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segunda-feira, 21 de junho de 2010

O que é a vulgaridade? Como sair da vulgaridade?

Reflita sobre as ideias apresentadas no texto a seguir e desenvolva uma dissertação em prosa.
“Se for ao parlamento, posso ocupar a tribuna?
- Podes e deves; é um modo de convocar a atenção pública. Quanto à matéria dos discursos, tens à escolha: - ou os negócios miúdos, ou a metafísica política, mas prefere a metafísica.
Os negócios miúdos, força é confessá-lo, não desdizem daquela chateza de bom-tom, própria de um medalhão acabado; mas, se puderes, adota a metafísica; - é mais fácil e mais atraente. Supõe que desejas saber por que motivo a 7ª companhia de infantaria foi transferida de Uruguaiana para Canguçu; serás ouvido tão-somente pelo ministro da guerra, que te explicará em dez minutos as razões desse ato. Não assim a metafísica. Um discurso de metafísica política apaixona naturalmente os partidos e o público, chama os apartes e as respostas. E depois não obriga a pensar e descobrir. Nesse ramo dos conhecimentos humanos tudo está achado, formulado, rotulado, encaixotado; é só prover os alforjes da memória. Em todo caso, não transcendas nunca os limites de uma invejável vulgaridade.”
(Teoria do Medalhão, de Machado de Assis)
Conforme indicado nas folhas de rascunho e de redação, utilize o próprio tema como título de sua dissertação.
Tema/Título: Transcendendo os limites da vulgaridade

TEXTOS PARA APOIO

O Amor Vulgar

Pinta-se o Amor sempre menino, porque ainda que passe dos sete anos, como o de Jacob, nunca chega à idade de uso de razão. Usar de razão, e amar, são duas coisas que não se juntam. A alma de um menino, que vem a ser? Uma vontade com afectos, e um entendimento sem uso. Tal é o amor vulgar. Tudo conquista o amor, quando conquista uma alma; porém o primeiro rendido é o entendimento. Ninguém teve a vontade febricitante, que não tivesse o entendimento frenético. O amor deixará de variar, se for firme, mas não deixará de tresvariar, se é amor. Nunca o fogo abrasou a vontade, que o fumo não cegasse o entendimento. Nunca houve enfermidade no coração, que não houvesse fraqueza no juízo. Por isso os mesmos Pintores do Amor lhe vendaram os olhos. E como o primeiro efeito, ou a última disposição do amor, é cegar o entendimento, daqui vem, que isto que vulgarmente se chama amor, tem mais partes de ignorância: e quantas partes tem de ignorância, tantas lhe faltam de amor. Quem ama, porque conhece, é amante; quem ama, porque ignora, é néscio. Assim como a ignorância na ofensa diminui o delito, assim no amor diminui o merecimento. Quem, ignorando, ofendeu, em rigor não é delinquente; quem, ignorando, amou, em rigor não é amante.

Padre António Vieira, in "Sermões"

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Incentivo à construção da Cultura ou Reforço da Mediocridade

Com a tecnologia crescente na mídia, os meios de comunicação trazem de maneira quase que instantânea as infolrações no mundo afora.

As informações se tornam como faca de dois gumes, visto que podem ajudar ou que podem prejudicar, com a qualidade do conteúdo destas para a vida das pessoas, principalmente das crianças que não têm formado o senso crítico.

As programações das Tvs, apresentam informações, muitas delas contraditórias e, tantas outras opositoras ao bom costume e respeito aos princípios éticos e morais, que são base de formação de um relacionamento adequado na sociedade.

Muitos programas incentivam à camuflagem, mentiras, trapaças, traições, violências e agressões, vulgarizando a cultura e a educação.

Os pais são responsáveis pelo tipo de programação que seus filhos acompanham pela TV. Eles devem limitar o tipo de conteúdo que seus filhos recebem pela mída.

Somente os pais têm o poder para selecionar o que seus filhos podem receber, como informação em sua casa.Esta informaçãodeve servir para a construção do saber e, a ssim possibilitar a boa formação das crianças.

Enquanto muitos produtores empregam seu tempo na desqualificação da boa educação, acreditando que a popularidade se confunde com a mediocridade, as famílias se tornam vítimas destes algozes.

No momento em que os pais acreditarem na força que têm, enquanto selecionadores, os conteúdos da programação de TV, jornais, revistas,internet, tendem a mudar, buscando a adaptação para a melhoria da qualidade das atuais informações.

A qualidade de informação responde à exigência feita por quem prestigia o propgrama, ou a leitura. Na medida que as crianças alcançarem a intenção do produtor de tais informações, através dos pais, estarão livres de receber o lixo no lugar do luxo.

Os pais podem exigir a melhoria da qualidade de informações para as crianças,exigindo a exibição de programas com conteúdo edificante e inteligente.

