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segunda-feira, 21 de junho de 2010

Moradia para todos






''Verdade que tudo falhou. Mas não via a hora de voltar  pra casa, tomar um café forte e jogar-se naquela cama coberta com acolchoado de flor''.
  Do livro, Amor de hippie. Esgotado.
  Rose Marinho Prado




A casa de um homem é o seu castelo
Autor: Coke , Edward    

Pequena, mas suficiente para mim, não depende de ninguém, / decorosa, e comprada com o meu dinheiro
Fonte: "Inscrição sobre a fachada da casa de Ariosto, em Ferrara"
Autor:
 Ariosto , Ludovico    

Na minha casa um nabo é mais saboroso... do que o tordo, o faisão ou o porco da mesa alheia
Fonte: "Satire"
Autor:
 Ariosto , Ludovico    

Uma casa é uma máquina de morar
Fonte: "Vers une Architecture"
Autor:
 Le Corbusier

Esse privilégio de sentir-se em casa em qualquer lugar pertence apenas aos reis, às prostitutas e aos ladrões
Fonte: "Splendeurs et misères des courtisanes"
Autor:
 Balzac , Honoré de    

Sinto-me em casa em qualquer sitio; e é sempre o desejo que me manda embora
Fonte: "Os Alimentos Terrestres"
Autor:
 Gide , André    

Um homem percorre o mundo inteiro em busca daquilo que precisa e volta a casa para encontrá-lo
Fonte: "The Brook Kerish"
Autor:
 Moore , George    

As casas são construídas para que se viva nelas, não para serem olhadas
Fonte: "Ensaios"
Autor:
 Bacon , Francis    

Tem que se sair de casa para melhor querê-la e apreciá-la; os que se encerram em casa é mais para molestar aos seus e por falta de valor para lutar com os de fora
Fonte: "Fedra"
Autor:
 Unamuno , Miguel    

Casa: um edifício oco, construído para ser habitado pelo homem, pela ratazana, pelo rato, pelo escaravelho, pela barata, pela mosca, pelo mosquito, pela pulga, pelo bacilo e pelo micróbio
Fonte: "Dicionário do Diabo"
Autor:
 Bierce , Ambrose    http://www.citador.pt/citacoes.php?cit=1&op=8&theme=328&firstrec=0
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Uma casa (do latim casa)[1] ou uma residência (do latim residentia)[2] é, no seu sentido mais comum, uma parede artificial construída pelo ser humano cuja função é constituir-se de um espaço de moradia para um indivíduo ou conjunto de indivíduos, de tal forma que eles estejam protegidos dos fenômenos naturais exteriores (como a precipitação, o vento, calor e frio, entre outros), além de servir de refúgio contra ataques de terceiros. Apesar de seu caráter artificial em relação às construções naturais, originalmente o homem utilizou-se de formações naturais, como cavernas, para suprimir as demandas de uma residência, porém estas estruturas tendem a caracterizar-se mais como um abrigo que como um lar. Neste sentido, a casa é entendida como a estrutura que para além de constituir-se como abrigo, define-se como uma construção cultural de uma dada sociedade. A residência, portanto, corresponde ao arquétipo da habitação — termo que normalmente é empregado por especialistas para ser referir genericamente ao ato de morar e às suas várias possibilidades e configurações, enquanto a casa é entendida como o objeto da moradia.



Uma típica casa suburbana na Califórnia, Estados Unidos.
A residência (e a habitação, de uma forma geral) é um dos principais programas a serem estudados pela arquitetura e pelos arquitetos de uma forma geral. Também foi, ao longo da história, um dos programas mais utilizados como forma de expressar as novas idéias e as mudanças nas correntes de pensamento arquitetônico.
A constituição da forma, dos usos e da função de uma casa é sempre resultado de um processo sócio-cultural: havendo de um lado a participação do projetista, por outro lado atuam hábitos sociais consolidados, preconceitos relacionados ao modo de viver, a legislação do lugar e as limitações econômicas.

