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segunda-feira, 7 de junho de 2010

Pedofilia, estudos

Escreva a dissertação que busque analisar a pedofilia.

Vídeo

http://www.youtube.com/watch?v=ZQ_sL-LOnfs&feature=player_embedded

Este é um documentário

http://www.youtube.com/watch?v=Q8pw_P-PnKw&feature=related


Pedofilia

TEXTO 1

pedofilia pela Internet - O lado negro da Web

É indiscutível que a internet revolucionou os meios de comunicação, trazendo benefícios e tecnologia para o mundo. Hoje, o uso do computador é de caráter transnacional, universal e de ubiqüidade.
20/jun/2003
Foto Sandro D'Amato Nogueira
sandrodamato@hotmail.com
Veja o perfil deste autor no DireitoNet
"Cada día que pasa, un número creciente de niños de todo el mundo son objeto de explotación y abusos sexuales. Es preciso poner fin a este fenómeno mediante una acción concertada a todos los niveles, local, nacional e internacional." El abuso de menores a través de la pornografía infantil en Internet es uno de los ejemplos más sangrientos que ha visto en Internet un filón de oro.(World Congress Against Commercial Sexual Exploitation of Children, Estocolmo 1996).


Resumo.

É indiscutível que a internet revolucionou os meios de comunicação, trazendo benefícios e tecnologia para o mundo. Hoje, o uso do computador é de caráter transnacional, universal e de ubiqüidade. Entretanto, com esta revolução informacional, simultaneamente vieram os denominados "crimes virtuais" na web. Faremos um brevíssimo relato no que acreditamos ser o de maior covardia: o da pedofilia.


Introdução.

Ao apresentar este artigo ao longo do qual trataremos os pontos mais relevantes concernentes a Pedofilia na WEB, buscamos alertar a todos o que está ocorrendo na Internet no que se refere a exploração sexual de crianças e adolescentes. A Internet está sendo utilizada pelos pedófilos para realizarem suas fantasias sexuais, trocarem e comercializarem fotos, filmes, cd-rom, entre outros. Tudo isso, faz girar milhões de dólares em todo mundo, É lamentável esse mercado bizarro. Fotos e vídeos de bestialidades com crianças estão entre as mais comercializadas na WEB, estima-se que os vídeos com crianças, que as vezes são seviciadas até a morte custe de US$400 a US$ 6.000.

Existem estatísticas dizendo que tais criminosos já lucraram mais de 600 milhões de dólares. Em suma, o tema é extenso e polêmico e tenho muitos pontos a expor e a serem discutidos, mas, vou apenas fazer algumas breves considerações sobre este tão delicado problema que nos afronta.


1. Definição Pedofilia.

Pedofilia é um distúrbio de conduta sexual, onde o indivíduo adulto sente desejo compulsivo, e caráter homossexual (quando envolve meninos) ou heterossexual (quando envolve meninas), por crianças ou pré-adolescentes (...) este distúrbio ocorre na maioria dos casos em homens de personalidade tímida, que se sentem impotentes e incapazes de obter satisfação sexual com mulheres adultas. Muitos casos são de homens casados, insatisfeitos sexualmente. Geralmente são portadores de distúrbios emocionais que dificultam um relacionamento sexual saudável com suas esposas. [1]


2. O Perfil do Delinqüente Sexual.

As estatísticas têm mostrado que 80 a 90% dos contraventores sexuais não apresentam nenhum sinal de alienação mental, portanto, são juridicamente imputáveis. Entretanto, desse grupo de transgressores, aproximadamente 30% não apresenta nenhum transtorno psicopatológico da personalidade evidente e sua conduta sexual social cotidiana e aparente parece ser perfeitamente adequada. Nos outros 70% estão as pessoas com evidentes transtornos da personalidade, com ou sem perturbações sexuais manifestas (disfunções e/ou parafilias). Aqui se incluem os psicopatas, sociopatas, borderlines, antisociais, etc. Destes 70%, um grupo minoritário de 10 a 20%, é composto por indivíduos com graves problemas psicopatológicos e de características psicóticas alienantes, os quais, em sua grande maioria, seriam juridicamente inimputáveis.

Assim sendo, a inclinação cultural tradicional de se correlacionar, obrigatoriamente, o delito sexual com doença mental deve ser desacreditada. A crença de que o agressor sexual atua impelido por fortes e incontroláveis impulsos e desejos sexuais é infundada, ao menos como explicação genérica para esse crime. É sempre bom sublinhar a ausência de doença mental na esmagadora maioria dos violadores sexuais e, o que se observa na maioria das vezes, são indivíduos com condutas aprendidas e/ou estimuladas determinadas pelo livre arbítrio. Devemos distinguir o transtorno sexual ou parafilia, que é uma característica da personalidade, do delinqüente sexual, que é um transgressor das normas sociais, jurídicas e morais. Assim, por exemplo, uma pessoa normal ou um exibicionista podem ter uma atitude francamente delinqüente e, por outro lado, um sado-masoquista, travesti ou onanista podem, apesar das parafilias que possuem, não serem necessariamente delinqüentes. [2]


3. A Lei no Brasil.

O Brasil, signatário da Convenção sobre os Direitos da Criança, adotou a doutrina da proteção integral em sua Lei Maior, a Constituição Federal, no seu art.227, assim disposto:

''É dever da Família, da Sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade, à convivência, além de coloca-los a salvo de toda forma de negligencia, discriminação, exploração, violência, crueldade e opressão". [3]

A doutrina da proteção integral foi regulamentada pelo Estatuto da Criança e do Adolescente(Lei 8.069/90, Artigo 3):

''A criança e o adolescente gozam de todos os direitos fundamentais inerentes à pessoa humana, sem prejuízo da proteção integral de que trata esta Lei, assegurando-se-lhes, por lei ou por outros meios, todas as oportunidades e facilidades, a fim de lhes facilitar o desenvolvimento físico, mental, moral, espiritual e social, em condições de liberdade e dignidade. [4]

O Estatuto da Criança e do Adolescente (Lei n.º 8.069/90) estabelece em seu artigo 241.

