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sábado, 5 de junho de 2010

Pierre Bordieu

Pierre Bourdieu - O investigador da desigualdade

O sociólogo francês detectou mecanismos de conservação e reprodução em todas as áreas da atividade humana, entre elas o sistema educacional

Márcio Ferrari (Márcio Ferrari)
Foto: AFP
Foto: AFP
Embora a maioria dos grandes pensadores da educação tenha desenvolvido suas teorias com base numa visão crítica da escola, somente na segunda metade do século 20 surgiram questionamentos bem fundamentados sobre a neutralidade da instituição. Até ali a instrução era vista como um meio de elevação cultural mais ou menos à parte das tensões sociais. O francês Pierre Bourdieu (1930-2002) empreendeu uma investigação sociológica do conhecimento que detectou um jogo de dominação e reprodução de valores.

Suas pesquisas exerceram forte influência nos ambientes pedagógicos nas décadas de 1970 e 1980. "Desde então, as teorias de reprodução foram criticadas por exagerar a visão pessimista sobre a escola", diz Cláudio Martins Nogueira, professor da Universidade Federal de Minas Gerais. "Vários autores passaram a mostrar que nem sempre as desigualdades sociais se reproduzem completamente na sala de aula." Na essência, contudo, as conclusões de Bourdieu não foram contestadas.

Na mesma época em que as restrições a sua obra acadêmica se tornaram mais freqüentes, a figura pública do sociólogo ganhou notoriedade pelas críticas à mídia, aos governos de esquerda da Europa e à globalização (leia o quadro na pág. 123). Ele costuma ser incluído na tradição francesa do intelectual público e combativo, a exemplo do escritor Émile Zola (1840-1902) e do filósofo Jean Paul Sartre (1905-1980).

Valores incorporados

O livro A Reprodução (1970), escrito em parceria com Jean-Claude Passeron, analisou o funcionamento do sistema escolar francês e concluiu que, em vez de ter uma função transformadora, ele reproduz e reforça as desigualdades sociais. Quando a criança começa sua aprendizagem formal, segundo os autores, é recebida num ambiente marcado pelo caráter de classe, desde a organização pedagógica até o modo como prepara o futuro dos alunos.

Para construir sua teoria, Bourdieu criou uma série de conceitos, como habitus e capital cultural. Todos partem de uma tentativa de superação da dicotomia entre subjetivismo e objetivismo. "Ele acreditava que qualquer uma dessas tendências, tomada isoladamente, conduz a uma interpretação restrita ou mesmo equivocada da realidade social", explica Nogueira. A noção de habitus procura evitar esse risco. Ela se refere à incorporação de uma determinada estrutura social pelos indivíduos, influindo em seu modo de sentir, pensar e agir, de tal forma que se inclinam a confirmá-la e reproduzi-la, mesmo que nem sempre de modo consciente.

Um exemplo disso: a dominação masculina, segundo o sociólogo, se mantém não só pela preservação de mecanismos sociais mas pela absorção involuntária, por parte das mulheres, de um discurso conciliador. Na formação do habitus, a produção simbólica – resultado das elaborações em áreas como arte, ciência, religião e moral – constitui o vetor principal, porque recria as desigualdades de modo indireto, escamoteando hierarquias e constrangimentos.

Assim, estruturas sociais e agentes individuais se alimentam continuamente numa engrenagem de caráter conservador. É o caso da maneira como cada um lida com a linguagem. Tudo que a envolve – correção gramatical, sotaque, habilidade no uso de palavras e construções etc. – está fortemente relacionado à posição social de quem fala e à função de ratificar a ordem estabelecida. Para Bourdieu, todas essas ferramentas de poder são essencialmente arbitrárias, mas isso não costuma ser percebido. "É necessário que os dominados as percebam como legítimas, justas e dignas de serem utilizadas", afirma Nogueira.

Capital cultural

Outro conceito utilizado por Bourdieu é o de campo, para designar nichos da atividade humana nos quais se desenrolam lutas pela detenção do poder simbólico, que produz e confirma significados Esses conflitos consagram valores que se tornam aceitáveis pelo senso comum. No campo da arte, a luta simbólica decide o que é erudito ou popular, de bom ou de mau gosto. Dos elementos vitoriosos, formam-se o habitus e o código de aceitação social.

Os indivíduos, por sua vez, se posicionam nos campos de acordo com o capital acumulado – que pode ser social, cultural, econômico e simbólico. O capital social, por exemplo,
corresponde à rede de relações interpessoais que cada um constrói, com os benefícios ou malefícios que ela pode gerar na competição entre os grupos humanos. Já na educação se acumula sobretudo capital cultural, na forma de conhecimentos apreendidos, livros, diplomas etc.

Com os instrumentos teóricos que criou, Bourdieu afastou de suas análises a ênfase central nos fatores econômicos – que caracteriza o marxismo – e introduziu, para se referir ao controle de um estrato social sobre outro, o conceito de violência simbólica, legitimadora da dominação e posta em prática por meio de estilos de vida. Isso explicaria por que é tão difícil alterar certos padrões sociais: o poder exercido em campos como a linguagem é mais eficiente e sutil do que o uso da força propriamente dita.

