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terça-feira, 22 de junho de 2010

UNESP 2003

REDAÇÃO
INSTRUÇÃO: Leia os seguintes trechos.
Não se pode ser sem rebeldia
Eu acho que os adultos, pais e professores, deveriam
compreender melhor que a rebeldia, afinal, faz parte do processo
da autonomia, quer dizer, não é possível ser sem rebeldia.
O grande problema está em como amorosamente dar sentido
produtivo, dar sentido criador ao ato rebelde e de não
acabar com a rebeldia. Tem professores que acham que a única
saída para a rebelião, para a rebeldia é a punição, é a castração.
Eu confesso que tenho grandes dúvidas em torno da eficácia
do castigo.
Eu acho que a liberdade não se autentica sem o limite da
autoridade, mas o limite que a autoridade se deve propor a si
mesma, para propor ao jovem a liberdade, é um limite que necessariamente
não se explicita através de castigos. Eu acho que a
liberdade precisa de limites, a autoridade inclusive tem a tarefa depropor os limites, mas o que é preciso, ao propor os limites, é
propor à liberdade que ela interiorize a necessidade ética do limite,jamais através do medo.
A liberdade que não faz uma coisa porque teme o castigo
não está “eticizando-se”. É preciso que eu aceite a necessidade ética,aí o limite é compromisso e não mais imposição, é assunção. Ocastigo não faz isso. O castigo pode criar docilidade, silêncio. Mas os silenciados não mudam o mundo.
(Paulo Freire, Pedagogia dos sonhos possíveis.
Org.Ana M.A. Freire. Editora Unes
p)


Autoridade em Ética
Pode-se dizer, em tese, que a essência da ética provém
da pressão da comunidade sobre o indivíduo. O homem pouco
tem de gregário, e nem sempre sente, instintivamente, os desejos
comuns a sua grei. Esta, ansiosa para que o indivíduo aja
no seu interesse, tem inventado vários artifícios com o fim de
harmonizar os interesses individuais com os seus próprios. Um
destes é o governo, outro é a lei e o costume, e o outro é a
moral. A moral torna-se uma força eficiente de duas maneiras:
primeiro, através do louvor e da censura dos que o cercam e
das autoridades; e segundo, através do autolouvor e da
autocensura, os quais são chamados de “consciência”. Por meio
destas várias forças — governo, lei, moral — o interesse da
comunidade se faz sentir sobre o indivíduo. [...]
Chego agora a meu último problema, que se relaciona
com os direitos do indivíduo, em contraposição aos da sociedade.
A ética, nós o dissemos, é parte de uma tentativa para
tornar o homem mais gregário do que a natureza o fez. As
pressões que a moral exerce sobre o indivíduo são, pode-se
dizer, devidas ao gregarismo apenas parcial da espécie humana.
Mas isto é uma meia verdade. Muitas de suas melhores
cousas vêm do fato de não ser ela completamente gregária. O
homem tem seu valor intrínseco, e os melhores indivíduos fazem
contribuições para o bem geral que não são solicitadas e
que, muitas vezes, chegam a sofrer reação por parte do resto
da comunidade. É, pois, uma parte essencial da busca do bem
geral, o permitir aos indivíduos liberdades que não sejam, evidentemente, maléficas aos outros. É isto que dá origem ao permanente conflito entre a liberdade e a autoridade, e estabelece limites ao princípio de que a autoridade é a fonte da virtude.
(Bertrand Russell. A sociedade humana na ética e na política.
Título original: Human society in Ethics and Politics.
Tradução de Oswaldo de Araujo Souza. São Paulo:
Companhia Editora Nacional, 1956)


Metamorfose Ambulante
Prefiro ser essa metamorfose ambulante
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
05 Eu quero dizer agora o oposto do que eu disse antes
Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
10 Sobre que eu nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio amanhã lhe tenho amor
Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
15 Lhe faço amor
eu sou um ator...
É chato chegar a um objetivo num instante
Eu quero viver nessa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
20 Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Sobre o que é o amor
Sobre que eu nem sei quem sou
Se hoje eu sou estrela amanhã já se apagou
Se hoje eu te odeio amanhã lhe tenho amor
25 Lhe tenho amor
Lhe tenho horror
Lhe faço amor
eu sou um ator...
Eu vou desdizer aquilo tudo que eu lhe disse antes
30 Eu prefiro ser essa metamorfose ambulante
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo
Do que ter aquela velha velha velha velha opinião formada
sobre tudo...
35 Do que ter aquela velha velha opinião formada sobre tudo...
Do que ter aquela velha opinião formada sobre tudo...
(Raul Seixas, Os grandes sucessos de Raul Seixas)


..................................

Lisbon Revisited
(1923)
Não: não quero nada.
Já disse que não quero nada.
Não me venham com conclusões!
A única conclusão é morrer.
05 Não me tragam estéticas!
Não me falem em moral!
Tirem-me daqui a metafísica!
Não me apregoem sistemas completos, não me enfileirem
conquistas
Das ciências (das ciências, Deus meu, das ciências!) —
10 Das ciências, das artes, da civilização moderna!
Que mal fiz eu aos deuses todos?
Se têm a verdade, guardem-na!
Sou um técnico, mas tenho técnica só dentro da técnica.
Fora disso sou doido, com todo o direito a sê-lo.
15 Com todo o direito a sê-lo, ouviram?
Não me macem, por amor de Deus!
Queriam-me casado, fútil, quotidiano e tributável?
Queriam-me o contrário disto, o contrário de qualquer coisa?
Se eu fosse outra pessoa, fazia-lhes, a todos, a vontade.
20 Assim, como sou, tenham paciência!
Vão para o diabo sem mim,
Ou deixem-me ir sozinho para o diabo!
Para que havemos de ir juntos?
Não me peguem no braço!
25 Não gosto que me peguem no braço. Quero ser sozinho.
Já disse que sou sozinho!
Ah, que maçada quererem que eu seja da companhia!
Ó céu azul — o mesmo da minha infância —
Eterna verdade vazia e perfeita!
30 Ó macio Tejo ancestral e mudo,
Pequena verdade onde o céu se reflete!
Ó mágoa revisitada, Lisboa de outrora de hoje!
Nada me dais, nada me tirais, nada sois que eu me sinta.
Deixem-me em paz! Não tardo, que eu nunca tardo...
35 E enquanto tarda o Abismo e o Silêncio quero estar sozinho!
(Fernando Pessoa, Ficções do Interlúdio/4:
poesias


PROPOSIÇÃO
A atuação do homem na sociedade, mediada por padrões
e modelos de comportamento e sujeita a atritos e tensões
entre os interesses da comunidade e os dos indivíduos,
pode assumir as mais variadas formas, que vão do puro e simples
enquadramento até à mais exacerbada rebeldia. Os dois
trechos apresentados focalizam essa questão sob os pontos de
vista pedagógico (Paulo Freire) e ético (Bertrand Russell).
Tomando como base de reflexão, se achar necessário,
os textos mencionados, a letra de Raul Seixas e o poema de
Fernando Pessoa (Álvaro de Campos), bem como sua própria
experiência e opinião, escreva uma redação de gênero
dissertativo sobre o tema


OS PADRÕES SOCIAIS
E A LIBERDADE DO INDIVÍDUO.





http://www.unesp.br/vestibular/pdf/provap_jul03.pdf

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