Art. 241. Fotografar ou publicar cena de sexo explícito ou pornográfica envolvendo criança ou adolescente:

Pena - detenção de seis meses a dois anos, e multa.

Publicar significa tornar público, permitir o acesso ao público, o sentido de um conjunto de pessoas, pouco importando o processo de publicação (Nélson Hungria, Comentários ao Código Penal, Rio de Janeiro, Editora Forense, 1958, VII:340). [5]

Criança, segundo o Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA) é a pessoa com até doze anos de idade e adolescente é a pessoa entre doze e dezoito anos de idade (art. 1º, do ECA).


4. O Problema da Falta de uma Lei Específica.

Em evento realizado com a participação do Ministério Público Estadual e Abranet, no Rio de Janeiro, este, para discutir o problema da pedofilia na WEB o promotor Roberto Lyra comentou: Como não existe no País uma Lei de Informática, o Ministério Público tem dificuldades para apresentar denúncias contra pedófilos (...) Roberto Lyra defende até que a associação passe a ter poderes para retirar do ar os sites que violarem a lei. ''Existe um princípio do direito que um indivíduo não pode ser processado sem que haja lei anterior a respeito daquele tema. O código Penal fala em crimes reais e não virtuais. Por isso um internauta não pode ser processado por pedofilia ou racismo, mas é um improviso''. [6]

Além do problema de uma legislação específica, a polícia em geral, mesmo a Interpol, tem muita dificuldade para se chegar aos criminosos. Existe ainda o problema da territorialidade, para saber de onde vem o crime. Qual o provedor? De onde vem as fotos ou filmes divulgados? Quem as produziu? Qual a real data do fato ali mostrado?

Vale ressaltar que já temos em todo o Brasil, muitos inquéritos instaurados contra os acusados de pedofilia na Internet. Hoje, há uma conscientização e preocupação muito grande com este problema, e órgãos como o Ministério Público Federal e Estadual, a Polícia Civil, Polícia Federal, ABMP, RECRIA, CECRIA, CEDECA, ABRAPIA, UNESCO e muitas outras instituições e entidades estão firmando acordos para combater esses absurdos praticados por esses delinqüentes na WEB.


5. O Sentimento de Impunidade.

Não há ainda uma lei específica para este, que deverá ser o maior desafio da Internet daqui em diante. Pasmem os senhores com o que vou relatar: O sentimento de impunidade é tão grande que os pedófilos muitas vezes ironizam, debocham e desafiam a polícia. Há rumores, que um deles fará um estupro ao vivo em tempo real pela WEB desafiando assim as autoridades a pegá-lo.

No Brasil, já se tem um problema com os provedores, que só abrem dados de seus clientes com mandado judicial. Com os sites de brasileiros que migram para o exterior, o problema é ainda maior, pois, teria que acessar dados de provedores através de carta rogatória, do que somos sabedores que a demora é grande! Os casos que se consegue chegar ao provedor, a dificuldade é enorme e os provedores não abrem seus cadastros para a WEB POLICE, pois alegam ''invasão de privacidade'' se permitirem acesso a estes. Ha países, que não permitem em hipótese alguma acesso a cadastro de seus usuários, alegando ''direito à liberdade de expressão''. Essa falta de cooperação só dificulta a ação da polícia. São os denominados ''ponto.com''.


6. Conclusão.

Está claro que estamos diante de um enorme desafio, não devemos ser meros espectadores diante deste problema que nos afronta. Espero que este artigo traga novos horizontes, para juntos podermos combater a Pedofilia. Minha principal proposta é que uma lei específica deva ser aprovada imediatamente. Também é preciso que haja uma unificação das polícias, como já acontece com a Interpol e acima de tudo cooperação, para que juntos possamos trabalhar e as investigações não parem por conflitos já ultrapassados.

Em síntese, para finalizar quero pedir a todos que ajudem nesta luta para vencermos este terrível problema.

Pedofilia é crime, covardia e deve ser denunciada e punida severamente! Me desculpem se acham que exagerei, mas exagero nada mais é, que perder a paciência com algo que nos incomoda. E perdi a paciência com estes delinqüentes. Tolerância zero para a Pedofilia!!!



Nota e referências bibliográficas

[1] Que doença é esta?, leia mais, in http: www.denunciapage.vila.bol.com.br/oque.htm , pesquisado em 16.05.01

[2] ''O perfil do delinqüente''. no site: www.psiqweb.med.br, in psiq.forense- delitos da sexualidade - parte2, www.psiqweb.med.br/forense/sexual62.html , pesquisa realizada em 16.05.2001

[3] BARBOSA , Hélia. UNESCO, Edições Brasil. Inocência em Perigo. '' Abuso e Exploração Sexual de Crianças: Origens, Causas, Prevenção e Atendimento no Brasil'', Editora Garamond,1999. p.27-28.

[4] Idem.

[5] Nelson Hungria, Comentários ao Código Penal, Rio de Janeiro, Editora Forense, 1958, VII:340).in http://www.trlex.com.br/resenha/damasio/adolesc.doc

[6] LEAL, Luciana Nunes. site: http://www.estadao.com.br/, in www.estadao.com.br/editoriais/2000/11/29/ger863.html, 29.11.00
http://www.direitonet.com.br/artigos/exibir/1134/Pedofilia-pela-Internet-O-lado-negro-da-Web

tEXTO 2

A fantasia do pedófilo
cONTARDO CALLIGARIS

Em São Paulo, o pediatra Eugênio Chipkevitch é acusado de sedar dezenas de jovens pacientes para abusar sexualmente de seus corpos e gravar esses atos em vídeo. Nos EUA, descobre-se que, nos últimos anos, centenas de jovens sofreram abusos de padres católicos. E já aparecem outras denúncias no mundo inteiro.

