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terça-feira, 7 de setembro de 2010

Interpretação da Federal de Sta Catarina

LÍNGUA PORTUGUESA E LITERATURA BRASILEIRA



Texto 1


 




















13) Sobre os quadrinhos do Texto 1, assinale o que for CORRETO.


01. Da fala do primeiro quadrinho, infere-se que a informação contida na primeira oração já era partilhada pelos personagens naquele momento, mas a informação presente na segunda oração foi nova para Calvin.

02. Considere o último quadrinho. O pedido do pai é um indício de que o que a mãe de Calvin tinha falado não estava errado.

04. No segundo quadrinho, Calvin não está simplesmente indagando sobre o fato de o pai saber ou não cozinhar, mas também colocando em dúvida a habilidade do pai, devido a informações prévias de que o menino dispõe.

08. O verbo saber aparece no segundo e no último quadrinho com o significado de ter habilidade ou capacidade para fazer algo.

16. No período Já que a mamãe está doente, esta noite eu farei o jantar, existe uma relação semântica de causalidade entre as orações.























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Texto 2


          Como as máquinas vão interagir com a gente?
           Fazemos vários experimentos no compu-tador para que ele saiba para onde você está olhando. A utilidade? Você faz uma pesquisa num site de busca e encontra 35.000 refe-rências. Olha só as dez primeiras. Se o com-putador monitorar a sua pupila e souber quais delas chamaram sua atenção, ele conhecerá o tipo de informação que você procura. Aí filtrará os dados nos outros 34.990 links. E vai trazer as que mais lhe interessam como ‘as próximas dez referências’.
(...)
           E o que a tecnologia não pode fazer?
           Nenhuma máquina jamais conseguirá reconhecer integralmente a fala humana, com todas as suas nuanças. Quando conversamos, você não entende exatamente o que eu estou dizendo, mas sim a sua interpretação sobre o que eu digo. Cada um de nós interpreta um poema de forma diferente e sente emoções distintas. O reconhecimento da fala depende do background cultural, das expectativas que você tem, do quanto conhece a pessoa com quem fala e da capacidade de perceber as ambi-güidades nas declarações. Se nem mesmo a gente entende totalmente a fala do outro, por que a tecnologia compreenderia? A ambigüi-dade traz para você interpretações que dependem da sua memória e do seu conhe-cimento anterior. Se tentarmos calcular o volume de informações comuns que nós temos, esse número é tão grande que não existe banco  de  dados  que  possa  armazená-lo.  É impossível, então, fazer com que um compu-tador tenha os conhecimentos que você tem. Aliás, esse é um grande desafio. Também há coisas que nem queremos que a tecnologia resolva. Não quero um programa que interprete poesia por mim.”

JACOB, Jean Paul. Um futuro muito louco. Super Interessante, São Paulo, n. 176, p. 80-81, maio 2002.















14) Considerando o Texto 2, é CORRETO afirmar que:

01. No primeiro parágrafo, a uma indagação de caráter geral, o entrevistado respondeu com um exemplo.

02. O grande desafio (linha 38) a que o pesquisador se reporta ao final da segunda resposta é fazer com que o computador consiga perceber as ambigüidades presentes na linguagem humana.

04. Pode-se considerar que a segunda pergunta foi respondida de imediato pelo entrevistado, sen-do que no decorrer do parágrafo ele desen-volve, mediante apresentação de argumentos baseados em fatos, a informação inicialmente fornecida ao repórter como resposta à sua pergunta.

08. O texto, uma entrevista jornalística, está escrito em um registro formal, não trazendo marcas de oralidade.

16. Encontramos pelo menos dois fenômenos explí-citos de variação lingüística nos dois trechos do Texto 2: no primeiro, o uso de duas diferentes formas verbais para representar o tempo futuro, no modo indicativo; no segundo, o uso de duas diferentes formas de expressão do sujeito para representar a primeira pessoa do plural.



15) De  acordo  com  o  Texto  2, é(são)  VERDA-DEIRA(S) a(s) seguinte(s) proposição(ões):

01. Os quatro sujeitos destacados no texto (você, eu, nós, você) podem ser omitidos, sem causar nenhum problema de ambigüidade na interpre-tação de cada um dos enunciados.

02. Em ambos os trechos, o pronome você não está sendo utilizado como referência específica à pessoa do interlocutor, mas com sentido inde-terminado, podendo referir-se a qualquer pessoa.