Para pensar
Freqüentemente fazemos, sem perceber, julgamentos severos com base em motivos nada consistentes ou, pior, preconceituosos. Na escola, é comum alunos serem discriminados por causa de sua aparência e seus hábitos. Você já observou como muitas vezes isso é uma manifestação de sentimentos de superioridade de alguns grupos sociais em relação a outros?
Os sutis artifícios de perpetuação
Escola de filhos de imigrantes ilegais na França: desigualdade tende a se reproduzir. Foto: AFP
Escola de filhos de imigrantes ilegais na
França: desigualdade tende a se reproduzir.
Foto: AFP
Para Bourdieu, a escola é um espaço de reprodução de estruturas sociais e de transferência de capitais de uma geração para outra. É nela que o legado econômico da família transforma-se em capital cultural. E este, segundo o sociólogo, está diretamente relacionado ao desempenho dos alunos na sala de aula. Eles tendem a ser julgados pela quantidade e pela qualidade do conhecimento que já trazem de casa, além de várias "heranças", como a postura corporal e a habilidade de falar em público. Os próprios estudantes mais pobres acabam encarando a trajetória dos bem-sucedidos como resultante de um esforço recompensado. Uma mostra dos mecanismos de perpetuação da desigualdade está no fato, facilmente verificável, de que a frustração com o fracasso escolar leva muitos alunos e suas famílias a investir menos esforços no aprendizado formal, desenhando um círculo que se auto-alimenta. Nos primeiros livros que escreveu, Bourdieu previa a possibilidade de superar essa situação se as escolas deixassem de supor a bagagem cultural que os alunos trazem de casa e partissem do zero. Mas, com o passar do tempo, o pessimismo foi crescendo na obra do sociólogo: a competição escolar passou a ser vista como incontornável.
A globalização e os descontentes
Protesto em Seattle em 1999: nova ordem vista como excludente. Foto: Paula A. Souders/Corbis
Protesto em Seattle em 1999: nova
ordem vista como excludente.
Foto: Paula A. Souders/Corbis
Bourdieu tornou-se ideólogo e símbolo dos protestos contra a globalização econômica e cultural, sobretudo depois do lançamento, em 1993, do livro A Miséria do Mundo. Ele assumiu um papel ativo de apoio à greve do servidores franceses, em 1995 e 1996, por julgar que ela representava um sinal de resistência do espírito público contra as privatizações. Desde então, posicionou-se fortemente contra a tendência política neoliberal e todas as outras que considerava aparentadas a ela, incluindo a linha de moderação adotada pelos partidos de esquerda que chegaram ao poder na Europa. Grupos movidos por insatisfação semelhante à de Bourdieu amplificaram seus protestos durante a reunião da Organização Mundial do Comércio em Seattle, nos Estados Unidos, em 1999, dando origem ao Fórum Social Mundial de Porto Alegre. Com suas críticas a uma ordem que considerava excludente, Bourdieu centrou fogo contra os meios de comunicação, que acusava de renderem-se à lógica do comércio e produzirem lixo cultural em larga escala.

http://revistaescola.abril.com.br/historia/fundamentos/pierre-bourdieu-428147.shtml.................................................................