1) A idéia de um padre ou de um pediatra pedófilos nos indigna. Ao abuso sexual soma-se a traição da confiança que os pais e os próprios jovens depositam nessas figuras. A indignação é justificada, mas a surpresa não. Os pedófilos preferem profissões que os coloquem em contato com crianças e numa posição de autoridade sobre elas: padres, pediatras, professores etc. Cuidado: a posição de autoridade não é apenas um jeito de facilitar a sedução, ela é uma parte integrante da fantasia pedofílica. Explico.

2) Uma psicologia clínica (que não seja grosseira) constata que a pedofilia não consiste apenas em gostar de crianças e adolescentes. O traço decisivo da fantasia pedofílica é a vontade de aproveitar-se da inocência ou da ignorância da vítima. O homem maduro que escolhe uma prostituta de 13 anos ou o jovem apaixonado que foge com uma menina de 14 (também apaixonada) talvez sejam pedófilos no sentido corriqueiro, mas não do ponto de vista clínico.

Quem é pedófilo clinicamente? A "Time", na semana de Páscoa, expunha o caso seguinte: anos atrás, padre Brett, de Stamford, Connecticut, convenceu o jovem Frank Martinelli a satisfazê-lo oralmente, explicando ao menino que era assim cumprida uma forma da santa comunhão. Essa é uma fantasia pedofílica: o gozo sexual confunde-se com o prazer de dominar o outro graças à sua ignara inocência. Do mesmo jeito, para o pediatra paulista, adormecer as vítimas não devia ser apenas uma facilitação ou uma maneira de garantir a impunidade. O fato de os jovens não saberem o que estava sendo feito com eles devia ser uma parte da fantasia. Aposto que o pediatra acharia pouca graça numa situação em que os jovens aceitassem transar com ele conscientes e de olhos abertos.

A idéia que excita o pedófilo é desta ordem: "Ele ou ela não sabem, não entendem o que lhes estou fazendo". A fantasia pedofílica não é tanto uma vontade de carne firme quanto o devaneio de um poder que conta com a infância ou a infantilidade de suas vítimas.

3) As reações da Igreja Católica são patéticas. Há a decisão de que não haja mais padres homossexuais. Ora, a escolha do sexo de nossos parceiros (que seja o mesmo que o nosso ou não) é independente das fantasias sexuais que nos excitam. É possível ser pedófilo, exibicionista, voyeur, coprófilo etc. sendo heterossexual ou homossexual.

Imaginemos que queiramos evitar empregar sadomasoquistas como, sei lá, enfermeiros. Sabemos que muitos heterossexuais se excitam com fantasias sadomasoquistas. Então, proibiremos a dita profissão aos heterossexuais?

4) Levanta-se, nesta ocasião, a questão do celibato: parece que, se os padres pudessem casar-se, não haveria pedófilos entre eles. Para defender o celibato facultativo, há ótimas razões, mas não essa. Mesmo uma mulher dedicada a produzir duas ou três ejaculações por dia em seu marido pedófilo, no melhor dos casos, conseguiria distraí-lo, eventualmente cansá-lo, mas não transformá-lo.

5) Calcula-se que, nas duas últimas décadas, a igreja americana tenha pago US$ 1 bilhão (sic) para silenciar as vítimas e evitar a propaganda negativa. Confrontada com os crimes de seus ministros, ela colocou sistematicamente seus interesses institucionais na frente do bem de seus fiéis. Não suspendeu os padres culpados, apenas os mudou de paróquia para evitar o escândalo. Preservou-se, em vez de preservar as crianças.

Com isso, a igreja perdeu sua autoridade moral. Será que o papa, quando se opõe ao uso da camisinha, quer minha salvação ou se lixa para a possibilidade de eu pegar Aids, com a condição de afirmar assim sua autoridade? Quando ele manda acreditar em sua infalibilidade, quer meu bem ou protege seu trono?

6) Mais uma observação destinada à hierarquia católica que resiste ao espírito do Concílio Vaticano 2º.

Talvez o tipo de relação infantilizante que a igreja ainda mantém com os católicos encoraje e autorize as fantasias pedofílicas de alguns de seus ministros. Afinal, o núcleo da fantasia do pedófilo se enquadra na tutela que a igreja se obstina a impor aos fiéis. A própria idéia de ela ser a depositária infalível de mistérios que só ela entende e administra evoca aquele "eles não sabem o que lhes estou fazendo" que está no centro da fantasia pedofílica.

Para lutar contra a pedofilia em suas fileiras, a igreja poderia começar por questionar-se. Por exemplo, ao abafar durante décadas a questão dos padres pedófilos, a hierarquia realizou ela mesma uma fantasia pedofílica com seus fiéis, pois, repito, a pedofilia não é só uma preferência por carne fresca. Ela é uma fantasia de poder sobre a inocência e a ingenuidade, um prazer de aproveitar-se de outros que se entregam e confiam, como crianças ignaras. Ou como fiéis.
texto 3

"Não sou um defensor do celibato dos padres. No entanto, acho bizarro que o fim do celibato dos padres seja apresentado como remédio contra a pedofilia. Fantasias e orientações sexuais nunca são o efeito de acumulação de energia sexual insatisfeita. Um pedófilo poderá, eventualmente, desejar uma mulher e casar com ela, mas o fato de cumprir, mesmo com afinco, o dever conjugal não o livrará das fantasias pedofílicas. Teremos, simplesmente, pedófilos casados, em vez de solteiros”. A opinião é de Contardo Calligaris, psicanalista, no jornal Folha de S.Paulo, 01-04-2010.

***

Eis o artigo.