04. O vocábulo as, em E vai trazer as que mais lhe interessam (linhas 11-12), está funcionando como um artigo definido.

08.  No período Também há coisas que nem quere-mos que a tecnologia resolva (linhas 38-40), a palavra sublinhada leva ao entendimento de que há dois tipos de coisas: aquelas que queremos que a tecnologia resolva e aquelas que não queremos que a tecnologia resolva.

16.  Pode-se  substituir  Nenhuma   máquina  jamais conseguirá (linha 16) por Máquina alguma jamais conseguirá, sem que o sentido da frase se altere.


16) Ainda conforme o Texto 2, marque a(s) propo-sição(ões) CORRETA(S).

01. Na frase É impossível, então, fazer com que um computador tenha os conhecimentos que você tem (linhas 35-37), a palavra grifada desem-penha o papel de advérbio de tempo.

02. O termo sublinhado em filtrará os dados nos outros 34.990 links (linhas 10-11) está funcio-nando como conector que encadeia as infor-mações no texto.

04. Caso fosse aplicada, no Brasil, uma lei contra os estrangeirismos, sua aplicação incidiria, de imediato, sobre três diferentes palavras escritas no texto.

08. O vocábulo para apresenta valores sintático-semânticos distintos nas três ocorrências destacadas, em: a) Fazemos vários experi-mentos no computador para que ele saiba para onde você está olhando (linhas 3-5). b) A ambigüidade traz para você interpretações (...) (linhas 29-30).

16. O pronome grifado no enunciado a seguir é de terceira pessoa e refere-se a computador:  E vai trazer as que mais lhe interessam (linhas 11-12).

32. Se tomarmos as frases seguintes isoladas do seu contexto, a não acentuação gráfica dos dois verbos sublinhados ocasionaria uma cons-trução inadequada apenas no primeiro caso: a) Se o computador monitorar a sua pupila e souber quais delas chamaram sua atenção, ele conhecerá o tipo de informação que você procura. b) Nenhuma máquina jamais conseguirá reconhecer integralmente a fala humana, com todas as suas nuanças.


























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Texto 3


            “Antes de mais nada, acho que querer ser milionário não é um bom objetivo na vida. Meu único conselho é: ache aquilo que você realmente ama fazer. Exerça atividade pela qual você tem paixão. É dessa forma que temos as melhores chances de sucesso. Se você faz algo de que não gosta, dificilmente será bom. Não há sentido em ter uma profissão somente pelo dinheiro.”

DELL, Michael. O mago do computador. Veja, São Paulo, n. 25, p. 11-15, 26 jun. 2002. Entrevista concedida a Eduardo Salgado.




17) Sobre o Texto 3, assinale o que for CORRETO.

01. Depreende-se, pela leitura do texto, que querer ser milionário é ruim, pois este desejo é incom-patível com o amor pelo trabalho.

02. Se você faz algo de que não gosta (linhas 6-7) indica uma condição. Se essa idéia for escrita seguindo a mesma forma de aconselhamento do autor, obteremos a seguinte construção: Faz algo que você goste.

04. Para o autor, as chances de sucesso em uma profissão dependem da paixão com que ela é exercida.

08. O vocábulo que exerce a mesma função sintá-tica nos dois casos: a) acho que querer ser milionário não é um bom objetivo na vida; b) ache aquilo que você realmente ama fazer.

16. Nas palavras paixão e acho, encontramos letras diferentes representando um mesmo fonema; já nas palavras paixão e exerça há uma mesma letra para representar diferentes fonemas.

           


