O legado crítico de Pierre Bourdieu


O sociólogo francês Pierre Bourdieu morreu na noite do dia 23 de Janeiro, num hospital de Paris, em consequência de um cancro, aos 71 anos de idade. Catedrático de sociologia no Colége de France, Pierre Bourdieu era considerado um dos intelectuais mais influentes da sua época. A educação, a cultura, a literatura e a arte foram os seus primeiros objectos de estudo. Nos últimos anos, Bourdieu vinha-se dedicando ao estudo dos meios de comunicação e da política. Autor de uma sofisticada teoria dos campos de produção simbólica, o sociólogo procurou mostrar que as relações de força entre os agentes sociais apresenta-se sempre na forma transfigurada de relações de sentido. A violência simbólica, outro tema central da sua obra, não era considerada por ele como um puro e simples instrumento ao serviço da classe dominante, mas como algo que se exerce também através do jogo entre os agentes sociais.
Um dos pontos mais originais da obra de Bourdieu reside na vontade de superar o que ele chamava de "falsas antinomias" da tradição sociológica – entre interpretação e explicação, estrutura e história, liberdade e determinismo, indivíduo e sociedade, objectivismo e subjectivismo. Pierre Bourdieu não era apenas um pesquisador excepcional, reconhecido pela comunidade académica internacional, mas um intelectual empenhado nas lutas sociais e no debate público, na tradição francesa que reúne nomes como Émille Zola e Jean-Paul Sartre. Na década de 90, aprofundou esse seu empenhamento nos movimentos sociais, trabalhando pela criação do que chamava “uma esquerda da esquerda”, ou seja, uma esquerda que recusasse os compromissos que, ao longo do século XX, foram sendo assumidos pela esquerda europeia mais tradicional. No caso da França, especialmente pelo Partido Socialista. Em 1992, o sociólogo afirmou: “Dez anos de poder socialista (a era Miterrand) provocaram a demolição da crença no Estado e a destruição do Estado-providência em nome dos ideais liberais”.
"A cidade dos sábios"
Face ao silêncio dos políticos diante dos problemas sociais, Bourdieu passou a apelar para a mobilização dos intelectuais. “O que defendo”, costumava dizer, “é a possibilidade e a necessidade do intelectual crítico”. Para Bourdieu, não pode haver democracia efectiva sem um verdadeiro contra-poder crítico. O sociólogo dedicou os seus últimos anos de vida a combater o neoliberalismo sob todas as suas formas. Colocou os seus conhecimentos científicos ao serviço do empenhamento político. Numa de suas últimas obras, Contre-feux 2, Pour um mouvement social européen, Bourdieu afirma: “Fui levado pela lógica do meu trabalho a ultrapassar os limites que eu mesmo havia estabelecido em nome de uma ideia de objectividade que, percebi, era uma forma de censura”. Ultrapassar esses limites, para ele, significava tirar o saber para fora da “cidade dos sábios” e colocá-lo a serviço das lutas sociais contra o neoliberalismo.
Um dos principais alvos de crítica de Bourdieu, nos seus últimos anos de vida, foram os meios de comunicação, que estariam, segundo ele, cada vez mais submetidos a uma lógica comercial inimiga da palavra, da verdade e dos significados reais da vida. Era um crítico feroz do lixo cultural produzido pelos média contemporâneos. Na sua obra Questions aux vrais maîtres du monde, afirmou: “Esse poder simbólico que, na grande maioria das sociedades, era distinto do poder político ou económico, hoje está concentrado nas mãos das mesmas pessoas que detêm o controlo dos grandes grupos de comunicação, quer dizer, que controlam o conjunto dos instrumentos de produção e de difusão dos bens culturais."
Bourdieu também era um crítico da globalização (ou mundialização, como preferem os franceses) financeira. Recusava a escolha entre a mundialização concebida como “submissão às leis do comércio” e a defesa das culturas nacionais ou de qualquer forma de nacionalismo ou localismo cultural. Ao fazer essa recusa, defendia a construção de um movimento social europeu como primeira etapa da construção de um movimento social internacional, no espírito daquele que tem vindo a ser construído em torno do Fórum Social Mundial. Deixa um legado importante e uma convocação veemente aos intelectuais para que abandonem a “cidade do saber” e passem a enfrentar o som e a fúria do mundo.
http://www.espacoacademico.com.br/010/10bourdieu02.htm

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A mídia, os intelectuais e Pierre Bourdieu

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Em um tempo em que crítica à mídia tornou-se um produto apreciado até por ela própria, a obra de Bourdieu, que fornece instrumentos para compreender como se dá a dominação cultural e simbólica, suscita contra ela uma unanimidade reveladora
Jacques Bouveresse - (01/02/2004)

Para Bourdieu, a tarefa do sociólogo jamais consistiu em se ocupar essencialmente de “aspirar o social”, mas em adquirir um conhecimento real dos mecanismos que o governam

Cada dia que passa temos mais uma oportunidade de observar o enorme vazio criado pela morte de Pierre Bourdieu e de constatar o quanto se tornou arcaico o modelo do intelectual crítico, do qual provavelmente ele terá sido o último grande representante na França. A meu ver, o que está substituindo esse modelo foi muito bem descrito por Jean-Claude Milner, quando escreveu em seu panfleto Existe-t-il une vie intellectuelle en France ? (Existe uma vida intelectual na França?): “À primeira exortação a servir, sucedeu a segunda: ‘deixem de nos ofuscar com inúmeras provas de um saber excessivo ou de uma lucidez desagradável’, acrescentaram os notáveis. Não basta servir, é preciso também se mostrar humilde. Existiram retóricos para formar os doutrinários dessa humildade do Collège de France à imprensa. Daí o intelectual de hoje, pusilânime diante dos fortes, duro diante dos fracos, ambicioso sem projeto, ignorante sob os ouropéis do pedantismo, impreciso de estilo minucioso, inexato de estilo detalhista” 1 .
Mesmo que, como acontece quase sempre nesse caso, provavelmente Milner tenha tendência a idealizar um pouco o período anterior, o que diz parece basicamente certo e corresponde à chegada ao poder de um tipo de intelectual de quem Bourdieu conhecia particularmente bem os costumes e o comportamento, e de quem ele pressentiu e descreveu o advento. Há pouco tempo, propus denominar “intelectual deferente” o tipo de intelectual que evita cuidadosamente dar a impressão de saber mais ou de ter mais consciência que outros e que não perde a oportunidade de manifestar seu respeito por todas as formas de poder, econômicas, políticas e midiáticas, pelas autoridades morais e religiosas, pelas crenças populares e até, se for o caso, pelas idéias feitas.
A evolução, no período atual, constitui uma das questões sobre as quais sempre tive oportunidade de conversar com Bourdieu nos últimos anos. E é importante salientar que ele faz parte justamente daqueles que se opuseram até o fim à idéia de praticar a humildade sob a forma falaciosa que é recomendada atualmente, em outras palavras, à idéia de fazer concessões e de aceitar o acomodamento demandado em relação à competência e ao saber, com a esperança de conseguir contentar o maior número possível de pessoas. Ele jamais considerou que a tarefa do intelectual, mesmo e sobretudo a do sociólogo, pudesse ser, como se demanda cada vez mais, hoje, de se limitar a simplesmente retratar o social sob todos seus aspectos, inclusive os mais inaceitáveis, evitando o máximo possível julgá-lo e formular apreciações suscetíveis de chocar ou de ofender os atores.