EM 2002, graças a uma série de artigos do Boston Globe, estourou, nos EUA, o escândalo dos abusos sexuais de crianças por padres católicos. Desde então, uma onda de denúncias varre a Igreja Católica no mundo inteiro.
Última revelação, no New York Times da quinta passada: nos anos 1990, quando ele comandava a Congregação da Doutrina e da Fé, o atual papa, Bento 16, suspendeu o julgamento de um padre americano, acusado de molestar 200 meninos surdos, de cujos espíritos e almas, em princípio, ele devia cuidar.

Aos meus olhos, nesta história que não acaba, o escândalo maior talvez não seja o abuso das crianças, mas o comportamento oficial da igreja: de maneira consistente e repetida, ela parece colocar seu interesse institucional acima de qualquer consideração moral. Escândalo, mas sem surpresa alguma: em geral, o projeto dominante de qualquer instituição é o de durar para sempre.

Mas trégua: não escrevo esta coluna para me indignar. Prefiro contribuir ao debate do momento com duas observações, sugeridas pela psicopatologia e pela clínica. 1) Da conversa de botequim até o pronunciamento de um teólogo que admiro (Hans Küng, na Folha de 21 de março), os abusos sexuais de crianças por padres católicos reavivam as críticas contra o celibato dos padres.

Cuidado, não sou um defensor do celibato dos padres. Ao contrário, parece-me que a experiência de amar e conviver melhoraria a qualidade dos ministros da igreja, porque a tarefa de ser consorte ensina uma humildade que é difícil alcançar na solidão, seja ela orgulhosa e casta ou, então, envergonhada e masturbatória. No entanto, acho bizarro que o fim do celibato dos padres seja apresentado como remédio contra a pedofilia.

Essa ideia surge de uma visão hidráulica do desejo sexual, como se esse fosse um rio que, se for impedido de correr no seu leito natural, encontrará todo tipo de caminho torto e desviado. Por essa visão, na ausência de esposa, a libertinagem, não tendo para onde ir, transborda e acaba banhando (quem sabe, afogando) as crianças; portanto, os padres pedófilos não precisariam recorrer a meninos e meninas se dispusessem de uma mulher com quem saciar seus apetites.

É raro que eu me expresse de maneira tão direta, mas é preciso dizer: essa ideia é uma estupidez. Fantasias e orientações sexuais nunca são o efeito de acumulação de energia sexual insatisfeita. Um pedófilo poderá, eventualmente, desejar uma mulher e casar com ela, mas o fato de cumprir, mesmo com afinco, o dever conjugal não o livrará das fantasias pedofílicas. Teremos, simplesmente, pedófilos casados, em vez de solteiros.
Não vejo o que ganharíamos com isso, mas vejo, isso sim, na própria proposta, um desprezo inacreditável pelas mulheres que se casariam para servir de válvulas de escape para a "depravação" dos seus maridos. Ninguém merece.

A quem propõe o casamento como solução para a pedofilia dos padres, uma sugestão: proponha um programa compulsório de transa diária com a boneca inflável do Geraldão. Será tão ineficiente quanto o casamento, mas, ao menos, as mulheres serão poupadas.

2) Não é exato dizer que pedófilo é quem gosta de "carne" jovem. Pois o que importa ao pedófilo, o que é crucial na fantasia, é induzir a vítima a aceitar algo que ela desconhece e não entende. A jovem idade da vítima é sobretudo garantia de sua inocência e ignorância, ou seja, do fato de que a vítima não entenderá o que lhe será feito.
Por exemplo, um dos padres denunciados em Boston, em 2002, explicou que seu prazer consistia não tanto em ser satisfeito oralmente por um menino quanto em convencer o menino de que essa era uma forma especial de santa comunhão, que ele, o padre, ensinava e administrava.

Em suma, o pedófilo encontra seu prazer iniciando os ignaros e exercendo sobre eles um poder pedagógico absoluto. Agora, considere o jeito como a Igreja Católica tratou seu rebanho, até ser forçada a reconhecer a culpa de alguns de seus ministros. Considere a prática recorrente de camuflar decisões administrativas em dogmas divinos, considere a repressão teológica em lugar do diálogo e ainda considere a doutrina da pretensa infalibilidade do pontífice. Pois bem, aparentemente, os padres pedófilos são pequena minoria, mas a igreja como instituição trata mesmo seus fiéis como criancinhas.

texto 4 ( revista Veja)

Agressão à infância

O drama dos pais ao saber que monitor de
acampamento de férias é preso por pedofilia

Eduardo Junqueira

Abaixo à esquerda, Leonardo Chain em
janeiro de 1998, no Acampamento Atibaia
(acima), onde era o querido "tio Leo", e,
abaixo à direita, preso no interior paulista,
no mês passado: "Na Grécia antiga, a
pedofilia era comum. Platão nunca foi
condenado pelo que eu fiz. O problema é
que a sociedade atual não aceita o pedófilo",
disse ele

Fotos: Marcos Peron/
Folha Imagem/Claudio
Rossi/Divulgação

Primeiro foi o ódio. Depois, o pavor. O inferno da empresária paulista Rosangela começou numa sala da acanhada delegacia de Bragança Paulista, no interior de São Paulo. Cercada por policiais, ela assistia a um vídeo gravado na colônia de férias onde três de seus cinco filhos passaram duas semanas em julho passado, o Acampamento Atibaia, a 69 quilômetros da capital paulista. No início, as imagens corriam aceleradas. Era tudo muito confuso. De repente, voltaram à rotação normal. Na tela, Rosangela viu o filho de 11 anos. O garoto estava nu, debaixo do chuveiro. Constrangido, cobria os órgãos genitais com as mãos. Ao fundo, a mãe ouviu uma voz masculina. O homem tentava tranqüilizar o menino. Dizia que a câmara estava desligada. Aquilo era só uma brincadeira. O rapazinho acreditou. Tirou as mãos. Lentamente, a imagem foi se fechando no pênis do garoto. Na cena seguinte, ele está de costas. Close. "Nunca pensei que um acampamento para crianças escondesse segredos tão repugnantes", revolta-se Rosangela. O choque foi ainda maior quando ela soube que a voz era do "tio Leo" — o biólogo Leonardo Chain, de 27 anos, monitor da colônia de férias. O pior estava por vir. Quando conversou com o filho sobre o vídeo, o menino contou que numa madrugada despertou assustado. Tinha medo de escuro. Tio Leo, que estava acordado, para acalmá-lo propôs que dormissem na mesma cama. O garoto aceitou. "Meu filho não me disse mais nada", conta a mãe. Rosangela teme por aquela noite.