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Texto 4


            “Seu corpo: espigadão, maljeitoso; o rosto: magro e um pouquinho verde-azulado, com alguma verruga sem maior gravidade; nas pernas e nos braços: cabelinhos compridos, joelhos e cotovelos em ponta. Era Zélica Tavares. Mas no olhar bem escuro é que ela imperava mais – olhar mandão aquele seu, até queimante quando atiçado, olhar que cortava gente, animais e coisas. E era mulher distinta, das que mais o podiam ser; só que tinha esses ares de disposição para crimes e violências, que jamais fez ou faria, porque tudo era só um jeito, mais nada.
            Marivone, por exemplo: quantas vezes Marivone apanhou desde que foi adotada? Duas ou três palmadas curtinhas, algum puxão de orelha muito leve. Não pode nunca dizer, mesmo na pior raiva que ainda vier a ter, que não viveu em lar harmonioso, severo na lei, mas harmonioso. E o marido, de que se podia queixar aquele homem? Da repugnância que ela teimava em sentir contra as bobices da moda, contra banhos de mar (essas mulheres peladas, que vergonha!), contra namoros por demais quietos, contra esses hereges que não vão à igreja ou que comem carne, só por deboche, nas sextas-feiras da Quaresma? Creso Tavares pouco ligava. Chateava-se mais, isso sim, era com a demora dela em apagar a luz, quando deitavam, ou em se pôr à vontade para se juntarem como Deus tão bem permite aos casais: Zélica aprendeu com a mãe, e a mãe com a avó, que um rosário no fim do dia limpa a alma e é semente bem plantada. Creso não discutia matéria de fé, quem era ele para tanto? – mas ia sempre sentindo um sono e um cansaço com tanta ave-maria, que diacho!, e um mal-estar lhe tomava o corpo, chegava à raiz da língua, formigava, e desmanchava-se enfim num resmungo e até mesmo neste ato de coragem: ‘Não se precisa de luz acesa pra rezar, minha velha’.”

CARDOZO, Flávio José. Zélica Tavares cuja filha, meu Deus, que malvadeza. In: Zélica e outros. São Paulo: F.T.D., 2001. p. 44-45.

 















18) Sobre o Texto 4, o conto e a obra aos quais ele pertence, é VERDADEIRO afirmar que:

01. No Texto 4, Zélica é descrita minuciosamente, tanto em suas características físicas como em traços de personalidade e conduta, com des-taque para um elemento particular que carac-teriza simultaneamente um atributo físico e diferentes nuanças de comportamento.

02. Os personagens principais de Zélica e outros, com traços de caráter e personalidade bem definidos, são sempre identificados pelo nome e protagonizam com intensidade acontecimentos que expõem realisticamente a condição huma-na, em episódios que mostram: traição, egoís-mo, chantagem, preconceito, ingenuidade, pai-xão, defesa da honra, teimosia, religiosidade, entre outros aspectos.

04. No conto Lourenço Roxadel, que integra a obra de Flávio Cardozo, o personagem Lourenço, diante do fato de que seu filho estava inválido para o resto da vida, manda a nora Dilnéia para um convento, para manter a honra do filho.

08. Zélica e outros é um livro de contos repre-sentativo da literatura catarinense contem-porânea, que retrata situações de conflito viven-ciadas entre nativos e turistas que freqüentam a Ilha de Santa Catarina, especialmente no verão.






























19) Em relação ao Texto 4, assinale a(s) propo-sição(ões) VERDADEIRA(S).

01. Na frase Chateava-se mais, isso sim, era com a demora dela em apagar a luz (linhas 28-30), os termos sublinhados foram empregados para dar ênfase à informação e podem ser retirados sem prejuízo à estruturação sintática do período.           

02. Da  leitura  do  excerto, depreende-se  que a conduta de Zélica que mais incomodava Creso Tavares era a excessiva religiosidade, pois a reza da mulher colocava contrastivamente em evidência a falta de fé do marido.

04. A palavra tanto(a), apesar de flexionada dife-rentemente, funciona com o mesmo valor de intensificação nas duas ocorrências sublinha-das em: Creso não discutia matéria de fé, quem era ele para tanto? – mas ia sempre sentindo um sono e um cansaço com tanta ave-maria (linhas 34-37).

08. As  palavras  espigadão (linha 1)  e  cabelinhos (linha 4) foram usadas, respectivamente, no aumentativo e no diminutivo, exprimindo emo-tividade.
  
