Total de visualizações de página

quinta-feira, 13 de maio de 2010

Adoção por casais homossexuais,

Leia o texto. Comece expondo a mudança na lei. Depois, mostre sua tese e argumente.


Texto 1


FONTE FOLHA DE SÃO PAULO

Condição básica de uma boa educação: o pai não pode querer que o filho seja um clone seu



NA SEMANA retrasada, por unanimidade, o Superior Tribunal de Justiça reconheceu que casais homossexuais têm o direito de adotar.
Claro, duas mulheres ou dois homens já podiam criar juntos uma criança adotada por um dos membros do casal. Agora, eles poderão compartilhar legalmente a responsabilidade da adoção.
O ministro João Otávio de Noronha declarou que a decisão do tribunal foi guiada pelo princípio de atender ao interesse do menor. No debate a favor ou contra a adoção de crianças por casais homossexuais, todos afirmam, aliás, opinar e agir no interesse dos menores.
A primeira questão nesse debate, portanto, é a seguinte: crianças criadas e educadas por um casal homossexual (feminino ou masculino) sofrem de dificuldades específicas?
Seu desenvolvimento afetivo, intelectual e sexual é diferente do das crianças de casais heterossexuais?
Como disse, faz décadas que, mundo afora, casais homossexuais já criam filhos, naturais e adotivos. E faz décadas que psicólogos, médicos e assistentes sociais pesquisam esses casais e seus rebentos.
O resultado é inequívoco e aparece num documento de 2007, endereçado à Corte Suprema da Califórnia pela American Psychological Association, a American Psychiatric Association e a National Association of Social Workers, ou seja, pelas três grandes associações dos profissionais da saúde mental dos Estados Unidos (psicólogos, psiquiatras e assistentes sociais).
Esse texto, de 72 páginas, apresentando uma ampla bibliografia de pesquisas, afirma que "homens gay e lésbicas formam relações estáveis e com compromisso recíproco, que são essencialmente equivalentes a relações heterossexuais" (III, A), e que "não existe base científica para concluir que pais homossexuais sejam, em qualquer medida, menos preparados ou capazes do que pais heterossexuais ou que as crianças de pais homossexuais sejam, em qualquer medida, menos psicologicamente saudáveis ou menos bem adaptadas" (IV, B).
Ora, tramitam na Câmara dos Deputados dois projetos contra a decisão do Superior Tribunal de Justiça, um do deputado evangélico Zequinha Marinho (PSC-PA) e outro do deputado Olavo Calheiros (PMDB-AL). Visto que não dá mais para dizer que pais homossexuais sejam nocivos para suas crianças, os projetos se preocupam com o constrangimento das crianças diante dos colegas. Na escola, vão zombar de filho de homossexual. Para evitar esse vexame, melhor proibir a adoção por casais homossexuais.
Pois é, na mesma escola, também vão zombar de negros e de pobres.
Vamos impedir negro e pobre de ter filhos? O cômico é que, no Brasil, o filho de homossexual pode ser objeto de zombaria, mas essa zombaria não se compara com o que pode acontecer com filho de deputado.
Esperando que a reputação da classe política melhore e sentindo sinceramente pelos deputados honestos, no espírito dos projetos Marinho e Calheiros, acho bom proibir também a adoção de crianças por deputados federais e estaduais.
Brincadeira à parte, na nossa cultura, a condição básica de uma educação que não seja demasiado danosa é: os pais não devem querer que os filhos sejam seus clones.
Quando desejamos que nossos filhos sejam a cópia da gente, é para encarregá-los de compensar nossas frustrações: quero um filho igual a mim para que tenha o sucesso que eu não tive ou para que viva segundo regras que eu proclamo, mas nunca consegui observar. Pois bem, para criar e educar no interesse dos menores, é necessário fazer o luto dessas esperanças, que tornam as crianças escravas de nossos devaneios narcisistas.
Agora, a percentagem de homossexuais entre os filhos de casais homossexuais é igual à da média da população, se não menor. Ou seja, aparentemente, os homossexuais não têm a ambição de ver seus filhos se engajar na mesma "preferência" sexual que lhes coube na vida.
Em compensação, quem gosta mesmo de filho-clone são todos os fundamentalistas. É quase uma definição, aliás: fundamentalista é quem quer filhos tão fundamentalistas quanto ele.
Uma conclusão coerente seria: o interesse das crianças permite que elas sejam adotadas (e, portanto, criadas e educadas) por pais homossexuais e pede que a adoção seja proibida aos pais fundamentalistas evangélicos, por exemplo.
Serviço. Para ler o documento de 2007, acesse tinyurl.com/docpsi
ccalligari@uol.com.br


........................................................................