Desde janeiro passado, Chain está preso sob acusação de atentado violento ao pudor. Foi denunciado pelo dono do acampamento, o professor de educação física Mario Assi. No carro do biólogo, Assi encontrou farto material pornográfico: dezenove fitas de vídeo, 143 fotografias, além de quarenta cuecas infantis. Algumas imagens causam ojeriza. Os protagonistas são sempre meninos com idade entre 10 e 15 anos. Num vídeo, o monitor aparece fazendo sexo oral num garoto de aparentes 12 anos.

"Nunca pensei que um acampamento para crianças escondesse segredos tão repugnantes."
Rosangela, mãe de um menino de 11 anos que aparece nu num dos vídeos feitos por Chain

Complexo de inferioridade — O Acampamento Atibaia não é uma reedição da Escola Base — em 1994, a falsa acusação de abuso sexual contra crianças de 4 anos, alunas de uma escola de São Paulo, destruiu a vida de três casais inocentes. Primeiro, porque a denúncia contra Chain foi feita pelo dono da colônia de férias, que teria todo o interesse em evitar um escândalo. Segundo, porque Chain não apenas confessa a autoria dos crimes como também legitima seu comportamento. "Na Grécia antiga, a pedofilia era comum. Platão nunca foi condenado pelo que eu fiz", afirmou aos policiais. "O problema é que a sociedade atual não aceita o pedófilo." Pedófilo, do grego paidóphilos, aquele que gosta de crianças.

O abuso sexual de meninos e meninas não é um fenômeno raro. Um relatório da Organização das Nações Unidas conta em 500.000 os envolvidos em pedofilia. No Brasil são registrados cerca de 3.000 casos de abuso contra crianças todos os anos. Na prática, estima-se, o número é, no mínimo, quatro vezes maior. Muitos dos pais não denunciam para evitar a exposição pública de seus filhos. Para poupar os meninos do constrangimento, VEJA optou por identificar os pais e as mães ouvidos nesta reportagem apenas pelo primeiro nome.

O que faz com que um rapaz bonitão, de classe média alta, inteligente, formado pela Universidade de São Paulo, como Chain, acabe se envolvendo com a pedofilia? Estudos psiquiátricos feitos a partir do perfil de quem adota esse tipo de comportamento apontam, geralmente, para traços bastante definidos. Aparentemente são pessoas desprovidas de qualquer agressividade, incapazes de praticar atos de violência aberta. Mas são também pessoas com um grande complexo de inferioridade, que só conseguem exercer um mínimo de sedução e autoridade com garotos e garotas. Os advogados do biólogo alegam que ele sofre de distúrbios mentais. Se não se provar a doença, ele pode ser condenado a até 22 anos de cadeia.

"Os adolescentes unem a inocência da infância ao vigor sexual da adolescência. Daí vem o fascínio que eles despertam em muitos adultos."
Jorge Forbes, psicanalista

Chain se diz integrante de um movimento muito difundido na Inglaterra e na Alemanha, conhecido como Boylovers — em português, amantes de meninos. Os participantes alegam seguir regras de conduta bem rígidas. Afirmam não usar da violência e não forçar ninguém a nada. Numa lógica absurda, defendem que se deve primeiro conquistar a amizade das crianças e só dar vazão aos desejos com a permissão delas, como se crianças tivessem discernimento e defesas psicológicas suficientes para serem tratadas dessa maneira adulta. Tio Leo era o monitor querido. Durante seis meses freqüentou a casa do administrador de empresas Sergio, pai de dois meninos e uma menina. O mais velho, de 11 anos, foi filmado enquanto tomava banho. A primeira visita aconteceu logo após as férias de julho. O biólogo alegou que queria mostrar as fotos da estada no acampamento. No mesmo dia, agendou com os meninos uma partida de futebol para a semana seguinte. E assim foi. "Estranhei que um rapaz de 27 anos gostasse tanto de sair com adolescentes", lembra Sergio. No Brasil há 300 acampamentos de férias, que recebem, todos os anos, 1 milhão de crianças. Longe de casa, a meninada geralmente cria um vínculo emocional e de cumplicidade com os "tios" e "tias" mais divertidos. Felizmente, os casos de abuso são absoluta minoria, uma tragédia estatisticamente muito improvável.

Felicidade e pureza — A atração por crianças, sobretudo aquelas no limiar da puberdade, não é um assunto novo nem pouco explorado. Está nas estátuas gregas dos efebos, nas fotografias de meninas em poses sensuais do matemático, escritor e pastor anglicano Lewis Carroll, autor de Alice no País das Maravilhas, nos quadros que retratam garotas ingênuas e lascivas do pintor francês contemporâneo Balthus ou no romance Lolita, do russo Vladimir Nabokov, levado duas vezes para o cinema. "Os adolescentes são a imagem da felicidade e da pureza, sem a culpa que, em geral, está associada ao sexo adulto", define o psicanalista Jorge Forbes. "Daí o fascínio que despertam em muitos adultos."