16. A expressão  que diacho! (linha 37)  traduz ma-nifestação do íntimo de Creso; é uma locução interjetiva.

32. A expressão  essas  mulheres  peladas, que vergonha! (linhas 23-24) indica a ocorrência de discurso indireto livre.






























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Texto 5

            “Ainda que viva cem, mil anos, não esquecerei aquele dia em que, deitado no leito miserável da cela B 17, a porta se abriu e dois soldados empurraram um corpo que logo se estatelou no chão de ladrilhos. De início, nem parecia um corpo mas um saco, enorme e comprido, que desabou e, estranhamente, não fez nenhum ruído quando caiu. Ou, quem sabe, o espanto – seria melhor dizer: o medo – não me deixou ouvir nada. Todos os meus sentidos ficaram resumidos no olhar – um olhar que procurava entender não o que estava vendo mas o que ainda poderia ver.
            Sempre que aquela porta se abria, alguma coisa poderia acontecer comigo. As     duas refeições diárias eram colocadas numa pequena bandeja giratória na parede ao lado, e nos quinze dias em que ali estava, a porta só se abria à noite, para mais um interrogatório. Já tudo havia respondido, o que sabia e não sabia, minhas informações estavam sendo checadas, se elas não fizessem sentido ou fossem julga-das insuficientes, eu começaria a ser torturado.
            Das celas vizinhas, sobretudo durante a madrugada, eu ouvia os gemidos daqueles que voltavam do porão do quartel que o regime político transformara em prisão. Não eram gritos, eram gemidos mesmo, que duravam horas. Mesmo assim, em certas noites,      apesar de distantes, eu ouvia os gritos – e ainda que viva cem, mil anos, jamais me      esquecerei deles.
(...)
             ‘Que seria aquilo?’, foi a pergunta que me fiz, logo reconhecendo que devia tê-la formulado de outra forma: ‘Quem seria aquilo?’. O ‘aquilo’ se justificava: não era mais um corpo ali tombado, mas um troço de carne ferida e, dentro dela, um enigma que eu nunca decifraria, nem mesmo agora, tantos anos passados.”

CONY, Carlos Heitor. Romance sem palavras. São Paulo: Companhia das Letras, 1999. p. 11-13.
















20) Considerando o Texto 5, assinale a(s) propo-sição(ões) CORRETA(S).

01. As formas verbais em Ainda que viva (linha 1) e se elas não fizessem (linha 22) estão flexio-nadas, respectivamente, no presente e no futuro do subjuntivo, modo que retrata fatos incertos, hipotéticos.

02. Ainda que viva cem, mil anos, não esquecerei aquele dia... (linhas 1-2).  Cony inicia o roman-ce lançando mão de um recurso semântico com que explora o impacto causado pela presença do corpo empurrado pelos soldados, para den-tro da cela. Essa forma expressiva corresponde à figura de linguagem chamada eufemismo.

04. No Texto 5 foram empregados travessões como recurso de ênfase. Os primeiros (linha 9) e o último (linha 30), para separar uma expressão que ratifica o enunciado anterior; o da linha 11, para realce. Todos esses travessões poderiam ter sido substituídos por pontos-e-vírgulas, sem que o sentido do texto se alterasse.

08. Ou quem sabe, o espanto – seria melhor dizer: o medo – não me deixou ouvir nada. (linhas 8-10).  Nessa frase, os dois pontos ressaltam o sentimento de medo do narrador diante da cena presenciada.

16. As passagens um corpo (linha 4) / nem parecia um corpo mas um saco (linhas 5-6) e aquilo (linhas 34 e 36) refletem a banalização a que ficou reduzido o companheiro de cela do narrador, a perda de sua individualidade como ser humano.




























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Texto 6


“Eram mil degraus irregulares de pedra, numa picada abrupta e estafante, que ele (Isaías) mesmo construíra, dia após dia, até o alto, uma clareira de vista magnífica para os quatro pontos cardeais, onde soprava um vento eterno. Subia devagar, cada vez mais devagar, ajeitando matos e flores, podando ramagens, e sempre monologando, um resmungo sussur-rado que ia dando sentido aos gestos e parecia criar, só pela força da voz, um outro mundo.
            Às vezes parava, sentava num degrau, tirava o cachimbo e o fumo e os fósforos de um bolsão da túnica surrada, e fumava, pensativo; entre uma baforada e outra, redesenhava as linhas, as cores, os sons e as curvas das extensões da ilha só com um olho e a ponta do cachimbo riscando o espaço, a mão estendida. E pensava, também, na tarefa difícil que teria nos próximos dois meses, uma tarefa que exigia, como todos os anos, proteções maiores que simplesmente a força do desejo. Distraído entre o desenho e o pensamento, batia o cachimbo na pedra, limpava-o com carinho, guardava-o e prosseguia a subida.”

TEZZA, Cristóvão. Ensaio da paixão. 2. ed. Rio de Janeiro: Rocco, 1999. p. 10.

21) Considerando o Texto 6, assinale a(s) propo-sição(ões) CORRETA(S).    

