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domingo, 6 de junho de 2010

SIMPLES /BELO .; MENTE CÉREBRO, REVISTA


Simples + belo = correto. Será?
Muitas vezes, de forma automática, tendemos a considerar como verdadeiro o que é esteticamente atraente. Curiosamente, até cientistas costumam julgar fórmulas e teoremas com base em sua “atratividade” e “elegância”
por Rolf Reber e Sacha Topolinski

© Cern/science photo library/Latinstock
Richard Feynman (1918-1988), Nobel de Física em 1965: equações comparadas a joias
A ideia de que a beleza não é apenas aparência ilusória, mas deve servir aos bons propósitos, já era defendida pelo filósofo Platão, na Grécia antiga. Na Idade Média, artistas e eruditos também estavam convencidos de que o que era verdadeiro não poderia ser feio. Na língua portuguesa a proximidade (e a confusão) entre atributos como beleza, correção e bondade já se tornou corriqueira – afinal, quem nunca ouviu um adulto dizer a uma criança algo do tipo: “Que menino bonito, fez tudo certinho!”? Entre cientistas são comuns os relatos de que a “elegância” de uma teoria lhes fornece um primeiro indício sobre sua correção. Certa vez, o matemático alemão Hermann Weyl (1885-1955) chegou a ponto de sustentar uma hipótese refutada sobre a gravidade apenas porque sua fórmula lhe parecia muito bela. A intuição de Weyl provou-se correta – e seu conceito matemático fundamental teve seu valor reconhecido mais tarde por estudiosos da eletrodinâmica quântica.

Naturalmente, mesmo a mais elegante teoria pode se revelar falsa. A associação entre “belo” e “correto”, portanto, não pode ser tomada como óbvia. Na verdade, ela é uma criação da mente humana. Em 2004, um de nós (Rolf Reber) publicou, junto com o pesquisador Norbert Schwarz, da Universidade de Michigan, em Ann Arbor, e Piotr Winkielman, da Universidade da Califórnia em San Diego, uma teoria da percepção estética. Segundo ela, considera-se uma obra de arte ou uma peça musical especialmente bela quando é fácil apreciá-la. Psicólogos denominam essa facilidade processing fluency (em português, fluência do processamento).

Isso nos faz pensar que as crianças gostam tanto da música Nana, nenê porque ela é extremamente simples e fácil. Quanto mais velha fica uma pessoa, maior o número de músicas mais complexas ela conhece e processa – seguindo em busca de novos desafios. A cantiga de ninar, então, passa a ser “simples demais” para a mente.
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Rolf Reber e Sacha Topolinski Reber é professor de psicologia biológica da Universidade de Bergen,na Noruega e Topolinski é doutorando de psicologia da Universidade de Würzburghttp://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/simples___belo_correto__sera_.html

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