Pelo Código Penal brasileiro, fazer sexo com uma pessoa de menos de 14 anos, mesmo com o aval dela, é crime: violência presumida. Mas mesmo isso está mudando. Alguns juízes defendem que hoje os adolescentes são mais maduros do que os da década de 40, quando o código foi promulgado. Atenção: fala-se aqui de adolescentes, não de crianças. Em 1996, o ministro Marco Aurélio de Mello, do Supremo Tribunal Federal, inocentou da acusação de estupro e violência presumida um homem que manteve um relacionamento amoroso com uma menina de 12 anos. Entre outras declarações que usou para explicar a razão de ter consentido na relação carnal, a menina disse que fez aquilo porque "pintou uma vontade". O ministro julgou que ela tinha consciência do que estava acontecendo. Em 1998, a Inglaterra reduziu a idade mínima legal para manter relações homossexuais de 18 para 16 anos. Difícil é convencer pais e mães que confiaram a guarda de suas crianças a gente como tio Leo de que ele representa qualquer coisa relacionada a essa suposta "modernidade".


O filme Lolita, do livro
de Nabokov: a paixão
de um cinqüentão
por uma ninfeta


Texto 5


O fascínio de adultos por crianças é tão antigo quanto a humanidade. Pinturas que retratam homens mantendo relações sexuais com adolescentes existem desde a Grécia Antiga. Foi entre os gregos que surgiu o termo "efebo", que designa o jovem do sexo masculino que era iniciado na vida sexual por um homem mais velho.O casamento heterossexual apenas tinha efeitos práticos – o amor era considerado território para homens maduros e seus rapazes. Em alguns mosteiros budistas no Tibete, até hoje sobrevive uma tradição de novatos dormirem com monges mais experientes.

Conta-se que uma das esposas do profeta Maomé, era uma menina de 8 anos quando se casou com ele, que, na época tinha 53 anos de idade. Durante a Idade Média e o Renascimento, o ideal de beleza feminina era praticamente infantil: longos cabelos louros, maçãs do rosto salientes, atitude displicente. Grande parte das mulheres casava durante a puberdade.

Não por acaso, um dos pedófilos mais famosos da história, o escritor inglês Lewis Carroll (1862-1898), autor de Alice no País das Maravilhas (1865), costumava fotografar menininhas em parques, inclusive uma garota de 4 anos chamada Alicia Lidell, que mais tarde, inspirou a personagem do seu livro. Mesmerizado pela beleza provocativa de Alicia, o escritor a cortejava de forma quase acintosa – a ponto de a mãe da menina forçar o afastamento dos dois.

Em 1955, durante o romance Lolita, de Vladimir Nabokov, surgiu o termo "ninfeta", para garotas cuja idade vai de 9 a 14 anos e que enfeitiçam os homens com sua natureza "nínfica" (demoníaca). O vocabulário sensual havia ganho , numa só tacada, duas palavras essenciais para explicar o nosso imaginário.

Na vida real, o mundo dos espetáculos também arranja confusão em função do envolvimento de adultos com menores. Em 1977, o cineasta polonês Roman Polanski teve que picar a mula dos Estados Unidos depois de admitir ter feito sexo com uma garota de 13 anos. Na década de 90, o cantor Michael Jackson foi acusado de abusar de um menino de 12 anos. Duas vítimas na história do desejo proibido.

TEXTO 6

A SEXUALIDADE E O DESENVOLVIMENTO CULTURAL

A sexualidade esta sempre veiculada ao prazer, seja de comer, de sexo, de consumo de drogas, em fim, cada uma das diferentes formas de prazer está intimamente relacionada a sexualidade, mas nem sempre ao ato sexual em si. Partindo dessa analise freudiana o presente estudo tem por objetivo verificar a relação entre cultura e sexualidade na sociedade atual. Para a realização deste estudo utilizou-se a pesquisa descritiva exploratória com revisão d literatura sobre o tema estudado. Os resultados apontam que existe uma relação proximal entre cultura e sexualidade, em cada parte do planeta em diferentes épocas de tempo houve costumes diferentes tanto quanto agora, muitos foram alterados com a evolução humana e outros ainda permanecem inalterados. Conclui-se ainda que o processo de globalização tem contribuído conjunto com os veículos de comunicação de massa para moldar uma nova sexualidade e muitas vezes de forma precoce as crianças que têm acesso a estes veículos de comunicação. Fator que exige dos pais e responsáveis postura acertada com esse novo modelo cultural que está se formando.

1 INTRODUÇÃO

A sexualidade é um tema relevante em todos os aspetos da vida das pessoas, depois do advento da Psicanálise foi possível modificar a postura e entendimento sobre a sexualidade da criança. Freud defende que as crianças têm sua própria sexualidade, mas as diferentes culturas interpretam de formas diferenciadas uma das outras.

Tendo como partida essas prerrogativas o presente estudo se justifica pelo fato de buscar compreender como acontece a relação entre sexualidade e cultura em todo o mundo e sua relevância neste aspecto.

O presente estudo se caracteriza por ser uma pesquisa exploratória e descritiva. Gil (2004, p.45) acrescenta ainda, "Que a pesquisa exploratória objetiva proporcionar maior familiaridade com o problema, com vistas a torná-lo explícito ou a construir hipóteses, tendo como objetivo principal o aprimoramento de idéias ou a descoberta de intuições".

Para a realização deste estudo tem a problemática: a sexualidade é tem ligação direta com a questão cultural?

Para tanto o objetivo deste estudo é: verificar a relação entre cultura e sexualidade na sociedade atual.

SEXUALIDADE E CULTURA

O desenvolvimento da sexualidade humana começa com as manifestações de sexualidade na infância, o contato físico, quando os bebês são segurados e acariciados. Os órgãos do sentido têm íntima relação com o centro sexual do cérebro e por isto a sucção ou o contato da pele provocam excitação nas crianças. Isto é necessário e natural que aconteça; não se deve privar o bebê de contatos corporais, o que não prejudicará nem tampouco estimulará inadequadamente a criança.

A auto-exploração ou masturbação é outra experiência fundamental para a sexualidade saudável. A criança cedo aprende a brincar e a tirar prazer de seu próprio corpo, e isto faz parte de seu desenvolvimento tanto quanto engatinhar, andar ou falar. A experiência da auto-exploração só trará prejuízos se for punida ou se a criança sentir-se culpada por esta atividade natural.