Mais que edificante, devem ser intencionados a construir e possiblitar a construção e solidificação de um bom caráter, através da comunicação lúcisa e saudável para a sociedade.

A comunicação saudável, permitirá também a melhoria das relações dos grupos privados e públicos, pelos quais as crianças devem conviver em todas as etapas de sua vida.


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A Vulgaridade Intelectual

Hoje, (...) o homem médio tem as «ideias» mais taxativas sobre quanto acontece e deve acontecer no universo. Por isso perdeu o uso da audição. Para quê ouvir, se já tem dentro de si o que necessita? Já não é época de ouvir, mas, pelo contrário, de julgar, de sentenciar, de decidir. Não há questão de vida pública em que não intervenha, cego e surdo como é, impondo as suas «opiniões».
Mas não é isto uma vantagem? Não representa um progresso enorme que as massas tenham «ideias», quer dizer, que sejam cultas? De maneira alguma. As «ideias» deste homem médio não são autenticamente ideias, nem a sua posse é cultura. A ideia é um xeque-mate à verdade. Quem queira ter ideias necessita antes de dispor-se a querer a verdade, e aceitar as regras do jogo que ela imponha. Não vale falar de ideias ou opiniões onde não se admite uma instância que as regula, uma série de normas às quais na discussão cabe apelar. Estas normas são os princípios da cultura. Não me importa quais são. O que digo é que não há cultura onde não há normas. A que os nossos próximos possam recorrer.

Não há cultura onde não há princípios de legalidade civil a que apelar. Não há cultura onde não há acatamento de certas últimas posições intelectuais a que referir-se na disputa. Não há cultura quando as relações económicas não são presididas por um regime de tráfico sob o qual possam amparar-se. Não há cultura onde as polémicas estéticas não reconhecem a necessidade de justificar a obra de arte.
Quando faltam todas essas coisas, não há cultura; há, no sentido mais estrito da palavra, barbárie. E isto é, não tenhamos ilusões, o que começa a haver na Europa sob a progressiva rebelião das massas. O viajante que chega a um país bárbaro, sabe que naquele território não regem princípios aos quais possa recorrer. Não há normas bárbaras propriamente ditas, a barbárie é ausência de norma e de possível apelação.

Ortega y Gasset, in 'A Rebelião das Massas'
Publicado por pns em dezembro 28, 2004 04:11 PM
Comentários
Pior atitude do que a manifestada pela insipiente rebelião das massas será certamente a atitude daqueles que conhecendo as normas da cultura, as negligenciam em favor de interesses pessoais e contra a tão impreterível cultura! Esses que se servem por exemplo dos "Reality Shows" são a prova viva de que a desumanidade (barbaridade) existe. Zelar pelo bem da humanidade é pois um dever que assite a todos e a cada um de nós e que se garante nas pequenas grandes coisas do dia-a-dia.
Afixado por: Virgílio M. S. Silva em dezembro 29, 2004 12:18 
Comentários 
Ortega y Gasset pousa em agradável altercamento sobre o seu método crítico de observar a cultura.
Um ideal é predefinido. Ou se é capitalista, socia lista, feminista, anarquista, ou nada mais. Ás vezes certos ideais se mesclam como o comunismo ao socia lismo no século XX. Sair dos ideais é sair da sociedade. Deve ser feita a escolha, a escolha representada pela sua "liberdade". Se seguir uma linhagem de pouca abrangência, protestará sozinho e sofrerá injúrias tremendas, sendo tachado de louco. Se reforçadas com seres humanos, o grupo far-se-á forte, com grandes pretensões de invalidar o seu oponente, passando por todas aquelas idéias menores e se tornando único.
A possibilidade de que ideiais puristas sejam deturpados quando engrandecidos em politicagem(poder) são imensas.
E chamar ideais impregnados de intelectualidade, é ser muito vulgar. Concordo plenamente com a revolta do Sr. Ortega y Gasset.

Afixado por: Phil em dezembro 30, 2004 06:56 PM
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3 comentários:

  1. vvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvvv

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  2. Gizelda

    Não entendi.

    Não gostou da coletânea? É coisa que faço para meus alunos, aqui, em casa,dou aula particulares há vinte anos. Não tenho grandes pretensões na vida.

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  3. Rose...

    Desculpe-me...só , hoje, retomando essa proposta e criando uma releitura cai no seu blog de novo e vi isso. Não sei o que ocorreu com meu comentário. Gostei, sim. Acho o tema pertinente e vc conseguiu coletar bons textos de apoio.

    E, como vc, também não tenho pretensões de grandeza. Só trabalhar ideias e textos com alunos em salas de cursinhos e também os particulares

    Mais uma vez, desculpe-me. Não posso entender o que aconteceu aí.Seja lá o que for , deu uma ideia de grosseria que, acredite, não cometo em situação alguma.Ainda mais gratuita.

    Um abraço.

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