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segunda-feira, 31 de maio de 2010

Patologia familia. Portal Vida e Ciência

http://psiquecienciaevida.uol.com.br/ESPS/Edicoes/53/doenca-de-familia-a-instituicao-familiar-pode-ser-alem-de-174115-1.asp

Psicologia Social
Patologia familiar
Algumas características estruturais familiares dificultam o equilíbrio e o bem-estar grupal e fomentam o processo de adoecer em seus membros. Como entender, lidar e conviver com a desorganização psíquica do clã

Por Anderson Zenidarci

Shutterstock
A palavra família é originada do latim famulus e significa escravo doméstico. Este termo foi criado na Roma Antiga para classificar um novo grupo social que surgiu entre as tribos latinas, ao serem introduzidas na agricultura e na escravidão legalizada. E atualmente?
A estrutura familiar existente hoje é resultante das inúmeras e múltiplas mudanças demográficas e geográficas que aconteceram na História da Humanidade, com adaptações específicas, visando principalmente à manutenção e sobrevivência.
A família é definida como um grupo de pessoas de mesmo sangue, ou unidas, por casamento ou adoção. Neste contexto é também uma instituição constituída por uma série de pactos de afiliação, agregamento e aliança, aceitas pelos membros.
Fotos: Shutterstock
Até mesmo os grupos tribais que formam uma constituição predominantemente familiar, precisam renunciar às características inatas ao ser humano, como a agressividade e outros instintos naturais. Essa castração permite o comportamento civil e as posturas éticas
A noção e a estrutura da família se transformam através dos tempos, acompanhando mudanças religiosas, econômicas, políticas e socioculturais do contexto em que se inserem. Ela é resultado e consequência, mas ao mesmo tempo, é agente transformador.
É um espaço a ser constantemente renovado e reconstruído, nele o conceito de proximidade encontra-se realizado mais que em qualquer outro espaço social, sendo visto como um ambiente político de natureza criativa e inspiradora. Deve ser entendida como um todo que integra vastos contextos, como o grupo, as instituições, a comunidade e a sociedade em que está inserida. É conhecida como a célula básica ou fundamental de uma sociedade, e o estudo de seus aspectos particulares revela grande parte do macrossocial em que atua. Sabemos que cada família é única e tem características muito particulares, como os níveis socioeconômico e cultural - afetivo, a partir dos quais é composta. Também sabemos que todas apresentam características que podemos identificar como integrantes desta instituição universal.
Antropólogos, sociólogos e psicólogos sociais apontam que a estrutura familiar se desenvolveu, se consolidou e se mantém exatamente pela função e importância de conservar valores, comportamentos, crenças, regras, ações e fundamentações para um convívio entre seres racionais. As reproduções desses valores visam normatizar o convívio dos indivíduos no grupo, não se atendo ao indivíduo enquanto referência (identidade, necessidades, desejos, características), mas sim à sociedade.
Castração coletiva
Sermos socializados, na realidade, significa sermos castrados em nossas pulsões e instintos, em prol de uma normatização de comportamentos, posturas e atitudes que são interpretadas como adequadas dentro do meio social dominante no contexto. Desde os nossos primórdios, esse processo determina comportamentos adequados (ou não), e posturas éticas (ou não) que nos molda ao já existente.
Esse processo, parte consciente (racional) e parte inconsciente (significados simbólicos introjetados), ocorrem para que possamos fazer parte do nosso núcleo próximo e, consequentemente, da sociedade como um todo.
Podemos dizer que para sermos aceitos, termos amor e nos sentirmos pertencentes, renunciamos a características inatas, necessárias e grandemente responsáveis pela sobrevivência da nossa espécie.
Esta renúncia concretiza a participação do indivíduo em um sistema de membros interdependentes que possuem e desenvolvem, teoricamente, dois atributos: a integração dos membros dentro da família e a interação destes membros com outros núcleos familiares e instituições oficiais organizadas.
O objeto central de todo esse processo é a sociedade, com isto, intensos conflitos pessoais são gerados, já que a particularidade e a unicidade das pessoas, em sua grande maioria, não são respeitadas.
Como todo organismo vivo e mutante, a família pode apresentar situações de organização e harmonia entre seus membros, e também situações de desarmonia e conflitos, o que não configura nenhum tipo de preocupação, pois toda instituição e/ou pessoa vivencia estas oscilações. O organismo família apresenta flutuações e acomodações de novos acontecimentos e situações que alteram e modificam sua constância e dinâmica. Essas situações podem desencadear emoções e sentimentos conflituosos e como consequência favorecer ou potencializar o desequilíbrio.
A ESTRUTURA FAMILIAR É RESULTADO E CONSEQUÊNCIA, MAS AO MESMO TEMPO, É AGENTE TRANSFORMADOR
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