Ataques virulentos

Enquanto o marxismo concentrou-se no poder econômico, Bourdieu forneceu instrumentos que permitiam compreender melhor a dominação cultural e simbólica

Para Bourdieu, a tarefa do sociólogo jamais consistiu, de acordo com uma expressão utilizada pelo orientador da tese de Elisabeth Teissier, em se ocupar essencialmente de “aspirar o social”, inclusive, eventualmente, no que ele pode ter de mais nauseabundo para alguém que conservou determinadas exigências morais e intelectuais, mas em adquirir um conhecimento real dos mecanismos que o governam, por meio de métodos que nada têm de natural e de imediato, um conhecimento que não só é desejável, mas indispensável, para se conseguir ter êxito em transformá-lo.
Esse aspecto do problema é fundamental para se compreender alguns dos mais virulentos ataques enfrentados por Bourdieu nos últimos anos de sua vida. Ele se achava em uma posição de alguém que dá a impressão de defender uma posição cientificista e elitista contra o que se pode chamar a democracia e a igualdade em matéria de conhecimento e de crença. Este é o modelo do intelectual deferente adotado por Philippe Sollers quando, em um artigo intitulado “Pelo pluralismo midiático”, publicado no dia 18 de setembro de 1998 no Le Monde, caracteriza nossa época como “uma época de pluralidades, incertezas, caras sempre novas, surpresas, interseções, confrontos, singularidades irredutíveis”, e recomenda ao intelectual aceitar a partir de então, tratando em pé de igualdade todas as formas de contradição e de debate, qualquer que seja sua origem e seu grau de competência e seriedade, aqueles que expressam um ponto de vista diferente do seu.
Alain Finkielkraut expressa de forma ainda mais clara quando sugere que, ao contrário das aparências, o que Bourdieu ataca não é o poder abusivo das mídias, mas o que se pode chamar de “incontrolabilidade democrática”. O que ele não aceita, “não é seu reinado, e sim que outras vozes se façam ouvir em pé de igualdade com a sua, não é o estreitamento do espaço público, e sim sua existência” 2.

Engajamento na ação política

Se um intelectual pode, enquanto tal, ser útil aos mais pobres, realmente só pode ser pelo que ele representa e pelo que é capaz de fornecer, ou seja, o conhecimento. Mas é suficiente?

Essa é uma questão sobre a qual é particularmente necessário insistir. Desde que a mídia se tornou, aos olhos de uma parte do próprio mundo intelectual e, de qualquer maneira, certamente dos intelectuais mais midiáticos, a personificação do pluralismo democrático, de acordo com o que, na realidade, é preciso compreender o relativismo e o subjetivismo mais completo em matéria de convicção e de crença (“essa é minha opinião, essa é minha escolha etc.”), um intelectual que se dedique a criticar meios de comunicação, sobretudo se o faz de um ponto de vista que se apresenta como o do conhecimento objetivo e, o que é pior, até científico, tem todas as chances de ser acusado de se negar a participar do jogo da democracia real.
Considera-se, em geral, que com a publicação de La Misère du monde, em 1993, foi dada uma guinada importante no itinerário intelectual de Bourdieu, uma vez que foi naquele momento que ele se engajou completamente na ação política e midiática. Essa maneira de apresentar as coisas é, obviamente, muito discutível, pois os escritos de Bourdieu, desde os primeiros, que estão relacionados à experiência da colonização na Argélia, até os mais recentes, sempre apresentaram o mesmo caráter altamente engajado. Mas ainda mais curiosa é a idéia, também muito difundida, que de alguma maneira Bourdieu deixou de ser um intelectual quando se tornou militante (em outras palavras, partidário). Thomas Ferenczi, em um artigo do Monde de 19 de janeiro de 2001, intitulado “Les intellectuels dans la bataille”, escreve que, nos últimos anos, Bourdieu “renunciou, em um grande número de suas intervenções, à postura de intelectual para adotar a do militante.”
Uma afirmação mais que contestável e que Bourdieu certamente não teria aceitado, uma vez que ele não acreditava que uma presença mais ativa no cenário público e o tratamento de questões como, por exemplo, a da mídia em geral e da televisão, em particular, suscetíveis de atrair mais atenção do grande público, devam custar a renúncia à atitude científica. Por mais que se possa dizer ou escrever sobre essa questão, de qualquer maneira, ele jamais pensou que a postura de militante pudesse substituir a do saber sobre as questões da ciência.