Os jogos sexuais infantis têm para a criança um sentido diferente daquele dado pelo adulto, e jamais deve acontecer com crianças de idades diferentes, para que não haja coerção.

O aprendizado de palavrões é um fato comum entre as crianças a partir de quatro ou cinco anos. Em geral, repetem o que percebem ser proibido, embora não tenham a mínima idéia de seu significado. Em geral, esclarecer seu significado ajuda a criança a deixá-lo de lado e, mais uma vez, a aproxima de seus pais com quem poderão sempre contar para esclarecer suas dúvidas. Ensinar a criança que não é preciso imitar comportamentos inadequados desde pequena é extremamente importante, até para que futuramente ela não se sinta tentada, por coerção de grupos, a mostrar comportamentos que não sejam de sua livre e espontânea vontade, como fazer uso de cigarros, drogas e outros.

De acordo com Souza et al (1999, p. 360)

Há indícios do uso de bebidas fermentadas e de ervas medicinais da pré história da humanidade. Ainda hoje em sociedades primitivas, pode-se verificar a existência de comportamentos sexuais variando com o consumo de drogas para diferentes fins, militares, sociais, religiosas e medicinais.

As diversas bebidas alcoólicas estão presentes na humanidade desde seus primórdios, o uso do vinho é conhecido desde a antiguidade, antes mesmo de Cristo, os gregos cultuavam o deus Baco devido ao vinho, porém com o advento dos destilados em geral a variedade de bebidas tem sido muito grande, porém seus efeitos no organismo são prejudiciais de um modo geral.

A comida, a bebida e o sexo são ressaltados com sua devida importância entre os gregos antigos. Porém, satisfazer as necessidades e prazeres do corpo era visto como indício de sabedoria ou "temperança" aos que o conseguiam fazer com equilíbrio (FOUCAULT, 2003).

As diferentes culturas em diferentes épocas fazem uso de costumes que variam de acordo com a evolução da condição humana, seus valores podem ser modificados depois de um longo ou curto período de utilização como sendo correta.

Sendo assim, o sexo, a comida e o consumo de drogas sempre foram elementares para o homem, outro dado relevante é que se observar a história da civilização, o homossexualismo masculino por exemplo, era uma prática aceita em toda a Roma, onde foi fortemente reprimido durante a Idade Média. O ópio foi durante séculos legalmente consumidos como droga de recreação na China, sendo também reprimido e utilizado atualmente apenas para fins terapêuticos. ( SOUZA et al, 1999).

A sexualidade é um tema recorrente nos meios de comunicação de massa, sendo que casos de abuso sexual e de pedofilia têm sido quase que constantes na mídia em todo o mundo. Porém a pedofilia não é uma prática contemporânea, a mesma já era pratica comum na Grécia Antiga.

Nos primórdios da civilização, segundo as teorias de (ENGELS, 1982 apud CANO, FERRIANI E GOMES 2007), as atividades sexuais eram livres entre homens e mulheres, e entre adultos e crianças sem que isso tivesse uma conotação de promiscuidade.

Porém a sexualidade tem mudado de acordo com as mudanças de valores das diferentes épocas da humanidade. O que era considerado comum como o sexo entre adultos e crianças, o homossexualismo e a prática de sexo com varias crianças e poucos adultos na Grécia Antiga, hoje é ilícito e considerado patológico, fato que carece de um tratamento psicológico adequado. (CANO, FERRIANI E GOMES 2007) defendem que na Roma Antiga, imperadores como Adriano, Tibério, Calígula e Nero tiveram seus amantes masculinos e praticaram pedofilia.

A palavra "pedófilo" é um composto recente do substantivo pais (criança) e do verbo phileo (amar). Com essa base, são encontrados dois substantivos em grego antigo: paidophilos e paidophilès. A pedofilia grega é o amor homossexual e pedagógico de um homem maduro por um menino impúbere Binard & Clouard, (1997 apud LANDINI, 2008).

A humanidade desde seus primórdios tem oferecido tratamentos diferenciados à criança de acordo com o seu contexto histórico e sua evolução Já, em seus primórdios, os homens praticavam várias formas de violência à criança, "desde os egípcios e mesopotâmios, além pelos romanos e gregos, até os povos medievais e europeus, não se considerava a infância como merecedora de proteção especial" Andrade, (2000, p. 2), apud Azambuja (2009) muitas vezes contando com o beneplácito da própria legislação e da cultura dominante.

Nos primórdios da civilização humana as crianças eram vistas como adultas em miniaturas, esse fato favorecia a serem tratadas como adultos, diferenciando dos demais apenas pelo tamanho e pela força que era menor. Por essa razão o ato sexual entre um adulto e uma criança era considerado natural, assim como as diversas formas de violência praticada contra elas (ARIÉS, 1981).

De acordo com Azambuja (2008, p. 2):

No Brasil, a situação da criança não foi diferente. Contam os historiadores que as primeiras embarcações que Portugal lançou ao mar, mesmo antes do descobrimento, foram povoadas com as crianças órfãs do rei. Nas embarcações vinham apenas homens e as crianças recebiam a incumbência de prestar serviços na viagem, que era longa e trabalhosa, além de se submeter aos abusos sexuais praticados pelos marujos rudes e violentos. Em caso de tempestade, era a primeira carga a ser lançada ao mar.

Os abusos sexuais que as mesmas passavam era tradicionais em vários períodos da história da humanidade, (ARIÉS, 1981) defende ainda que o imperador Tibério levou para a ilha de Capri uma quantidade significativa de crianças para satisfazer seus desejos sexuais.

Essa prática comum na Roma Antiga, hoje é criticada e combatida veemente pelas sociedades em diversos locais do mundo, pois as atrocidades cometidas já não são aceitas, uma vez que a criança hoje não é vista apenas pela perspectiva de um adulto em miniatura como era vista anteriormente.