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O defensor público Carlos Henrique Loureiro, coordenador do núcleo de habitação e urbanismo da Defensoria Pública de São Paulo, tem sobre a sua mesa inúmeras demandas sobre o tema, notadamente dos casos de reintegração de posse, que geram centenas de sem-teto. Ele afirma que a falta de uma política pública de habitação eficaz é responsável pelo "estado de barbárie" vivido na cidade e que a situação pode ser considerada insustentável. Ele acredita que por bem ou por mal, o Estado terá de investir em moradia, sob o risco de agravar a situação social em São Paulo. Loureiro reconhece em parte a alegação de falta de recursos para minimizar o problema, mas sugere que é preciso uma política que seja seguida de forma contínua.
Em sua opinião, mais do que recursos para um projeto de urbanização, são precisos projetos eficientes. Cita exemplo do Chile, que sob o governo Pinochet construiu "caixotes para o depósito de seres humanos", que acabaram reforçando problema social em Santiago. De acordo com ele, o mercado imobiliário paulistano exclui população e cria guetos. Para o defensor, a aprovação do relatório final da Proposta de Emenda à Constituição, que prevê a destinação de 2% da arrecadação federal e 1% da arrecadação dos Estados e municípios para os Fundos nacional, estaduais e municipais de Habitação de Interesse Social, pode não ser a solução do problema, mas pelo menos irá dar mais visibilidade ao debate. Veja os principais trechos da entrevista.
Terra - Como o senhor vê a política habitacional em São Paulo? Há diálogo com o poder público?
Carlos Henrique Loureiro - Essa é uma questão bem complicada. Mesmo quando acionado judicialmente, o município alega que não tem recursos para atender todas as famílias pobres que precisam de moradia. O que em parte é verdade. Nem quero entrar no mérito político, de quem é a culpa pela situação, quem é ou são os responsáveis pela falência da política habitacional. Isso vem de um processo histórico. Não é só do município do Estado ou da União o problema, embora as políticas urbanas sejam prioritariamente dos municípios. Historicamente não houve investimento de moradia popular. Por conta disso e do fato do mercado imobiliário ter excluído a população pobre, fez com que a cidade crescesse de forma desordenada. Quase metade da população paulistana vive em assentamentos urbanos precários. Ela acabou sendo pensada como um espaço de convivência, com direitos de bem estar.
O senhor acredita que a PEC da moradia, caso seja aprovada em votação final, seja um avanço no sentido de investimento contínuo no setor?
Ela tem o seu lado bom e o ruim. O lado bom é o reconhecimento político de se investir. O que era um problema de segunda classe se torna prioridade e ganha evidência, é interessante para o estímulo ao debate. Investimento é importante, mas não só ele. É preciso discutir o que se vai fazer com o dinheiro. Não basta apenas construir de qualquer jeito. O Chile, por exemplo, teve uma experiência ruim, onde foram construídos depósitos de gente, "em caixotes", sem nenhuma infraestrutura e que agravam os problemas sociais.
É preciso envolver a população no processo?
É preciso mais do que construir. Tem de se consultar a população, ela precisa participar da execução do plano, para que ela possa receber e se sentir responsável pelo que é seu. Se ela perceber que é algo assistencialista, acaba não cuidando. Porque vai acreditar, lá na frente, que se precisar, vai ter de novo. Falta uma política habitacional eficaz, para que as pessoas tenham dignidade humana. É um longo caminho a ser perseguido. Já estamos em um estado de barbárie. Não sei por quanto tempo essa insustentável situação em habitação vai persistir. As crianças estão fazendo malabarismo na rua porque falta moradia. A origem do problema é política.
http://noticias.terra.com.br/brasil/noticias/0,,OI4046811-EI8139,00-Defensor+diz+que+falta+de+moradia+leva+a+estado+de+barbarie.html




Não se morre de frio, mas sim de descaso

125 Comentários »
Na noite deste sábado, uma das frias do ano, moradores de rua se aninhavam ironicamente na fachada de um prédio no Centro da capital paulista que, anos atrás, já recebeu uma ocupação dos movimentos por moradia. Hoje, como tantas outras centenas de edifícios, este está fechado, ignorando a função social prevista na Constituição e servindo à especulação imobiliária.
Não é novidade que a Prefeitura de São Paulo não tenha coragem (ou interesse) de levar a cabo um programa decente de moradia – e não é de agora. O pior é que o déficit qualitativo e quantitativo de habitação poderia ser drasticamente reduzido se esses imóveis trancados por portas de tijolos pudessem ser desapropriados e destinados para quem precisa. Tal no campo como na cidade… Mas em uma sociedade cuja pedra fundamental são a intocabilidade da propriedade privada e a possibilidade de lucro e não o respeito pelo ser humano isso fica difícil, não?
Há prédios que devem milhões de Imposto Predial e Territorial Urbano (IPTU) e que poderiam ser alvo do Decreto de Interesse Social, uma vez que permanecem vagos por anos. Após uma reforma completa financiada pela Caixa Econômica Federal poderiam ser entregues às famílias.
Muitos perguntam: por que a área central da cidade é o alvo preferido de movimentos por moradia hoje? “Porque lá já existe tudo, não é preciso levar estrutura. Há escola, hospital, cultura… Ninguém vai pagar quatro conduções a uma empregada diarista que mora na periferia”, me explicou uma jovem ligada a um dos movimentos. Com exceção de algumas bolhas residenciais da elite, os mais ricos tendem a ficar nas regiões centrais, com mais infra-estrutura, enquanto os pobres são enviados às rebarbas da cidade, onde São Paulo acaba. Uma triste inversão.
Além da desapropriação, há outras formas de impedir que a especulação imobiliária faça mais sem-teto. A aplicação de um IPTU progressivo, que aumenta proporcionalmente com o tempo em que o imóvel permanece fechado, se bem aplicado (ou seja, se o perdão não for dado aos mais ricos), pode fazer com que os proprietários pensem duas vezes antes de cobrar um valor muito alto pelo aluguel.
A recuperação da área central de São Paulo não se restringe a uma valorização funcional e estética das ruas, edifícios e bens culturais, como defendem algumas organizações empresariais. Inclui também o repovoamento do local, trazendo vida à região, com incentivos para o estabelecimento das classes média e baixa. O que tem sido feito até agora é o contrário: expulsa-se a patuléia e ergue-se monumentos à música e às artes.
Tem gente que reclama da validade de ocupações, mas o fato é que muitas iniciativas e políticas públicas não teriam surgido sem essa pressão popular. Até porque, se deixar na mão do Estado resolver isso por conta própria, ele vai jogar coma barriga. Ou melhor, criar apenas instrumentos de mercado, apoiando o financiamento para compra de imóveis, e deixando ao relento aqueles que não podem comprar nem um cobertor em uma noite gélida de inverno, que dirá um teto.

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