Pela subversão simbólica

As verdades da sociologia crítica podem perfeitamente ser interiorizadas de um modo mais ou menos cínico sem que isso mude muita coisa no comportamento dos interessados

Como diz Alain Accardo, “é (...) submetendo-se o mais escrupulosamente possível ao dever de objetividade ditado pela moralidade científica que o intelectual, lutando para impor simbolicamente a verdade do mundo social, se dá as melhores chances de cumprir, ao mesmo tempo, seu dever moral de solidariedade com os oprimidos para os quais ele leva armas de subversão simbólica da ordem estabelecida” 3 . Não mais nos últimos anos como no início, Bourdieu pensou que pudesse ter aí uma escolha a fazer entre a pesquisa do conhecimento objetivo e os imperativos da ação política e social. E mesmo sobre as questões que, em princípio, interessam a todo o mundo, continuou convencido de que existe um abismo entre o tratamento metódico, preciso e intelectual do sociólogo profissional e a retórica e a verborréia pelas quais os intelectuais estimados pela mídia, que lhes dá mais habitualmente a palavra, buscam a maior parte do tempo substituí-lo. Em outras palavras, ele sempre esteve convencido de que, em matéria de engajamento, em primeiro lugar há coisas a saber e a compreender, e não só posições a tomar e protestos a fazer.
Em La Misère du monde, que foi um best Eller e contribuiu para que a sociologia se tornasse conhecida por um grande número de pessoas que provavelmente a ignoravam inteiramente e não tinham a menor razão específica para por ela se interessarem, Bourdieu manifestou pública e solenemente seu engajamento ao lado de todos os excluídos de nossa sociedade, ao começar por um capítulo dedicado àqueles que personificam, hoje, no mais alto grau, o sofrimento, a humilhação e, às vezes, a indignidade social. Tratava-se, é claro, fundamentalmente dos sofrimentos do proletariado moderno, se admitirmos que ainda existe hoje um grupo, uma classe ou, de qualquer maneira, uma realidade social que merece ser chamada por esse nome, uma questão sobre a qual Bourdieu, por sua vez, não tinha a menor dúvida. Mas a miséria social não é uma simples questão de pobreza material e, obviamente, pode servir de exemplo, de muitas maneiras, no próprio mundo intelectual.

Pensar com Marx, mas contra Marx

Bourdieu foi alguém que sempre se revoltou com a miséria do mundo em todas as suas formas. De minha parte, compartilho inteiramente do ponto de vista expresso por Gérard Noiriel em um livro recente sobre o que se pode denominar a radicalidade do engajamento e a violência do estilo que, segundo ele, dela resultam: “A sociologia de Bourdieu assim como a filosofia de Foucault (...) me dão argumentos para continuar a pensar com Marx, mas contra Marx. Dois elementos me permitem fazer a transição. Em primeiro lugar, a violência do estilo de Bourdieu não deixava nada a desejar à dos marxistas. O que me seduzia muito na época, pois eu estava convencido que um discurso radical refletia necessariamente um engajamento radical. Em seguida, a sociologia de Bourdieu ilustrava, à sua maneira, a palavra de ordem leninista que eu tinha feito minha no início da década de 70: “somente a verdade é revolucionária”. Em outras palavras, para ser útil aos mais pobres, basta descobrir e dizer a verdade. Mas o dispositivo que propunha Bourdieu me parecia muito mais satisfatório que o anterior, pois ele punha a pesquisa empírica no primeiro plano em vez de fazer discursos abstratos sobre a luta de classes e a ciência da história. Além disso, enquanto o marxismo concentrou-se no poder econômico, Bourdieu forneceu instrumentos que permitiam compreender melhor a dominação, cultural e simbólica, da qual descobri a importância no momento do conflito de Longwy. Eu dispunha, a partir de então, de todo um arsenal de argumentos para apoiar a crítica aos “porta-vozes” que os homens da siderurgia tinham feito publicamente” 4 .
A constatação de Noiriel poderia, acredito, ser repetida por um grande número de intelectuais de minha geração, que tiveram com o pensamento e o trabalho de Bourdieu o mesmo tipo de relação. Sempre ouvi Bourdieu declarar (principalmente quando criticava o modo de pensamento e o comportamento dos discípulos de Louis Althusser), em um tom meio gozador meio sério, que ele era o único intelectual francês realmente marxista da época. Com isso, queria dizer que era o único a fazer o trabalho de análise e de pesquisa empírica sobre a realidade social que um marxista de hoje deveria considerar obrigatório fazer.