Texto 2

Maioria é contra adoção por casal gay Datafolha ouviu 2.660 pessoas no país e 51% reprovaram esse direito; mulheres e mais jovens são mais favoráveis
"O fato de quase 40% da população apoiar a adoção gay é uma ótima notícia", diz Toni Reis, presidente da ABGLT
Rafael Andrade/Folhapress

A partir da esq., o casal André e Carlos Alberto com as filhas que adotaram juntos, no Rio
CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO

Quase dois meses após o STJ (Superior Tribunal de Justiça) reconhecer que casais homossexuais têm o direito de adotar, 51% dos brasileiros dizem ser contra essa prática. Outros 39% são favoráveis à adoção por gays.
É o que revela pesquisa Datafolha realizada entre os dias 20 e 21 de maio com 2.660 entrevistados em todo o país. A margem de erro é de dois pontos percentuais para mais ou para menos.
As mulheres são mais tolerantes à adoção por homossexuais que os homens: 44% contra 33%. Da mesma forma que os jovens em relação aos mais velhos: na faixa etária entre 16 e 24 anos, a prática é apoiada por 58%, enquanto que entre os que têm 60 anos ou mais, por apenas 19%.
"Já é um grande avanço. Na Idade Média, éramos queimados. Depois, tidos como criminosos e doentes. O fato de quase 40% da população apoiar a adoção gay é uma ótima notícia", diz Toni Reis, presidente da ABGLT (Associação Brasileira de Lésbicas, Gays, Bissexuais, Travestis e Transexuais).
Ele reconhece, porém, que o preconceito é ainda grande. "Serão necessárias muitas paradas e marchas para convencer a população de que somos cidadãos que merecemos o direito da paternidade e da maternidade."
A taxa de pessoas favoráveis à adoção por homossexuais cresce com a renda (49% entre os que recebem mais de dez salários mínimos contra 35% entre os que ganham até dois mínimos) e a escolaridade (50% entre os com nível superior e 28%, com ensino fundamental).
Para a advogada Maria Berenice Dias, desembargadora do Tribunal de Justiça do RS, a tendência é que a decisão do STJ sirva de jurisprudência em futuras ações e que isso, aos poucos, motive mais pessoas a aprovarem a adoção por homossexuais.
"A maioria da população brasileira ainda é conservadora, mas já foi pior."
Entre as religiões, os católicos são os mais "progressistas": 41% se declaram a favor da adoção por homossexuais e 47%, contrários. Entre os evangélicos pentecostais, a desaprovação alcança o maior índice: 71%, contra somente 22% favoráveis.
O padre Luiz Antônio Bento, assessor da comissão para vida e família da CNBB (Conferência Nacional dos Bispos do Brasil), afirma que a adoção por homossexuais fere o direito de a criança crescer em um ambiente familiar, formado por pai e mãe, e isso pode trazer "problemas psicológicos à criança".
A psicóloga Ana Bahia Bock, professora da PUC de São Paulo, discorda. "A questão é cultural. Se a criança convive com pessoas que encaram com naturalidade [a sexualidade dos pais], ela atribui um significado positivo à experiência."

............................................
Texto 3

7 capitais já tiveram decisão favorável a gays JOHANNA NUBLATLARISSA GUIMARÃES
DA SUCURSAL DE BRASÍLIA