01. O romance do qual o Texto 6 faz parte difere do romance do Texto 5, quanto ao enfoque narrativo: Ensaio da paixão apresenta narrador de terceira pessoa, onisciente; Romance sem palavras, narrador em primeira pessoa.  Quanto à temática, no entanto, esses romances apresentam um ponto em comum: a época em que o país viveu sob o regime militar.
02. No primeiro capítulo do romance, Isaías sobe à montanha, para adorar e exaltar a Deus, com quem tem um diálogo respeitoso sobre a encenação da Paixão.
04. Substituindo  os  termos  sublinhados,  em  ajei-tando  matos  e  flores,  podando  ramagens   (linha 7), pelos pronomes oblíquos correspon-dentes, obtém-se:  ajeitando-os, podando-os.
08. O acento indicador de crase, em  Às  vezes (linha 11), permaneceria, se a locução adverbial fosse substituída por Algumas vezes.
16. Predominam, no Texto 6, formas verbais do pretérito imperfeito do indicativo (como Eram, soprava  e  Subia,  respectivamente  linhas  1,  5 e 6), tempo que marca ação habitual ou contínua, no passado. Há, também, formas do gerúndio (como ajeitando, podando, monolo-gando, linhas 7 e 8), que indicam uma ação em curso.


22) É(São) VERDADEIRA(S) a(s) seguinte(s) pro-posição(ões), a respeito das obras de Manoel de Barros e de Guimarães Rosa:

01. Nos 21 contos de Primeiras estórias, Guimarães Rosa transcende os aspectos regionais repre-sentativos do interior mineiro, ao transformar o sertão numa metáfora do mundo, onde os personagens, envolvidos profundamente com problemas de natureza política e social, são realisticamente caracterizados e objetivamente descritos.

02.  Em todas as frases abaixo:
Sou um sujeito cheio de recantos.
Os desvãos me constam.
Tem hora leio avencas.
Tem hora, Proust.
Ouço aves e beethovens.
Gosto de Bola-Sete e Charles Chaplin.
O dia vai morrer aberto em mim.
observa-se o uso expressivo da primeira pes-soa, uma característica bem evidente no Livro sobre nada, de Manoel de Barros.

04. Uma  das  características  marcantes  do Livro sobre nada é o uso recorrente da antítese, figura de linguagem que salienta a oposição entre duas palavras ou idéias. Esse recurso estilístico pode ser observado em: É no ínfimo que eu vejo a exuberância.

08. Em  sua  obra  Livro sobre nada, Manoel  de Barros propõe-se a fazer brinquedos com as palavras. Um dos recursos expressivos bastan-te utilizados pelo autor para concretizar seu desejo é a criação de palavras novas a partir da combinação de formas já existentes na língua, um processo gramatical que se pode perceber nos versos:
As coisas tinham para nós uma desutilidade poética.  
Nos fundos do quintal era muito riquíssimo o nosso dessaber.

16. O primeiro e o último conto de Primeiras estó-rias – respectivamente As margens da alegria e Os cimos – apresentam pontos de seme-lhança e de contraste: o personagem principal é o mesmo – um menino que viaja para a casa dos tios –, porém os sentimentos que o movem são opostos pois, enquanto no momento inicial descobre alegremente a vida, no final sofre, devido à doença da mãe.

32. Guimarães Rosa procura representar, em sua prosa poética, a fala dos personagens do sertão mineiro, ao mesmo tempo em que cria e recria sons, palavras e estruturas sintáticas não convencionais.




23) Assinale  a(s)  proposição(ões)  VERDADEI-RA(S), relativamente às obras O Rei da Vela e  Vidas Secas.

01. Na obra O Rei da Vela, a intelectualidade é representada por Pinote, que, cumprindo com seu compromisso social, combate vigorosa-mente a burguesia e defende a classe traba-lhadora.

02. Em O Rei da Vela, o casamento entre Heloísa e Abelardo I é realizado por puro interesse e simboliza a união entre duas classes sociais: a aristocracia rural falida e a burguesia em ascen-são, representadas, respectivamente, pela noiva e pelo noivo.

04. O Rei da Vela  é uma peça teatral de Oswald de Andrade, composta em três atos, que focaliza especialmente São Paulo e Rio de Janeiro, mas reflete as relações e crises existentes na sociedade brasileira dos anos 30.

08. O livro  Vidas Secas, do  escritor  Graciliano Ramos, costuma ser caracterizado mais como novela do que como romance, pois seus capítulos apresentam-se encadeados em se-qüência lógica e cronológica e retratam uma realidade externa dinâmica, com paisagens minuciosamente descritas.