O conhecimento e emancipação dos oprimidos

Um melhor conhecimento como aquele que devemos à sociologia e às ciências humanas pode não estimular um esforço de emancipação, mas, ao contrário, levar à resignação e ao cinismo

Em que medida ele realmente acreditava que, para ser útil aos mais pobres, bastava descobrir e revelar a verdade sobre o mundo social? Sem dúvida, ele considerava isso uma condição necessária, o que é compreensível uma vez que, se um intelectual pode, enquanto tal, ser útil aos mais pobres, realmente só pode ser pelo que ele representa e pelo que é capaz de fornecer, ou seja, o conhecimento. Mas sobre a questão de saber se a condição necessária é também suficiente, Bourdieu era, creio eu, ou em todo caso se tornou, ao longo dos anos mais hesitante. É um problema que conheço relativamente bem, porque o discuti muitas vezes com ele e faz parte daqueles sobre os quais realmente nunca chegamos a um acordo.
Na verdade, sempre achei um tanto otimista a idéia de que um conhecimento e uma compreensão a mais devam produzir necessariamente ou possam produzir freqüentemente um efeito de libertação sobre aquele ao qual é fornecido. É uma suposição que me parece, sobretudo no período atual, constantemente desmentida pelos fatos. As verdades da sociologia crítica podem perfeitamente ser interiorizadas de um modo mais ou menos cínico sem que isso mude muita coisa no comportamento dos interessados: continua-se a agir como antes, mas sabendo as conseqüências disso e escondendo-se atrás do fato que, do ponto de vista do próprio sociólogo, todo o mundo faz praticamente o que estava previsto e simplesmente não o pode fazer de outra maneira.

Resignação e cinismo intelectual

Várias vezes Bourdieu me disse que tinha ficado profundamente chocado com o que eu escrevera, em Rationalité et cynisme, a propósito da maneira que um melhor conhecimento como aquele que devemos à sociologia e às ciências humanas, em geral, pode, na verdade, não estimular um esforço de emancipação, mas, ao contrário, levar à resignação e ao cinismo. Com toda certeza, é chocante, mas infelizmente não é muito contestável. O uso hoje feito de intelectuais que, em sua época, foram considerados os mais subversivos, como Foucault, que se tornou, ao que parece, um autor de referência para alguns pensadores do Medef (sigla de Mouvement des Entreprises de France, organização patronal), constitui uma interessante confirmação disso. Alain Accardo certamente tem razão de salientar que, em todo caso, se a visão de Bourdieu das relações sociais suscitou tanta hostilidade entre os membros do establishment “é porque ela convida aqueles que a levam a sério a se mostrar conseqüentes e a escolher seu lado” 5 .

Se a visão de Bourdieu das relações sociais suscitou tanta hostilidade entre os membros do establishment “é porque ela convida aqueles que a levam a sério a escolher seu lado”

Mas pode-se temer que, infelizmente, não há nada a que o homem atual se habitue tão facilmente e que acabe lhe parecendo tão natural como a inconseqüência. Pensar de uma maneira e agir de outra infelizmente pode também se tornar um hábito e até mesmo constituir o hábito moderno por excelência.
Evidentemente, pode-se também se tranqüilizar ao dizer que, por sua vez, Bourdieu se manteve o inimigo número 1, unanimemente reconhecido e abertamente revelado, de todos os defensores da ordem liberal, e que seu pensamento não se submeteu durante muito tempo a um processo de recuperação como o que assinalei. Como constata Michel Onfray, há nesse momento uma notável unanimidade, muito reveladora e, em última análise, muito tranqüilizadora, que se expressa contra ele. E explica: “A razão disso é simples e evidente: Pierre Bourdieu manifesta claramente sua luta contra o capitalismo em sua versão liberal e, conseqüentemente, herda como inimigos todos aqueles que defendem essa política, direita e esquerda juntas, ou seja, a maioria dos jornais, com exceção de poucos, uma parcela ínfima em que se pode ler verdadeiras homenagens, sem crítica alusiva nem perfídia expressa por um antigo discípulo, nem reserva emitida em entrelinhas por um panfletário hábil e diplomata. Ora, os intelectuais, pensadores, filósofos e outros atores do mundo das idéias, que expressam nitidamente sua oposição à dominação liberal e ao futuro do planeta integralmente submetido à lei do mercado, são pouco numerosos em uma época em que o dinheiro como horizonte intransponível fornece o credo em torno do qual se organizam as tomadas de posição ideológicas, nacionais e internacionais” 6.