As irmãs Valesca, 8, e Vanessa, 6, têm novos pais desde 2009. E, no caso delas, a família é realmente composta por dois pais.
Carlos Alberto Oliveira, 57, e André Luiz de Souza, 36, conseguiram o que ainda é hoje uma proeza no país: adoção conjunta por um casal do mesmo sexo.
Julgamentos favoráveis a esse tipo de adoção são uma realidade em 45% das capitais brasileiras, segundo levantamento da
Folha. Em apenas sete delas, porém, a adoção já foi concedida; em outras cinco, os pedidos aguardam decisão final.
A reportagem procurou todas as varas de infância das capitais após a inédita sentença do STJ (Superior Tribunal de Justiça) que garantiu o direito de um casal de lésbicas de adotar juntas duas crianças.
Apesar de não ser vinculante, a posição do STJ influenciará futuros casos. Na ausência de lei, a decisão fica a critério do juiz.
O fato de haver na capital paulista decisões favoráveis e contrárias à adoção mostra a divergência e a insegurança jurídica que envolvem o tema.
"A lei não prevê taxativamente a adoção por este ou aquele casal", diz Raul José de Felice, juiz em Santana (zona norte) que já concedeu adoção a três casais gays desde 2007.
No fórum da Penha (zona leste), um pedido foi negado com o argumento de que não há previsão legal. "Não fiz nenhuma menção à discriminação pela orientação sexual", diz Paulo Sérgio Puerta dos Santos, à época promotor da infância da vara e hoje diretor-geral do Ministério Público de SP.
O casal de mulheres foi, então, orientado para que a adoção fosse feita oficialmente por uma delas.
No Rio, onde Valesca e Vanessa foram adotadas, há incentivo para que a adoção seja conjunta, diz a juíza Cristiana Cordeiro.
...............................................................................................................


Texto 4
A relação entre o casal gay e a crianca adotada.

Adoção por casais gays: A relação entre o casal gay e a crianca adotada.
Entrevista concedida ao Jornal O SEXO; Rio de Janeiro
Respostas por: Paulo Bonança, autor desta coluna

Como deve ser a relação entre o casal homossexual e a criança adotada? De que forma o casal deve proceder perante o filho adotado? Essas e outras questões somente um psicólogo pode responder. Com a palavra, DR. Paulo Bonança
Pode acontecer de uma criança adotada por um casal homossexual ser homossexual devido ao convívio?
Seria muito difícil poder afirmar que uma criança adotada por um casal gay venha a ser gay devido ao convívio. Seria o mesmo que afirmar que filhos de héteros serão héteros devido ao convívio com os pais héteros.

Como o casal homossexual deve encarar a relação com o filho adotado?
Em primeiro lugar não centralizando a relação com o filho na orientação sexual dos pais. Se a orientação sexual dos pais não estiver bem trabalhada por eles, a insegurança pode ser transferida ao filho.
Em um casal hétero, os pais se beijam na frente dos filhos. Com um casal gay o comportamento poderá ser o mesmo?

Existem pais que se sentem cômodos se beijando na frente dos filhos, alguns vão a praia nudista com os filhos e caminham de roupa intima dentro da casa, já outros não se sentem cômodos com estas situações. Cada família é “um mundo em constante movimento”. Caberá aos pais decidir se eles se sentem cômodos ou não se beijando na frente do filho, o importante é não “forçar a barra”, nem para um lado nem para o outro.
Como os pais adotivos devem proceder quando a criança rejeita os pais por eles serem gays?
Interessante a sua pergunta, na minha pratica clínica já escutei muitos relatos de pais que abandonaram ou discriminaram os filhos por eles serem gays, mas até hoje nunca escutei de um filho que tivesse rejeitado o pai ou a mãe.

Qual a faixa etária ideal de uma criança ser adotada por casal gay?
Não existe idade para se entregar e receber amor e cuidados, e não se espera ser amado para amar.
O Senhor acredita que os testes psicológicos aplicados pelo Juizado de Menores conseguem realmente diagnosticar se o casal tem condições de conviver com o filho adotado?
Creio que os testes, as entrevistas, a busca de informação sobre o casal é necessária e importante em todos os casos, afinal é uma vida que esta sendo entregue aos cuidados de um casal. Ninguém pode afirmar com 100% certeza, mesmo com as avaliações, que esta criança estará protegida e bem cuidada, mas penso que este procedimento é parte importante de qualquer processo de adoção, seja por héteros ou gays.

O Senhor recomenda que o casal que quer adotar ou adotou faça acompanhamento psicológico?
Se o casal tem dúvidas sobre o tema ou está inseguro de como tratar a criança, penso que o acompanhamento de um psicólogo poderia ser útil. Com respeito à criança não temos porque patologizar a situação. Diariamente crianças vão ao psicólogo, isto independente da orientação sexual dos pais ou de serem adotadas ou não. Cada caso é um caso e deve ser observado com critério, sem patologizar a situação, mas também sem negar-la caso seja necessário o acompanhamento de um psicólogo.

