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terça-feira, 22 de junho de 2010

O marketing inventa necessidades?

O marketing cria ou satisfaz necessidades junto aos clientes?

OU SOMOS TOLOS OU O MARKETING PERDEU O SENSO DO RIDÍCULO
Afinal, o marketing cria ou satisfaz necessidades? Essa é uma pergunta clássica que todo iniciante de curso de marketing deve responder. As respostas prováveis são: o marketing cria necessidade de consumo e o marketing somente desperta desejos latentes. A dificuldade que tenho em me situar em qualquer extremo me faz lembrar de Aristóteles e pensar que a virtude está no centro. É certo que temos desejos inconscientes, a psicanálise que o diga, mas também o é que grande parte do que consumimos não passa pela instância do desejo. Nesse sentido, o marketing cumpre muito bem o seu papel de criador de falsas necessidades. Fique claro, desde já, que há uma grande diferença entre desejo e necessidade.

Escrevi tudo isso para convidá-los à reflexão sobre a propaganda de uma marca de cerveja que tem como protagonista Ronaldo “Fenômeno”, jogador de futebol três vezes eleito o melhor do mundo pela FIFA e três vezes acometido de graves lesões no joelho. É inegável a capacidade de recuperação do Fenômeno. Mereceu até canção do Rappa e tudo mais, mas vincular a capacidade de recuperação do outrora maior jogador do mundo à marca de cerveja que ele bebe beira o ridículo.

O marketing já fez muito fumante acreditar que era um sucesso por causa do hollywoodiano baforar da fumaça fétida de um cigarro. Outros pensam que o seu creme dental lhes fará sentir o gosto da vitória, ah! Eta sorriso maroto! A associação entre o quase decadente jogador de futebol corintiano e a bebida é, no mínimo, de péssimo gosto. Cerveja engorda e dá barriga. Será por isso que o Fenômeno topou fazer a propaganda? Afinal a sua barriga nada atlética o denuncia.

O lamentável, a meu ver, em tudo isso, é que essa propaganda vai na contramão de todo esforço empreendido pelo Ministro da Saúde José Gomes Temporão, em sua cruzada solitária, para proibir a propaganda de bebida alcoólica de gradação abaixo de 13° GL (Gay-Lussac). O lobby das cervejarias foi mais forte e essas escaparam da Lei 9.294/96, a mesma lei que proíbe a propaganda de cigarros (...)

Hoje a conversa é sobre um assunto recorrente e importante: o marketing cria necessidades ou desejos?
Esta pergunta vem acompanhada, em muitos casos, de uma frase que diz:
"O marketing vive empurrando 'coisas' que as pessoas não necessitam."
Ou ainda:
"O marketing é responsável pelo consumismo que paira sobre a nossa sociedade."
Vamos começar com uma pergunta:
- "Por que alguém compra um relógio que suporta até 100m de profundidade?"