16. Vidas Secas  não    representa de maneira exemplar a tendência modernista de uma literatura comprometida com a realidade social e regional, como também extrapola o contexto espaço-temporal em que foi escrito, tanto para um plano nacional, ao retratar a realidade brasileira atual, marcada pela injustiça e pela miséria, como para um plano universal, ao analisar profundamente a condição humana diante da opressão social.
























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Texto 7

           “Tendo surpreendido na casa da Rosalina, em plena orgia, o terrível diretor, vexei-o.
           (...)
           Percebi que o espantava muito o dizer-lhe que tivera mãe, que nascera num ambiente familiar e que me educara. Isso, para ele, era extraordinário. O que me parecia extraordinário nas minhas aventuras, ele achava natural; mas ter eu mãe que me ensinasse a comer com o garfo, isso era excepcional. Só atinei com esse seu íntimo pensamento mais tarde. Para ele, como para toda a gente mais ou menos letrada do Brasil, os homens e as mulheres do meu nascimento são todos iguais, mais iguais ainda que os cães de suas chácaras. Os homens são uns malandros, planistas, parlapatões quando aprendem alguma coisa, fósforos dos politicões; as mulheres (a noção aí é mais simples) são naturalmente fêmeas.”

LIMA BARRETO. Recordações do escrivão Isaías Caminha. 10. ed. São Paulo:  Ática, 2001. p.157-158.





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Texto 8

“O que a senhora deseja, minha amiga, é chegar já ao capítulo do amor, ou dos amores, que é o seu interesse particular nos livros. Daí a habilidade da pergunta, como se dissesse: ‘Olhe que o senhor ainda nos não mostrou a dama ou damas que têm de ser amadas ou pleiteadas por estes dois jovens inimigos. Já estou cansada de saber que os rapazes não se dão ou se dão mal; é a segunda ou a terceira vez que assisto às blandícias da mãe ou aos seus ralhos amigos. Vamos depressa ao amor, às duas, se não é uma só a pessoa...’

            Francamente, eu não gosto de gente que venha adivinhando e compondo um livro que está sendo escrito com método. A insistência da leitora em falar de uma só mulher chega a ser impertinente. Suponha que eles deveras gostem de uma só pessoa; não parecerá que eu conto o que a leitora me lembrou, quando a verdade é que eu apenas escrevo o que sucedeu e pode ser confirmado por dezenas de testemunhas? Não, senhora minha, não pus a pena na mão, à espreita do que me viessem sugerindo. Se quer compor o livro, aqui tem a pena, aqui tem papel, aqui tem um admirador; mas, se quer ler somente, deixe-se estar quieta, vá de linha em linha; dou-lhe que boceje entre dois capítulos, mas espere o resto, tenha confiança no relator destas aventuras.”

 

MACHADO DE ASSIS, J.M. Esaú e Jacó. 12. ed. São Paulo:  Ática, 2001. p. 58-59.




24) Considerando os Textos 7 e 8, as obras das quais foram extraídos, e seus autores, é CORRETO afirmar que:

01. Recordações do Escrivão Isaías Caminha, obra da qual foi extraído o Texto 7, critica a imprensa brasileira dos primeiros anos da República e denuncia a hipocrisia da sociedade de então. O romance Esaú e Jacó, ao qual pertence o Texto 8, aborda, irônica e criticamente, os aconteci-mentos históricos da transição do Império para a República.

02. São comuns a Lima Barreto e Machado de Assis:  a citação de episódios das histórias geral e nacional, de personagens conhecidos da Literatura Universal e a menção de autores brasileiros e estrangeiros.

04. No Texto 7, percebe-se que Lima Barreto ironi-za a discriminação social e racial que sofriam os que, como ele, eram mulatos. Já no Texto 8, Machado de Assis ironiza a leitora formada dentro da concepção romântica.

08. O Texto 8 marca o estilo realista de Machado de Assis,  com sua provocação constante ao leitor, para que este participe do que está sendo escrito.

16. O romance Esaú e Jacó possui uma série de referências bíblicas, seja através dos nomes dos personagens, seja por citações diretas de passagens da Bíblia.

32. Recordações do Escrivão Isaías Caminha, de Lima Barreto, caracteriza-se como uma obra de ambiência urbana do Romantismo, movimento literário de transição, em  que se iniciaram as  tendências e os temas que se firmariam no Modernismo.


















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