O Imperador Adriano tinha freqüentes atos sexuais com meninos e adultos também e por ser considerado passivo, adotou uma lei que todo homem da sociedade que fosse passivo deveria ser considerado como ilegal, só seria considerado digno de passivo, escravos, mulheres e crianças (ARIÉS, 1981).

Adriano considerado um grande imperador fazia as mesmas práticas sexuais das quais seus ancestrais praticavam, uma vez que era considerado normal e aceito na sociedade romana de sua época, porém de acordo com as novas visões de mundo de cada imperador novas leis eram instituídas, assim o mesmo colocou como sendo normal o ato sexual do ativo, sendo que o passivo passou a ser considerado ilegal, pois ele não o era, ou não gostaria que seus súditos soubessem que era passivo e por isso instituiu leis, por acreditar que ser o parceiro passivo não era digno de ser chamado de parceiro.

Voltando mais no tempo e ainda na Grécia Antiga era comum que as crianças fossem educadas por um tutor ou cuidador, estes por sua vez, era um admirador e poderia ter um amante e instigar os alunos a terem relações sexuais com homens. O casamento era apenas uma formalidade para a sociedade (LAMBERT, 1990).

Os amantes tinham idade entre 20 e 40 anos, mas era comum ainda crianças de 4 a 5 anos que eram aliciadas para atender aos desejos sexuais de adultos. Essas crianças não tinham direitos civis, e eram tratadas apenas como objeto destinado a oferecer prazer aos que as possuíssem (LAMBERT, 1990).

O que se percebe é que diferentes culturas tiveram diferentes formas de interpretar as relações entre crianças e adultos, enquanto em tempos áureos os romanos acreditavam ser normal essa relação, assim como o incesto e as demais formas de relacionar que hoje são denominadas de parafilias. As culturas atuais em diferentes pontos do planeta são menos tolerantes em relação aos abusos sexuais, embora ainda seja freqüente em diversos pontos do planeta.

A reflexão sobre na noção de cultura se aprofundou a partir de estudos dos princípios culturais. As pesquisas sobre o processo de aculturamento são os fatores que mostram a concepção que os pesquisadores tinham de cultura. A partir dos estudos uma nova metodologia se mostra, pois não se trata mais de compreender a cultura para só então compreender o que vem a ser o aculturamento, a partir de agora se passa a tentar entender o que vem a ser aculturação para entender o que é cultura.

O processo que toda cultura sofre em situação de contato cultural pode ser considerado como sendo um processo de desestruturação e depois de reestruturação, assim é a realidade, ou seja, a cultura está em constante mutação e construção, assim o correto seria chamar cultura de culturação devido ao seu processo constante de construção e dinamismo de sua relação construtiva.

CONSIDERAÇÕES FINAIS

Ao se terminar este estudo se percebe que o seu objetivo foi atingido com sucesso, uma vez que foi possível diagnosticar quais são as relações da sexualidade com a cultura e as diferentes formas de entendimento destas. Verificou-se também que: os meios de comunicação, que hoje bombardeiam com programas de baixa qualidade, músicas erotizantes e danças de igual quilate, são hoje um grande impasse na educação de meninos e meninas. Como evitar que a criança seja vítima desta superexposição inadequada do sexo e que assim se sexualize precocemente? O mais importante, atualmente, é que os pais tenham claro o tipo de orientação que desejam para seus filhos, e que lhes ofereçam outras opções de entretenimento. Buscar programas interessantes que estejam de acordo com a sua faixa etária, comprar discos infantis e roupas que estejam de acordo com sua idade são medidas que, se não evitam de todo, uma vez que a criança vive entre outras, ajudam a formar uma educação sexual mais adequada, garantindo-lhes no mínimo maior proteção.

É preciso ainda que os pais fiquem atentos às mensagens contraditórias: estimular excessivamente as crianças no sentido do amadurecimento precoce, "queimando etapas", pode ser perigoso, pois elas podem perder o interesse por brincadeiras infantis, passando a imitar comportamentos adequados a "mocinhas e rapazinhos", o que inclui invariavelmente seus aspectos sexuais.

REFERÊNCIAS

ARIÉS, P. História social da criança e da família. LTC, Rio de Janeiro. 2004.

AZAMBUJA. M. R. Violência sexual intrafamiliar: é possível proteger a criança? Revista Virtual Textos & Contextos, nº 5, nov. 2006. Disponivel em: http://revistaseletronicas.pucrs.br/ojs/index.php/fass/article/viewFile/1022/802 Último acesso em 4 de Julho de 2009.

BRITO Ricardo. ESCOSTEGUY Diego, Quando começa a vida? Revista Veja, São Paulo, edição 2005 – ano 40 – n0 16. p. 55 - 56 Abril de 2007.

CANO, Maria Aparecida. FERRIANE, Maria das Graças e GOMES. Romeu. Sexualidade na adolescência, disponível em: http://www.scielo.br/scielo.php?script=sci_arttext&pid=S0104-11692000000200004. Ultimo acesso em 2 de julho de 2009.

FREUD, S. As neuropsicoses de defesa. Rio de Janeiro: Imago. (Edição Standard Brasileira das Obras Psicológicas Completas de Sigmund Freud). 1996.

FOUCAULT, Michel. História da sexualidade: o uso dos prazeres. 10. ed. V.2 São Paulo: Graal, 2003.

GIL, A. C. Como elaborar um projeto de pesquisa. 3. ed. Atlas. São Paulo, 1991.

Ao usar este artigo, faça referência, cite a FONTE:
http://www.webartigos.com/articles/26216/1/A-SEXUALIDADE-E-O-DESENVOLVIMENTO-CULTURAL/pagina1.html



2 comentários:

  1. Que merda de compilação, hein? Muito mal feita...

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  2. ue bom que me lembrou desta coletânea...vou usar nas aulas...bacanérrimovocê... Vá passear na orla e veja se estou lá.

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