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sexta-feira, 29 de outubro de 2010

PROPOSTA DE REDAÇÃO. PESQUISA COM ANIMAIS.


Por que defendo as pesquisas com animais

O site de VEJA acaba de publicar uma série de matérias sobre pesquisas com animais. Ouviu cientistas a favor e contra.
Adoro animais e confesso que, com exceção de baratas e pernilongos, não tenho coragem de matar nenhum. Aliás, quase fui reprovada no curso de fisiologia porque me recusei a matar um sapo. Mas, para quem trabalha com doenças humanas, as pesquisas com modelos animais são fundamentais. No momento não há como escapar, tanto para testar novos fármacos ou outras estratégias terapêuticas como nas pesquisas com células-tronco.
As células-tronco estão abrindo novos caminhos para pesquisas com drogas
Como mostramos na matéria da última coluna, a possibilidade de gerar linhagens celulares de pacientes vai permitir que se testem novos fármacos ou abordagens terapêuticas diretamente nas células. E o melhor de tudo é que o efeito poderá ser analisado diretamente sem a preocupação em saber se a droga ou o agente terapêutico foi absorvido pelo organismo, ou se chegou ao órgão alvo. Essa abordagem certamente permitirá acelerar as pesquisas visando o tratamento de inúmeras doenças. Mas como saber se uma nova droga será tolerada ou tóxica ao organismo sem experimentos em animais? Nem sempre é possível extrapolar do animal para o homem. O fato de ser bem tolerada em animais não é garantia que isto irá acontecer também em pacientes. Mas se ela for tóxica em camundongos, será que alguém teria coragem de administrá-la a seres humanos?
Nas pesquisas terapêuticas com células-tronco os ensaios em modelos animais- as chamadas pesquisas pré-clínicas- são fundamentais
Nossa equipe, no Centro do genoma Humano, tem investigado o comportamento de diferentes células-tronco no laboratório – testes in vitro – e em modelos animais – in vivo. Observamos que o comportamento das células, uma vez injetadas no animal, é diferente do que acontece no laboratório. Por exemplo, vimos que células-tronco, obtidas do tecido do cordão umbilical e de tecido adiposo, tem aparentemente o mesmo potencial de diferenciar-se em células musculares no laboratório. Mas quando as injetamos em camundongos a história é outra. As de tecido adiposo conseguem se diferenciar em músculo enquanto as de cordão não. Já falei a respeito em colunas anteriores.
Além disso, como observar se as células injetadas chegaram ao órgão alvo e  se diferenciaram somente no tecido que precisa ser reparado? Como verificar se não houve rejeição? Ou, mais importante, se houve um efeito clínico? Não há como descobrir isso sem utilizar modelos animais, infelizmente.
O primeiro teste com células-tronco embrionárias recentemente aprovado nos Estados Unidos pelo FDA para lesionados de medula só foi liberado após vários anos de pesquisas em camundongos. Antes de testar seres humanos era necessário saber se elas regeneravam neurônios em camundongos e mais ainda, se não formavam tumores.
As pesquisas precisam ser feitas com todos os cuidados éticos
Recebo inúmeros emails de pacientes oferecendo-se para serem cobaias humanas. É neles que eu penso quando utilizamos modelos animais nas nossas pesquisas. E é também por isso que defendo com unhas e dentes que elas sejam feitas obedecendo todos os padrões éticos, comparáveis aos propostos para seres humanos. Se um dia essas pesquisas puderem ser evitadas serei a primeira a aplaudir.  Mas por enquanto elas são fundamentais.
Por Mayana Zatz


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