourou a polêmica sobre a escolaridade do candidato, ele passou a ter aulas particulares de leitura e escrita. Como os advogados dele já estão com provas suficientes de que não é preciso dominar a leitura e a escrita para ter o direito de ser votado, o Ministério Público vai contra-atacar argumentando que, ao falsificar um documento, o palhaço terá a sua candidatura impugnada e o seu direito de ser diplomado poderá ser cassado. Caso seja tomada, a decisão ainda poderá ser questionada no Tribunal Superior Eleitoral (TSE).

Tiririca refugiou-se no Ceará, em uma casa de praia de um político do PR. Na casa, ele está com parentes e tem auxílio de três educadores especializados em alfabetização de adultos. Uma psicóloga também dá auxílio ao deputado eleito para que ele não se deixe abater na hora em que estiver na frente do juiz. Um advogado do PR já pediu que esse suposto teste de leitura e escrita seja feito longe da imprensa para não constrangê-lo. Na defesa, os advogados também usarão exemplos de deputados semianalfabetos que passaram pelo Congresso nos anos 1980 e 1990 — entre eles, um descendente de índios.

Quanto ao documento que o Ministério Público sustenta ser falso, os advogados vão provar que foi Tiririca quem o escreveu. O maior problema é que o laudo aponta que a letra S foi escrita de quatro formas diferentes, o que leva a crer que mais de uma pessoa fez o pedido de candidatura. Segundo o promotor Maurício Antonio Ribeiro Lopes, que questionou a candidatura, se ficar provado que não foi Tiririca quem escreveu a declaração, caberá à Justiça dar destino aos 1,3 milhão de votos dados ao palhaço. Lopes acredita que esses votos seriam anulados e redistribuídos entre todos os outros candidatos. O Código Eleitoral também prevê que os votos sejam transferidos para a coligação do deputado eleito (PR, PRB, PT, PCdoB e PTdoB).http://www.correiobraziliense.com.br/app/noticia182/2010/10/12/noticia_eleicoes2010,i=217639/TENDO+AULAS+TIRIRICA+PREPARA+SE+PARA+MOSTRAR+QUE+E+ALFABETIZADO.shtml
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O Deputado Tiririca, bandidos, palhaços e peruas

Por 
Alipio Freire

Não votei no deputado Federal eleito Tiririca.
Dificilmente votaria no candidato a deputado Federal Tiririca.

E isto, não por qualquer preconceito contra sua pouca alfabetização, ou outro mote elitista de mesma matriz dos argumentos que sempre foram assacados pelo establishment contra o presidente Luiz Inácio Lula da Silva, desde sua primeira candidatura, em 1982, ao Governo do Estado de São Paulo.

No entanto defendo e defenderei até o fim, com toda convicção (que extrapola qualquer interesse imediatista e eleitoreiro e menos ainda o pessoal), o seu direito de ser diplomado e cumprir seu mandato de quatro anos: depois de ter sua candidatura e documentação reconhecidas e aprovadas pela Justiça Eleitoral, o deputado Tiririca foi escolhido para exercer na Câmara Federal a representação de 1 353 820 cidadã/os, ou seja, 6,35% do colégio eleitoral que compareceu às urnas no último domingo, 3 de outubro.

Se o problema do Brasil ou do nosso Congresso fosse o Tiririca, estaríamos no melhor dos mundos.

Ao contrário: o maior e pior dos problemas do nosso país e da nossa República se origina exatamente no desrespeito contumaz das regras do jogo que supostamente regem a nossa convivência social, levado a cabo por aqueles que hoje tentam impugnar a eleição do novo deputado.

O pior dos problemas do nosso país são os golpistas de sempre, que ora se apóiam nas armas e no terror de Estado – como em 1964  e durante 25 anos de ditadura; ora querem transformar a política em uma questão a ser resolvida por juízes. Ou seja, transformar a luta de classes numa questão de polícia sem mediações, ou transformar a luta de classes numa questão de polícia com a mediação dos tribunais. De preferência, combinarão sempre estas duas alternativas – como já o fazem.

