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terça-feira, 22 de junho de 2010

O Marketing/ futebol

Escreva uma dissertação posicionando-se sobre a presença do marketing no esporte, aliás, mais especificamente, no futebol. 

Frequento arquibancada há 30 anos, aproximadamente. Pude acompanhar in loco a transição do que se convencionou chamar de "profissionalização do futebol". Hoje, os especialistas afirmam cheios de autoridade: O clube que não se profissionalizar está sentenciado ao fracasso absoluto. Esses arautos do futebol moderno definem a "profissionalização" como medidas que, tais como uma empresa, permitam a viabilização financeira dos clubes. A valorização das categorias de base (o jogador de futebol é a principal mercadoria de um clube), transformação do departamento de futebol em empresa e as ações de marketing, como, por exemplo, fazer do jogo de futebol um show, venda antecipada de ingressos, assentos cobertos para todos os torcedores etc, são as medidas que transformariam um clube fracassado em um clube vencedor.

Vamos por parte. Que um clube, uma empresa, um trabalhador só podem gastar o que ganham, todos sabemos. Gasta menos do que ganha = superávit. Gasta mais do que ganha=déficit. Aula de matemética do 2º ano fundamental. Como ganhar mais então? As fontes de renda de um clube são: Venda de jogadores, patrocinadores/parceiros, bilheterias, quadro de sócios e comercialização de produtos com a marca do clube. Exatamente como pregam os manuais dos especialistas de marketing esportivo. O que não se explica é como o futebol sobreviveu por mais de cem anos sem essas idéias salvadoras.

Nas minhas lembranças, tenho gravados vários domingos de Maracanã lotado, sem venda antecipada de ingresso. A gente chegava mais cedo, comprava o ingresso, assistia a preliminar, comia um cachorro-quente geneal e depois assistia ao jogo principal. Não havia animadores de torcida nem shows no intervalo. Não havia também sorteio de brindes nem ninguém me recepcionando na entrada das arquibancadas, a não ser a revista da polícia, é claro. E, por incrível que pareça, ninguém se sentia lesado ou achando que o ingresso tinha saído caro. Em campo desfilavam craques, e o único show que assistíamos era o realmente importante: Uma partida de futebol. A gente pagava por isso e era isso que a gente tinha. E como tinha. Estádios lotados, craques em campo, torcedor satisfeito. Trilogia comum na época do "amadorismo", tão desajada hoje, nos tempos do "futebol profissional".

Não sou um romântico incurável, nem saudosista. Só não quero ser manipulado por um discurso vazio, cheio de arrogância desses caras que parecem saber tudo. A maioria deles nunca chutou uma bola na vida. Vejo alguns cronistas na televisão e dirigentes de futebol e fico imaginando o "figura" jogando uma pelada na rua com uma bola dente-de-leite. Descalço. Não, não combina. É patente a total falta de intimidade com a bola. E esses sujeitos, enfunados, discutem táticas, lances e soluções para o futebol, como se do futebol fossem íntimos.
O marketing é uma realidade no futebol. Já era. Que seja feito, então, por pessoas que entendam verdadeiramente a essência e a alma do futebol. Os que não entendem e querem opinar, sejam mais humildes.

Curtas
O Fábio Fernandes é um cracaço da publicidade e vascaíno, adjetivo que eleva muito seu conceito. Torço pra que ele saiba captar essa essência de que falei. Ainda mais, que saiba entender verdadeiramente o que é ser vascaíno, que é ainda mais do que ser torcedor.

Como bom publicitário que é, Fábio Fernandes deve solicitar uma série de pesquisas e estudos acerca do universo do futebol. Algumas dessas pesquisas devem desmentir resultados divulgados pela imprensa mulamba. Isso, por si só, já justifica o cara na Vice-Presidencia de marketing do VASCO. Vem muita coisas boa por aí....

SAUDAÇÕES VASCAÍNAS !!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!!

...............
As vezes poder aproximar o Marketing de esportes pode não parecer resultar em algo muito bom, mas Alexandre Las Casas (em seu livro Jogada de Marketing - Aplicando as Táticas do Futebol à Gestão Empresarial; Editora Saraiva; 2ª edição 2006) conseguiu visualizar como o futebol é composto por regras que podem ser usadas em Marketing, são explanações realizadas com muita pesquisa e que demonstram o quanto trabalha-se com Marketing no dia-a-dia e como o próprio Marketing faz parte da vida de todos.
Las Casas percebeu que algumas regras de futebol comportam-se como o mercado, utilizar-se de estratégias é vital e saber como atingir os objetivos traçados no planejamento pode influenciar positivamente o profissional de Marketing a ter flexibilidade sem perder seu foco.
Algumas das regras são:

  • Sem campo não há jogo: obviamente todos sabem que em um jogo de futebol o campo é um dos pontos que determinam o local de jogo, dão as dimensões as quais os jogadores estão inseridos e limitam as ações dentro de suas 4 linhas básicas. Ao trazer o campo para o Marketing tem-se o mercado, um Segmento de mercado ou um nicho, onde é preciso limitar seu raio (campo) de atuação, pois não há como atingir todo o mercado e todos os públicos disponíveis;
  • A necessidade da bola: sem uma bola não existe possibilidade de jogar. Para chegar até a mente do consumidor deve-se ter um bom produto, comparando-o com a bola, percebe-se que sem um produto adaptado ou feito para os consumidores certos não há como chegar em seus objetivos dentro do mercado;
  • Nenhum time pode jogar sem goleiro: um jogo pode até iniciar-se com um uma equipe incompleta, mas o goleiro é vital. Saber posicionar corretamente os profissionais é vital para o sucesso da empresa e seus produtos, cabe ao gerente conhecer sua equipe e selecionar o melhor profissional para exercer a função correta, então o gerente assemelha-se com um goleiro, muito importante para o Posicionamento da equipe e gerenciando o jogo com a colaboração dos demais;
  • O jogador pode atuar com sapatos comuns: em um campo os calçados devem ser iguais para todos os jogadores, até mesmo a sua ausência é permitida. As regras são comuns a todas as organizações, a forma de atuar no mercado é regida por ética e respeito ao consumidor;
  • Deve haver um árbitro em todos os jogos: sempre há no futebol um árbitro que visa cumprir e fazer-se cumprir as regras do jogo. No mercado existem órgãos que irão determinar o que é ou não possível para uma organização fazer, como exemplo pode ser citado o Código de Defesa do Consumidor;
  • Árbitros assistentes podem ser expulsos: quando os assistentes não cumprem suas funções corretamente ou há algum imprevisto, podem ser trocadas. Na empresa os profissionais devem exercer suas funções corretamente, quando isto não ocorre ou o desempenho é menor do que o esperado pode-se optar por trocá-los ou substituí-los;
  • Gol feito na saída do jogo é válido: caso o jogador chute a bola diretamente na saída do jogo, seu gol é validado, pois o primeiro movimento do jogo é o ataque. No Marketing procura-se pegar seus concorrentes de surpresa, sair na frente no mercado é importante e traz benefícios a organização e aos profissionais de Marketing que elaboram estratégias que podem dar esta vantagem sobre os demais concorrentes no mercado;
  • Quando a bola está em jogo: qual é o limite que define quando a bola saiu do campo, seja pela lateral ou linha de fundo. O mercado exige que as empresas comportem-se e coloquem seus produtos adequadamente, o consumidor será atingido somente quando o produto estiver muito bem posicionado e fixado dentro do mercado pré-definido;
  • Os gols: neste ponto pode-se trabalhar para que os adversários não façam os gols, com um posicionamento bem feito da zaga e com um bom goleiro, ou então atacar e fazer com que o time marque primeiro. O objetivo das organizações é o sucesso, dar ao consumidor um produto que esteja em sua mente e que torne-se uma referência em compras futuras, com um bom produtos pode-se "marcar muitos gols" no mercado e impedir com seu goleiro e zaga (gerente e demais profissionais da equipe) que os mesmo concorrentes façam os gols antes da sua organização.
O mercado é um campo a ser estudado constantemente pelo profissional de Marketing, suas estratégias devem ser muito bem elaboradas e tornarem-se diferenciais perceptíveis para os consumidores, trazendo com isso a fidelização de consumidores e o sucesso da organização no mercado diante da concorrência, bem diferente dos marqueteiros que nem sabem onde estão no mercado. 

O futebol é o esporte que mais move multidões no País, e, quiçá, no mundo. Nenhum outro esporte mobiliza tantos telespectadores como o futebol por mexer com a paixão do torcedor. Para tanto, manter um time de futebol profissional competitivo deveria ser, acima de qualquer coisa, um motivo de orgulho para uma cidade que tenha como objetivo despertar interesses de investidores de outras regiões. E o futebol é, sem dúvida, uma excelente ferramenta que pode ser usada por empresas para divulgarem suas marcas. E, para o município, manter um clube competitivo na elite do futebol é garantir status, representatividade política e respeito do povo.

Antônio Afif, no livro “A bola da vez - o marketing esportivo como estratégia de sucesso”, explica que marketing esportivo é uma das estratégias que utilizam o esporte para atingir metas. Afif diz que o marketing esportivo “cai como uma luva”, pois é o momento em que se pode atingir o espectador (consumidor) em seu momento de lazer, quando está aberto à mensagem da empresa. Além das vendas, a estratégia de associar a empresa ao esporte gera o rejuvenescimento da marca, devido a força do esporte entre os jovens. O fato de inserir uma marca na camisa de uma equipe cria uma relação de cumplicidade da empresa com a performance esportiva, recebendo a credibilidade obtida pelos atletas e, com o bom desempenho do time ou dos atletas.

Infelizmente, em Jaraguá, parece que há uma política contrária a tudo isso. É preciso que se entenda que o futebol profissional, representado pelo Juventus, pode ser um produto muito rentável que os setores público e privado têm nas mãos. É um negócio no qual todos saem ganhando; a população com mais uma opção de lazer; o comércio, rede hoteleira, restaurantes e lanchonetes ou seja, haveria um retorno financeiro garantido para a cidade também.

http://www.clicrbs.com.br/anoticia/jsp/default2.jsp?uf=1&local=1&source=a2257224.xml&template=4187.dwt&edition=10946&section=1192

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