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domingo, 16 de maio de 2010

Criatividade, Transgressão e ética



O texto está no Acrobat. Boa leitura.
Criatividade, transgressão e ética1

Jurandir Freire Costa


A psicanálise brasileira sofreu, nas duas ou três últimas décadas, uma mudança significativa na concepção da cura. Desafiada pelo pensamento psicanalítico francês, sobretudo o lacaniano; por filósofos inspirados em Nietzsche, como Foucault e Deleuze; por críticos do individualismo contemporâneo e, por fim, pelas políticas identitárias das minorias, retomou os próprios passos e freou suas ambições normalizadoras.
Norma psicológica se tornou, hoje, sinônimo de moralismo. O tema da normalidade psicológico-moral foi substituído pelo da ética do sujeito ou do desejo, da estética da existência, do estilo único de vida etc., expressões que realçam a idéia de “solução criativa” dos conflitos pessoais
e sugerem, quase todas, que tal solução implica maior ou menor grau de “transgressão” das normas morais. Se, no entanto, insistirmos em explicitar a relação entre criação, ética e transgressão, no mais das vezes nos sentiremos embaraçados. Embora a alternativa “ética do sujeito versus
moralidade” seja um bom padrão de avaliação dos processos de cura, o mesmo não pode ser dito do
elo entre “criatividade ética e transgressão”. Na prática clínica e na teoria, o marco divisório entre transgressão criadora e transgressão perversa permanece indiscriminado e insuficientemente refletido. Sem a posse de critérios que permitam distinguir uma da outra, não temos como saber se
um ato é ético, leviano, criminoso ou monstruoso.
Iniciemos a discussão abordando a distinção entre os dois tipos de transgressão. De hábito, diferenciamos a “transgressão moral ética” da “transgressão moral não ética”, definindo a primeira como a que permite experimentos do mesmo gênero, ou seja, o ato moralmente
transgressor é ético se der margem ao surgimento de outros atos inovadores no terreno da  reinvenção de ideais do eu. O ato ético sinaliza, portanto, a existência livre, autônoma e indeterminada do sujeito. Em termos psicanalíticos, é o ato que se subordina à lei da castração por
não derrogar o tabu do incesto e do parricídio; em termos cognitivos, é o que não se quer fundamento primeiro, universal e irrevogável dos preceitos que acaba de instaurar.
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http://www.esfera.srv.br/artigos/criatividade/criatividade,transgressao_e_etica-jurandir_freire_costa.pdf

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