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domingo, 6 de junho de 2010

O drama de Brian Wilson

http://www2.uol.com.br/vivermente/reportagens/o_drama_de_brian_wilson.html
Ascensão, queda e retorno do líder dos Beach Boys mostram a importância das funções executivas do cérebro para a criatividade.
por Brian Levine

Músico brilhante, compositor e arranjador, suas habilidades cognitivas foram arruinadas pelo distúrbio esquizoafetivo
O que diferencia o mero talento do gênio criativo? Ninguém sabe ao certo.
Sabemos, no entanto, que muitas obras-primas da arte e grandes descobertas científicas partiram de homens e mulheres na faixa dos 20 anos - idade suficiente para a aquisição de habilidades técnicas, mas não de vícios típicos das gerações mais velhas. Estudos indicam que pessoas muito criativas estão mais sujeitas a certas doenças mentais graves. Em alguns casos, os distúrbios contribuem para a realização de feitos notáveis, ainda que, posteriormente, possam arruinar a vida dos autores.

Talvez nenhuma outra história exemplifique melhor como uma doença mental pode estimular a criatividade, e depois acabar com ela, que a de Brian Wilson, o líder da banda Beach Boys.

Aos 22 anos, ele já havia renovado a música folk e alcançado enorme sucesso junto com os Beach Boys. Dezesseis canções da banda estiveram nas paradas americanas entre 1962 e 1965, como Surfin\\' USA, Little deuce coupe e I get around. Arranjador, produtor e principal compositor do grupo, Brian Wilson marcou sua geração com o lançamento de Pet Sounds, em 1966. Considerado um divisor de águas da música pop moderna, esse álbum introduziu novas técnicas de estúdio, temas introspectivos e estruturas harmônicas e rítmicas complexas baseadas no jazz e na música clássica. Para o célebre maestro e compositor Leonard Bernstein, Wilson é um dos maiores compositores do século XX. Segundo Paul McCartney, Pet Sounds foi a principal influência de Sgt. Pepper\\'s Lonely Hearts Club Band, o histórico álbum dos Beatles, de 1967.

Infelizmente, não tardou muito para que a importância do trabalho de Wilson fosse ofuscada por seus problemas mentais. Aos 20 e poucos anos - idade em que muitos distúrbios psiquiátricos se manifestam -, ele começou a ter dificuldades no relacionamento social, depressão, paranóia, que logo evoluíram para alucinações. O quadro progrediu durante a década seguinte e por muitos anos ele foi incapaz de se comportar como membro comum da sociedade, muito menos como bem-sucedido produtor musical.
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Brian Levine é pesquisador do Centro de Cuidados Geriátricos Baycrest do Instituto de Pesquisa Rotman, em Toronto, e professor associado de psicologia e neurologia da Universidade de Toronto. Músico amador, é fã de Brian Wilson.

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