Somente mergulhadores profissionais podem chegar a esta profundidade. O mergulho recreacional chega ao máximo de 40m. E, com certeza, o número de pessoas que possuem relógios que agüentam profundidades maiores do que 40m é maior, muito maior do que o número de profissionais de mergulho que necessitam de tal relógio.
Vamos fazer uma distinção, aqui neste texto, não muito usual, mas perfeitamente possível, pelo significado destas palavras:
1. Necessidades: tudo o que é necessário para a manutenção da nossa vida: comida, bebida, sexo, abrigo, sono, etc.
2. Desejos: tudo aquilo que queremos, mas não é necessário à manutenção da nossa vida.
Portanto, o relógio que suporta profundidades de 150m, para os que não são mergulhadores profissionais, é um desejo, não uma necessidade. Esse desejo, dentro da hierarquia das necessidades de Maslow, estaria nas necessidades de "status" ou auto-estima.
Devemos nos lembrar que o que move este mundo, esta nossa sociedade, são as necessidades e os desejos. Todos, e cada um de nós estamos atrás da satisfação de nossas necessidades e de nossos desejos, não é mesmo?
Um fato importante é que não devemos julgar ou valorar as necessidades e desejos dos outros, baseados em nossas necessidades, desejos ou valores. Cada um de nós é juiz de nossas próprias e únicas necessidades, desejos e valores.
Indo adiante neste raciocínio podemos dizer que matar a sede com água é uma necessidade, já substituir a água por um refrigerante é um desejo.
Qual caneta você usa? BIC, Lamy ou MontBlanc?
Você pode falar que estamos em uma cultura de consumo, etc. e tal. Concordo. As pessoas compram coisas que não necessitam, para satisfazer desejos. O ser humano, você e eu, somos assim!
Por que alguém compra um automóvel Mercedes? Quando saímos dos fatores higiênicos do Maslow (necessidades do corpo e necessidades de segurança) começa o império do desejo (necessidades sociais, de "status" e de auto-realização).
As diversas escolhas que cada um de nós fazemos, ao longo do dia, é extremamente dependente do nosso estado de espírito e de nosso posicionamento dentro da hierarquia das necessidades de Maslow.
Um dos meus gurus, Alan Weiss, tem uma frase importantíssima para consultores, profissionais liberais, empreendedores, e profissionais do conhecimento em geral:
"A lógica serve para pensar, a emoção serve para agir."
Toda escolha que fazemos é, necessariamente, uma escolha emocional.
Se você está lendo este texto até aqui, com certeza, você está situado na parte superior da pirâmide de Maslow.
Eu recomendo a você a leitura complementar dos seguintes artigos:
Quando o fabricante de relógios ficou apto a confeccionar relógios que funcionam a 150m de profundidade, ao invés de vendê-los somente para o segmento restrito dos mergulhadores profissionais, lançou no mercado esse relógio para aqueles que querem ter certeza de que, ao lavar as mãos, o relógio não danifica. Este diferencial foi buscado por diversos segmentos do mercado, diferente do segmento dos mergulhadores profissionais.
O marketing não criou a necessidade, pois a maioria das pessoas não necessita de um relógio que funcione a 150m.
O marketing explora o desejo atávico do ser humano. Desejo de auto-realização, desejo de se diferenciar, desejo de se identificar, desejo de pertencer a esta ou aquela "tribo".
O marketing disponibiliza no mercado, já o desejo é característica de cada indivíduo.
O ser humano, cada um de nós, escolhe: comprar ou não. A decisão é individual e solitária!
Talvez em uma sociedade diferente, ou na evolução desta, ou por formação diferente, quando grande parte da população tiver informação, o consumismo diminua, mas vemos impossível terminar com as escolhas que cada um de nós fazemos para satisfazer os nossos desejos.
O que nos realiza, o que nos faz pertencer a esta ou aquela "tribo", o que nos identifica, o que nos diferencia, o desejo de cada um de nós rege e determina a nossa individualidade, as nossas infinitas escolhas.
Você mata a fome com arroz, feijão e ovo frito, mas o que você vai comer, hoje, no almoço?
A sua empresa sabe qual a necessidade, dentro da hierarquia das necessidades de Maslow, ela atende, satisfaz? Ela procura a melhoria contínua dentro desta hierarquia. Caso você ou sua empresa queiram mais detalhes para atender de forma consistente os desejos e necessidades dos seus clientes, entre já em contato conosco:
calfaria@merkatus.com.br

6 comentários:

  1. é muito ruim ver pessoas que não entendem nada de marketing acharem que sabe alguma coisa..
    vc não entende de nada, é mais um imbecil que só fala merda sobre o marketing..

    é lamentavel ver ( ler ) uma coisa desse nivel..
    O marketing cria ou satisfaz necessidades junto aos clientes?
    OU SOMOS TOLOS OU O MARKETING PERDEU O SENSO DO RIDÍCULO


    na verdade, são TOLOS, porque nao sabem de nada sobre o marketing..

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  2. Caro

    Os textos não são meus. Eu apenas fiz uma colet^tanea com eles...se quiser escreva um texto e mande que coloco na coletânea.

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  3. texto excelente, adorei faz-nos refletir sobre o que realmente necessitamos e o que desejamos> Bom para ser trabalhado com nossos adolescentes

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  4. texto excelente, faz-nos refletir sobre o que realmente precisamos e o que necessitamos. Muito bom para ser trabalhado com alunos adolescentes que são fortemente influenciados pelas mídias.

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  5. texto excelente, adorei faz-nos refletir sobre o que realmente necessitamos e o que desejamos> Bom para ser trabalhado com nossos adolescentes

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