A crítica midiática na mídia

Apesar de tudo, quando se pergunta sobre a capacidade que os intelectuais podem ter de agir sobre o mundo e de contribuir para transformá-lo, tem-se a obrigação de salientar imediatamente que não há nada mais fácil e mais corrente do que acreditar no que dizem os mais críticos e, entre eles, os mais radicais, e ao mesmo tempo abster-se de tirar disso qualquer conseqüência. É uma questão que se coloca com uma acuidade particular a propósito das chances de sucesso que podem ser atribuídas à denúncia dos abusos de poder dos quais o sistema midiático se torna culpado.
Gostaríamos de poder dar razão a Bourdieu quando ele afirma que a crítica teórica e intelectual na mídia é suscetível de levar a uma tomada de consciência e, por esse caminho, a uma modificação dos comportamentos individuais e, talvez, a uma melhora das coisas. Ele explica em seu livro sobre a televisão: “Tenho a convicção (e o fato de apresentá-las em uma cadeia de televisão o testemunha) que análises como essas talvez contribuam, em parte, para mudar as coisas. Todas as ciências têm essa pretensão. Auguste Comte dizia: ‘Ciência e daí previsão, previsão e daí ação’. As ciências sociais têm direito a essa ambição assim como as outras ciências’” 7 . Sou, antes de mais nada, cético em relação aos resultados aos quais a sociologia crítica da mídia levou até agora. Mas a honestidade me obriga a dizer que não sei mais do que outros o que ainda pode ser eficaz contra um poder tão desmedido e tão armado e protegido como aquele em questão. Se a visão de Bourdieu das relações sociais suscitou tanta hostilidade entre os membros do establishment “é porque ela convida aqueles que a levam a sério a escolher seu lado”
Sem dúvida, Michel Onfray tem razão ao responder, àqueles que formularam contra Bourdieu a crítica grotesca de ter sido “o mais midiático de todos os inimigos da mídia”, que “a crítica midiática da mídia não constitui de maneira alguma uma contradição” 8 . Ele escreve: “O que dizem os sofistas que associam crítica da televisão à obrigação de nela não se apresentar? Que a crítica do funcionamento da mídia se efetua somente no deserto? Que a alternativa consiste em se render a ela para adular as potências que convidam ou a nunca nela se apresentar a fim de preservar sua capacidade crítica? Vejo nisso um erro de raciocínio, pois existe uma outra possibilidade: render-se a elas e criticá-las, em seguida demonstrar a legitimidade de uma crítica midiática da mídia” 9 .

A eficácia dos pensadores midiáticos

Há nesse momento uma notável unanimidade, muito reveladora, que se expressa contra Bourdieu, por ele manifestar claramente sua luta contra o capitalismo em sua versão liberal

Como todos os pensadores midiáticos, Onfray simplifica demasiadamente as coisas quando suspeita a priori10 . Eu me pergunto se, infelizmente, ele não corre o risco de ser obrigado a incluir na categoria dos “cenobitas leigos instalados nos cumes mais próximos do céu das idéias em que o nada, o vazio e a ausência reinam como mestre” 11 pensadores como Jules Vuillemin pelos quais Bourdieu tinha justamente a maior admiração e pensava que estavam entre os raros a ter exatamente algo de substancial a dizer hoje. Se, no que diz respeito à televisão, ao rádio e aos jornais, a “presença crítica” é, sem dúvida, preferível a “um silêncio tão improdutivo quanto o nada” 12 , a maioria dos intelectuais que utilizam esse argumento para justificar a resposta afirmativa que dão às solicitações dos meios de comunicação me parecem se tornar muito rapidamente mais presentes do que realmente críticos – algo que, em compensação, certamente não se poderia dizer de Bourdieu. Mas não é essa a questão que quero discutir aqui. da pureza de motivação dos inflexíveis (é claro que Bourdieu não pertence a essa categoria), ao sugerir que, se eles se recusam a aparecer na televisão, isso só pode ser porque jamais foram convidados ou porque sabem que não o seriam facilmente
A questão não me parece ser exatamente saber se podemos ou não criticar com êxito (em particular, com um certo êxito midiático) a mídia na mídia. Sem dúvida, a crítica midiática da mídia é possível e até poderíamos dizer programada e almejada pelo próprio sistema. Mas todo o problema é saber que chances ela tem de produzir efeitos reais e se conseguiu até hoje, ou conseguirá amanhã, desestabilizar de alguma maneira o poder que ela ataca e modificar, mesmo que pouco, uma evolução que parece ter se tornado praticamente inevitável e sobre a qual ninguém, há muito tempo, parece mais ter meios de agir.

