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terça-feira, 16 de março de 2010

lixo radioativo

Depósito de lixo radioativo localizado na zona sul de São Paulo está em área densamente povoada e ao lado de futuro templo do padre Marcelo Rossi
No dia 23 de fevereiro de 1970, em plena ditadura militar, começa a história do trabalhador José Venâncio Alves. Venâncio,
como é conhecido pelos amigos, a partir desse dia passa a fazer parte do quadro de funcionários da Administração de Produção de Monazita (APM), localizada em um terreno de 20 mil m² na rua Princesa Isabel, 3, no bairro do Brooklin, em São Paulo. A estatal ligada ao programa nuclear brasileiro passaria, em 1975, a chamar-se Nuclebrás Monazita (Nuclemon).

Venâncio veio de Itaverava, Minas Gerais. Foi seu cunhado, Aarão, que já estava em São Paulo, que lhe arrumou o emprego. Venâncio, assim como o cunhado, tinha pouco estudo. Era chegar e trabalhar, a empresa não exigia muito e oferecia algumas vantagens, tais como quatro latas de leite por mês para cada filho menor de 10 anos e um botijão de gás por mês. O trabalho não era fácil. Era artesanal, braçal, mas eles não tinham estudo e as dificuldades para encontrar um emprego eram grandes. O importante é que estavam trabalhando. Assim como o cunhado, Venâncio trouxe de Minas outros trabalhadores para a empresa. Muitos eram os parentes ou conhecidos. Eram uma grande família.

O que os trabalhadores da Nuclemon não sabiam é que estavam sendo expostos a substâncias altamente tóxicas e também radioativas. A principal matéria-prima utilizada na usina era a monazita, extraída da areia monazítica, abundante na costa do Rio de Janeiro e da Bahia, e rica em urânio e tório. Na Usina de Santo Amaro (USAN), a areia bruta era beneficiada por meio de dois processos: tratamento químico e tratamento físico. Segundo documento do Centro de Referencia do Trabalhador de Santo Amaro, os produtos produzidos na USAN eram vendidos para indústrias eletrônicas, de alta pressão, de cerâmica e de metalúrgica fina. A monazita é desengraxante, desengordurante e também entra no tratamento de águas de caldeira e industrial, e na formulação de detergentes.

A areia monazítica passava por um tratamento químico para obtenção de cloreto de terras raras, gerando um subproduto com alta concentração de urânio e tório conhecido como torta II. A torta II processada também dava origem ao mesotório, produto altamente radioativo.

Todo esse trabalho era feito sem proteção. Os trabalhadores não tinham noção dos riscos. Trabalhavam até mesmo de chinelo de dedos, sapatos vulcabrás comprados na lojinha da empresa, não tinham uniformes e a roupa era lavada em casa e misturada com a roupa de toda família. Venâncio se lembra do amigo José Roberto, também de Ituverava. ”O José ficou viúvo, a esposa morreu de câncer. Ele ficou deprimido, começou a ter convulsões. O chefe não ligava, não se importava com o sofrimento do Chameguinho, como era conhecido José Roberto. Ele era ajudante de manutenção, um dia caiu de uma altura de 10 m e ficou muito tempo no hospital. Quando saiu, voltou a trabalhar, mas não tinha mais condições, ficava perambulando pela usina. Tinha que ser aposentado, mas, depois de dois anos, foi mandado embora. Teve que voltar para Minas com seus quatro filhos para ser cuidado pela família, foi um crime o que fizeram com ele.”

Segundo a Dra Maria Vera Cruz de Oliveira, médica pneumologista do CRT-SA as condições em que os ex-funcionários da Nuclemon trabalhavam eram absurdas. Estavam expostos a poeira, calor intenso, radioatividade e excesso de trabalho. A falta de protetores de ouvido causou perda de audição em muitos deles. Não havia programa de prevenção de acidentes nem uso de máscaras. No setor conhecido como amassador ocorria a mistura do ácido sulfúrico com o pó da pedra de abrigonita para obtenção, por exemplo, do fosfato de lítio. A fumaça produzida nesse setor era tão forte que, quem tinha que ir por ali era obrigado a passar correndo e sem respirar. Seu Severino da Costa, 73 anos, conta que tem silicose, doença pulmonar, e que descobriu a doença quando ainda estava trabalhando, mas, mesmo assim, foi despedido sem direito a tratamento. Severino trabalhou na empresa por 27 anos.

Somente em 1987, após o acidente de Goiânia, os ex-funcionários da Nuclemon começaram a perceber com que tipo de material trabalhavam. Venâncio conta que só então a ficha caiu. Lembra-se que em uma reunião ele sugeriu que a empresa parasse de trabalhar com a monazita, ”meu chefe deu risada, disse que eu estava louco, que a monazita pagava nosso salário e que poderia até mesmo pagar a dívida externa do país”.

Ação sindical
Nos idos da década de 1980, o Sindicato dos Químicos de São Paulo se aproximou dos trabalhadores da estatal. Preocupado com as condições de trabalho e a saúde dos trabalhadores, em 1990, o sindicato solicitou ao Centro de Referência do Trabalhador de Santo Amaro que fizesse uma visita à empresa. Os técnicos do CRT-SA encontraram muitas irregularidades e dificuldades. Cientes da gravidade do assunto, o Sindicato dos Químicos convocou uma reunião que teve a presença do CRT-SA, da Delegacia Regional do Trabalho e da Promotoria do Ministério Público Estadual, intensificando assim as ações contra empresa.

Em meio a protestos da população e a ações do sindicato, do Ministério Público e da Delegacia Regional do Trabalho, as condições de trabalho começaram a melhorar. A roupa passou a ser lavada e descontaminada na empresa, os funcionários começaram a receber vale-refeição e a freqüentar o CRT-SA, onde começaram a fazer exames e a participar de reuniões que tinham como objetivo discutir as condições e a organização do trabalho na empresa.