Numa República onde o senhor Opus-Dei-Geraldo Alkmin é eleito prefeito de São Paulo com quase 12 milhões de votos... onde uma figura lamentável como a senhora Marina Silva decide levar as eleições para o segundo turno, e agora posa de herdeira da espada de Dâmocles que deixa suspensa sobre as cabeças de 190 milhões de pessoas... onde essa mesma senhora se traveste de Minerva quando, na verdade, juntamente com seu novo partido, apenas barganha nos bastidores alguma sinecura para os próximos quatro anos: quem der mais, leva... onde o aborto vira a questão central para grande parte dos eleitores orientados por pastores da pior categoria (das diversas confissões cristãs), verdadeiros agentes de turismo nos Jardins do Éden, aos quais seus seguidores confiam seus parcos rendimentos, seus votos, seus direitos, suas condições de cidadãos e até mesmo o que não têm (como almas), para se tornarem verdadeiros “cães-sem-plumas”... que um bandidinho com ares de um Carlos Lacerda sem talento, emergente e arrivista, herdeiro de um pasquim de última categoria e de uma fortuna amealhada com o empréstimo de viaturas para "desovar" os corpos de camaradas assassinados, ou para levá-los para as torturas em centros clandestinos, resolve pedir a documentação da vida de militante da candidata à Presidência, para tentar ganhar as eleições descaradamente no “tapetão” ... República cujo Congresso (sem a menor homofobia) já serviu de arena para todo tipo de veadagem e desatino do finado Clodovil Hernandez.... que tem uma figura nociva e desqualificada como o senhor José Serra como candidato à Presidência, pedindo aos militares um novo golpe com o mesmo discurso de "república sindical" e outras baixarias já usadas para desfechar o golpe de 64... onde a maioria dos partidos nanicos que dizem estar à esquerda do espectro político se omite frente a todo o golpismo, apenas para ganhar um ou dois votos a mais... num país onde o Congresso foi comprado a peso de ouro, pago pelo dinheiro público, para permitir um segundo mandato do muitas vezes "doutor honoris causa" que leva o nome de Fernando Henrique Cardoso e o apodo irônico de Príncipe dos Sociólogos... onde as PMs dos sucessivos governos dem-tucanos assassinam e massacram diuturna e impunemente milhares de cidadã/os a serviço e/ou em parceria com o crime organizado – com destaque para São Paulo e o Rio Grande do Sul... onde um importante Estado como o Rio Grande do Sul ficou durante quatro anos sob a ditadura dos tacões altos de Madame Crusius... onde peruas, deslumbradas e desocupadas ora estão “com medo” e ora se sentem “cansadas” – sempre exaustas mas jamais satisfeitas...  onde a cônjuge do senhor Roriz, Lady Weslian Roriz, disputa o segundo turno do Distrito Federal... República que tem em seu parlamento, fascistas e provocadores, defensores da pena de morte e das torturas da envergadura do senhor Jair Bolsonaro, ou enrustidos como o doutor Romeu Tuma... onde as múmias do clube do pijama e do clube militar continuam a conspirar juntamente com os lambe-botas dos jornalões... onde o Congresso sempre teseve infestado de Bornhausen, ACM, Rita Camata, Kátia Abreu, Fernando Gabeira, Tasso Jereissati, Jarbas Passarinho, coronéis e tantos outros Incitatus – muitos  dos quais conhecidos como contumazes assassinos de opositores, concorrentes, adversários e, sobretudo, de trabalhadores... Congresso que, antes desses rol de fenômenos, já foi o abrigo dos Auro de Moura Andrade, Carlos Lacerda... uma República que tem em sua corte suprema de justiça figuras da envergadura do doutor Gilmar Mendes, e que por este já foi presidida... República que teve como presidente o já citado doutor FHC, e como vice o doutor Marco Maciel... etc. etc. etc.

Frente a todo esse desfile de horrores, que perigo ou mal existe no Tiririca, ou mesmo na mutante Monga - a Mulher-Macaco, caso houvesse sido candidata e eleita, comporem o Congresso Nacional?

Nenhum.
Nenhum além dos 1 353 820 de votos que ajudou a eleger vários outros parlamentares do bloco de alianças da candidata Dilma Rousseff.

Obviamente não concordo que figuras como o Tiririca ou quaisquer outras transformem o nosso Congresso em picadeiro.

O problema é que o nosso Congresso já é um circo de horrores, um daqueles caminhões de fenômenos que circulavam pelo interior do país, com galinhas de quatro patas, emas de dois pescoços, bodes de duas cabeças, fetos humanos (e de outros animais) de gêmeos siameses, e tantas outras atrações do mesmo naipe.

Quem assistiu a performance de Lady Weslian Roriz durante o debate na TV, entende muito bem do que estou falando:

Tiririca não pode.

Mas Tiririca com banho de butique pode.
 
 
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