Como os pais devem encarar o preconceito existente nas escolas e no dia a dia?
Infelizmente, o preconceito e a discriminação podem vir a alcançar as crianças. Frente a isto creio que manter os canais de comunicação abertos é fundamental. Dizer ao filho que eles estão dispostos e disponíveis a conversar sobre o tema e a responder as dúvidas que ele possa vir a ter. Que a orientação sexual deles não é algo tão importante, mas que para algumas pessoas pode ser. Isto ocorre porque elas não sabem, elas não entendem o que é a homossexualidade.

Escolas, empresas, comunidades entre outros estão preparados para encarar de frente um casal homossexual junto ao seu filho?
A adoção de uma criança por um casal homossexual , como tema social é algo novo, talvez a sociedade como um todo e as instituições em particular não estejam preparadas, mas a vida é feita de desafios.
O senhor acha que o casal deve omitir da criança adotada que é gay?

Omitir que é gay é instalar um segredo dentro do convívio familiar, é negar uma situação que pode ser obvia, é negar os avanços sociais que levaram o casal a possibilidade de adotar esta criança, é colocar a homossexualidade dos pais dentro de um contexto obscuro. Talvez antes de negar ou afirmar algo, seja melhor averiguar o que a criança já sabe e o que pensar sobre a situação.

Entrevista concedida ao Jornal O SEXO; Rio de Janeiro
Respostas por: Paulo Bonança C.R.P 05-30190
Psicólogo e Sexólogo
Diplomado em Sexualidade Humana pela Universidade Diego Portales- Chile-
Autor da Tese “A AIDS entre os homossexuais; A confissão da soropositividade ao interior da família”.
Membro da SBRASH (Sociedade Brasileira de Estudos da Sexualidade Humana)
Rio de Janeiro, Copacabana (21) 2236-3899, 9783-9766
www.paulobonanca.com


texto 5

Editoriais

editoriais@uol.com.br
Adoção polêmica Pouco mais da metade dos brasileiros (51%) se diz contrária à adoção de crianças por casais homossexuais, direito que já foi reconhecido por juízes em sete capitais do país e também pelo Superior Tribunal de Justiça.
Não deixa de ser compreensível a parcela de rejeição, expressa na recém-divulgada pesquisa Datafolha, que recai sobre essa nova forma de organização familiar, ainda rara no Brasil.
A grande maioria dos brasileiros, mesmo entre os mais liberais, não conhece casais gays que criem seus filhos conjuntamente. Ainda não há, em número expressivo, uma geração de jovens educados por pessoas do mesmo sexo que possam, com seu testemunho, mitigar os temores que o desconhecimento naturalmente instila nas pessoas.
São recentes, além disso, as mudanças comportamentais e sociais que ampliaram a aceitação do homossexualismo. Não à toa, registra-se entre os mais velhos o maior grau de rejeição à adoção por casais gays -68% das pessoas com 60 anos ou mais são contrárias a essa prática.
Mas aí também se revela o que há de positivo nos números auferidos no levantamento: não apenas a sociedade brasileira dá sinais de ser razoavelmente tolerante, como tende a sê-lo cada vez mais.
Do total dos entrevistados, 39% de declararam favoráveis à adoção por casais do mesmo sexo. Entre os mais jovens, a fração dos que aceitam essa solução supera a dos que a rejeitam -58% dos entrevistados entre 16 e 24 anos aprovam o novo modelo familiar, contra 34% que o rejeitam.
Parecem compreender, com razão, o quanto é improvável a existência de danos psicológicos às crianças como consequência da opção sexual de seus novos pais. Inegáveis, isso sim, são os malefícios do abandono.

Fonte. Folha de São Paulo

Um comentário:

  1. Em minha opniao qualquer ser humano tem seu direito de adotar um filho seja ele gay ou nao, irao cuidar da criança do mesmo jeito.Nenhuma criança ira virar gay se seus pais forem, sabe porque? Por que qndo tem pais heteros alguns viram gays do mesmo jeito.Entao isso, é uma discriminaçao muito grande com pessoas que escolhem uma preferencia sexual diferente das outras pessoas.
    Esta é o meu pensamento e a minha opniao, e nao irei muda-lá.

    ResponderExcluir

Pesquisar este blog

Carregando...

Arquivo do blog