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terça-feira, 1 de junho de 2010

Analise o fato, escrevendo uma dissertação

PROPOSTA: ESCREVA UMA DISSERTAÇÃO NA QUAL VOCÊ PROPONHA UMA SOLUÇÃO PARA O GRAVE PROBLEMA DOS SE-TETO

Moradores querem proibir doar comida para sem-teto
Campanha para expulsar pedintes da Santa Cecília pressiona restaurantes
Estratégia do conselho de segurança do bairro é ameaçar quem doa alimento com visita da Vigilância Sanitária
Adriano Vizoni/Folhapress
Homem dorme em frente à igreja do largo de Santa Cecília


AFONSO BENITES
DE SÃO PAULO

Moradores e comerciantes de Santa Cecília (centro de São Paulo) traçaram uma estratégia para expulsar os moradores de rua do bairro: farão uma ofensiva para que ONGs e restaurantes parem de doar comida a pedintes.
Segundo o último censo de sem-teto da cidade, divulgado ontem, há 1.334 moradores de rua e frequentadores de albergues nesse distrito.
Quem vive na região diz que esse número aumenta a cada dia devido à repressão ao tráfico na área da cracolândia, na mesma região.
A restrição de doações aos sem-teto foi planejada em reunião do Conseg (Conselho Comunitário de Segurança) na última semana, que foi acompanhada pela Folha.
Entre os participantes da reunião, estavam representantes de moradores, comerciantes, polícia, Subprefeitura da Sé, Guarda Civil e hospital Santa Casa.
Ninguém se manifestou contra a proposta. Uma comerciante disse que jogava desinfetante nos moradores de rua que dormiam na porta de sua loja pela manhã. Houve quem afirmasse que passaria a fazer o mesmo.
"Deveria haver um local que concentrasse todas as instituições que querem doar. Mas não na rua, sem higiene", diz o presidente do Conseg, Jorge Rodrigues.
Para o representante da Santa Casa, Edison Ferreira da Silva, outro problema das doações é que os sem-teto acabam jogando restos de comida e de roupas na rua, o que colabora para entupir os bueiros do bairro.

ABORDAGEM
O conselho iniciará sua estratégia mapeando ONGs, lanchonetes e restaurantes que doam comida.
O segundo passo será procurar os responsáveis de cada lugar para convencê-los a suspender a doação.
O conselho avisará, por fim, que, ao constatar que algum local continua alimentando os moradores de rua, a Vigilância Sanitária será chamada para que interdite estabelecimentos irregulares.
Procurada, a Vigilância adianta que não há problema nenhum em doar comida, desde que a refeição seja servida com higiene. O órgão costuma orientar restaurantes sobre como fazer a doação.
Um sem-teto de 19 anos ouvido pela reportagem diz que o plano do Conseg não funcionará. "Se não nos derem comida, vamos começar a roubar", ameaça.
A pós-doutora em saúde pública e em educação pela USP Aparecida Magali Alvarez, que desde 1993 pesquisa moradores de rua, critica o plano de expulsão. "A sociedade deveria se unir para ajudá-los", afirma.
Já o frentista Marcos Magella, que há dez anos trabalha na região, vê a presença dos sem-teto como problema, mas discorda da escolha do Conseg. "O problema mesmo é a droga. Se impedirem o tráfico, os mendigos vão embora", declarou.

FONTE FOLHA DE SÃO PAULO

http://www1.folha.uol.com.br/fsp/cotidian/ff0106201001.htm

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Editoriais

editoriais@uol.com.br Drama nas ruas
Por encomenda da Secretaria Municipal de Assistência Social, a Fipe (Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas) realizou um censo da população de rua de São Paulo. Os resultados inspiram apreensão e clamam por ações mais firmes do poder público.
Trata-se, sem dúvida, de um drama social complexo, diante do qual as respostas simples (como a construção de mais albergues, por exemplo) não são suficientes.
O estudo da Fipe mostrou que, nos últimos dez anos, cresceu 57% o número de pessoas que vivem em situação de moradores de rua. Eram 8.706 em 2000, agora são 13.666. Diante do gigantismo da metrópole, é um dado que pode causar pouco impacto. Mas vale lembrar que esse é um contingente superior à população de mais de 300 municípios do Estado.
Dessas pessoas, 51,8% (ou 7.079) dizem passar a noite em albergues, enquanto 48,2% (6.587) dormem ao relento. Em 2000, embora a população de rua fosse bem menor, a parcela dos que passavam a noite nas ruas era, proporcionalmente, maior: 54,3%.
Existem hoje 8.200 vagas em 41 albergues municipais. A prefeitura promete mais 1.200 até o final do ano. Mesmo que essa não seja "a" solução, será um avanço, sobretudo se lembramos que essa mesma gestão fechou abrigos na região central da cidade. É ali que se concentram os moradores de rua. Só os distritos da República, da Sé e de Santa Cecília reúnem hoje mais de 3.000 deles.
Esta Folha noticiou que moradores e comerciantes de Santa Cecília, reunidos na semana passada, decidiram agir para que ONGs e restaurantes da região deixem de doar comida aos sem-teto. É uma atitude que terá parecido chocante a muita gente. Deve-se, porém, tomar esse gesto como um sintoma do agravamento do problema e da necessidade de enfrentá-lo de maneira eficaz e urgente.
Sem hipocrisia, diante dos moradores de rua, as pessoas costumam ter reações misturadas -elas podem ir da compaixão à repulsa, passando pela indiferença. Dissolução de vínculos familiares, alcoolismo, desemprego, saúde física e psíquica afetadas, há um conjunto de carências a ser entendido e atendido quando se lida com os sem-teto.
A droga, em especial o crack, agravou o drama. Registrou-se na década um aumento de quase 8% da população jovem que vive nas ruas. É mais um sinal de que a cidade precisa investir em políticas sociais combinadas e mais inteligentes se de fato quiser atenuar os contornos dessa tragédia.
http://www1.folha.uol.com.br/fsp/opiniao/fz0406201002.htm

3 comentários:

  1. Essa postura é típica de algumas pessoas da região, tempos atrás houve um caso semelhante sobre sopão que era fornecido debaixo do minhocão...mas na verdade o resultado já é evidente como a fala do um jovem em situação de rua.

    NÃO é assim que se resolve.

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