A crítica esquecível

Christopher Lasch observa que “... a comunicação de massa, por sua própria natureza, reforça, a exemplo da cadeia de montagem, a concentração do poder e a estrutura hierárquica da sociedade industrial. Ela não o faz difundindo uma ideologia autoritária feita de patriotismo, de militarismo e de submissão como tantos críticos de esquerda o afirmam, mas destruindo a memória coletiva, substituindo as autoridades em que era possível confiar por um star system de um novo gênero, e tratando todas as idéias, todos os programas políticos, todas as controvérsias e todos os conflitos como sujeitos igualmente dignos de interesse do ponto de vista da atualidade, igualmente dignas de prender a atenção dispersa do espectador e, conseqüentemente, igualmente esquecíveis e sem a menor significação” 13
Nessas condições, não se sabe muito bem o que poderia impedir que a crítica da mídia constituísse um assunto midiático capaz, como qualquer outro, de manter por um momento a atenção dispersa do leitor ou do espectador, mas ao mesmo tempo tão esquecível e tendo todas as chances de ser tão rapidamente esquecida quanto qualquer outra. Portanto, não é necessário ser elitista, puritano ou espírito de porco para se colocar questões sérias sobre a eficácia de uma crítica da mídia formulada na mídia e sobre o comportamento dos intelectuais que se orgulham de conseguirem ser ao mesmo tempo midiáticos e críticos. Para explicar o que se passa, de maneira alguma é necessário recorrer a uma teoria do complô ou imputar uma perversidade especial aos atores relacionados, particularmente aos mais poderosos.
Para Bourdieu, não há forças do mal agindo no mundo social. Simplesmente, há sistemas dos quais é preciso descrever a lógica ou, para utilizar a linguagem de Bourdieu, áreas cujo funcionamento obedece a leis que, se não são imediatamente passíveis de ser conhecidas, no entanto não têm o menor segredo.

Dominação e linguagem

A desigualdade nas condições de acesso à linguagem e ao controle das formas impostas da boa e bela linguagem constitui um dos fatores de discriminação mais importantes

Do mesmo modo que Kraus, Bourdieu não criticou os jornalistas com o objetivo de desculpar os intelectuais. Gérard Noiriel escreve que “a crítica dos intelectuais é, sem dúvida, a pedra angular de toda a sociologia de Bourdieu A noção de “poder simbólico” que ele elaborou para explicar essa forma de dominação parte da idéia de que todas as relações sociais são mediatizadas pela linguagem” 14 . Esse é um ponto de fato inteiramente crucial em Bourdieu. A desigualdade nas condições de acesso à linguagem e ao controle das formas impostas da boa e bela linguagem constitui um dos fatores de discriminação mais importantes entre os que exercem e os que são condenados a se submeter ao poder simbólico – e ao poder em geral no que ele tem necessariamente de simbólico – e uma das fontes principais da distinção entre os dominantes e os dominados.
Bourdieu retomou constantemente a questão do considerável privilégio daqueles que têm os meios de atuar de uma maneira que passa fundamentalmente pela linguagem e por sua capacidade de fazer com que o outro aceite uma representação da realidade, que não tem necessidade de ser objetiva para ser crível – e no entanto não o é a maior parte do tempo –, mas que é concebida para apresentar a realidade a seu favor e servir a seus próprios fins. O poder simbólico é, sobretudo, o poder de levar os dominados a perceberem e descreverem as coisas como aqueles que ocupam posições dominantes têm interesse que eles vejam e descrevam.
É o que acontece, obviamente, com intelectuais, de quem Bourdieu pensa que sua relação com a linguagem e sua possibilidade de criar o mundo do qual falam, simplesmente ao falarem sobre ele, estão na origem de uma dificuldade especial que lhes torna extremamente problemático, para não dizer impossível, o acesso à realidade propriamente dita, e mais especialmente à realidade social. Mas é o que acontece também com todos os produtores de discursos e, em particular, com políticos e jornalistas. Pode-se pensar que isso realmente acontecerá cada vez mais, uma vez que governar tornou-se hoje algo quase sinônimo de comunicar.
(Trad.: Wanda Caldeira Brant)
* Titular da cadeira de filosofia no Collège de France. Autor de Bourdieu, savant et politique, que será lançado no dia 17 de fevereiro pela Editions Agone, do qual este artigo foi extraído.
1 - Jean-Claude Milner, Existe-t-il une vie intellectuelle en France? Editions Verdier, Lagrasse, 2002, p. 24.
2 - Alain Finkielkraut, “Sauver l’innocence et le secret ”, Le Monde, 18 de setembro de 1998.
3 - Alain Accardo, “ Un savant engagé ”, Awal, Cahiers d’études berbères, n° 27-28, 2003.
4 - Gérard Noiriel, Penser avec, penser contre, Itinéraire d’un historien, Editions Belin, Paris, 2003, p. 156.
5 - Op. cit., p. 18.
6 - Célébration du génie colérique, Tombeau de Pierre Bourdieu, Editions Galilée, Paris, 2002, p. 12-13.
7 - Sur la television, suivi de L’emprise du journalisme, Editions Raison d’Agir, 1996, p. 63.
8 - Op. cit., p. 64.
9 - Ibid., p. 64-65.
10 - Ibid., p. 64. Ler também, de Pierre Bourdieu, “A propos d’un passage à l’antenne ”, Le Monde diplomatique, abril de 1996. 



11 - Ibid., p. 66.
12 - Ibid.
13 - Christopher Lasch, Culture de masse ou culture populaire ? Traduzido do inglês (norte-americano) por Frédéric Joly, Editions Climats, Castelnau-le-Lez, 2001, p. 56.
14 - Op. cit., p. 156.

http://diplo.org.br/2004-02,a849









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