Em 1991, a Câmara Municipal de São Paulo instaurou uma Comissão Parlamentar de Inquérito para apurar as responsabilidades pela exposição à radiação sofrida pela população de São Paulo, principalmente por trabalhadores, e nas instalações da Nuclemon Minero-Química Ltda.

A CPI chegou à conclusão:

1 A área da Usina Interlagos (USIN) apresentava contaminação radioativa no solo.

2 A Nuclemon, por ter descumprido as normas referentes ao controle de áreas e liberação de material radioativo para o meio ambiente, foi considerada responsável pelos riscos de exposição à radiação e contaminação nos depósitos da av. Interlagos.

3 A Comissão Nacional de Energia Nuclear (CNEN) foi responsável pelos riscos por não ter tomado medidas cabíveis de fiscalização e sanção contra a Nuclemon.

4 O armazenamento de rejeitos nucleares na Usina Santo Amaro (USAM) era um risco para os trabalhadores e para a população vizinha.

5 A Nuclemon depositou lixo químico (Torta de fosfato trissódico – Torta FTS) ao longo de vários anos no lixão de Perus, Aterro Bandeirantes – representando um risco para os trabalhadores e a população vizinha do aterro. A quantidade total era desconhecida.

6 As condições de radioproteção da Nuclemon permaneciam absolutamente ineficientes, gerando exposição à radiação desnecessária aos trabalhadores. Deve ser garantido tratamento médico adequado aos trabalhadores contaminados com a
garantia de sua remuneração.

Em 1992 a usina foi desativada por inviabilidade econômica e os trabalhadores foram demitidos ou transferidos para outras unidades.

Os Restos da Usan
A Usina de Santo Amaro, localizada na rua Princesa Isabel, no Brooklin, foi derrubada e todo o material levado para a unidade da avenida Interlagos. Em depoimento à Comissão de Meio Ambiente e Desenvolvimento Sustentável da Câmara dos Deputados, a engenheira civil e de segurança do trabalho e auditora fiscal do Ministério do Trabalho e Emprego em São Paulo, Fernanda Gianassi, afirmou: “Em vez de rasparem o solo e começarem a retirar as camadas mais profundas, viram que havia contaminação profunda e começaram a jogar pedrisco para cobrir o terreno.”

O terreno, localizado em uma área muito valorizada, foi vendido e, no local, construído um grande condomínio. A reportagem entrou em contato com a assessoria de imprensa da Comissão Nacional de Energia Nuclear, CNEN, órgão federal responsável pelo licenciamento e fiscalização das instalações nucleares e radioativas brasileiras, para saber a posição da empresa em relação à segurança dos moradores do Brooklin e a resposta foi que, “sobre a posição da CNEN relativa
ao terreno da antiga Nuclemon, no bairro Brooklin, em São Paulo, informamos que a área não oferece riscos ao meio ambiente, trabalhadores da instalação e população em geral. A CNEN faz um monitoramento periódico do local para certificar-se de que os níveis de radiação estão dentro da normalidade, abaixo do estipulado nas normas de segurança da CNEN”.

O depósito que guarda os restos das operações da Nuclemon, aproximadamente 1000 (mil) toneladas, fica na esquina da Avenida Interlagos com a Avenida Miguel Yunes. A segurança e a sinalização do local são precárias. As placas que deveriam alertar a população dos riscos são poucas e pequenas. Um exemplo são as placas que indicam que há radiação no local, são pequenas, estão colocadas próximas ao chão e estão sendo cobertas pelo mato. Fernanda Giannasi alerta para o fato de que “pessoas em situação de rua e curiosos frequentemente adentram o terreno, visto que a cerca tem vários pontos abertos”.

Segundo Sérgio Dialetachi, especialista em energia nuclear, consultor da Fundação Heinrich Boell, do PV alemão para assuntos de energia e clima, “a terra fora do galpão está contaminada com radioatividade. Pode até ser baixa, mas não há garantias de que não faça mal a quem se expõe a ela, tudo depende do organismo. Não há limite seguro quando se fala de energia nuclear”.

Há grande preocupação com a presença do depósito na região. Quando foi criado, a população no entorno era pequena. Hoje, a expansão imobiliária passa pela região. Ao lado do terreno onde estão estocados toneladas de material radioativo está sendo construída a nova igreja do padre Marcelo Rossi, que será visitado por milhares de romeiros mensalmente, assim como vários condomínios residenciais. Outro fato que chama a atenção é o de que muitas pessoas que moram ou trabalham na região não sabem da existência do depósito, não recebem informações e não têm conhecimento de como proceder em caso de acidente.

Segundo Sérgio Dialetachi, a fiscalização do local é precária, mas já foi pior. Aproximadamente 1000 (mil) toneladas deveriam ter sido retiradas do local há 13 anos, porém, a falta de um depósito definitivo faz com que a população da cidade de São Paulo tenha que conviver com uma bomba-relógio que pode explodir a qualquer momento. Segundo Fernanda Giannasi, o local é impróprio, coloca em risco a população, o meio ambiente e os próprios trabalhadores do depósito.
Joelma Couto

http://carosamigos.terra.com.br/


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Resíduo radioativo - é formado por resíduos com elementos químicos radioativos que não têm ou deixaram de ter utilidade.

É usualmente o produto resultante de um processo de fissão nuclear, do material utilizado como combustível nos reatores, do uso armas nucleares ou ainda de laboratórios médicos ou de pesquisas.

A destinação do resíduo radiativo é um dos problemas mais sérios resultantes do uso da energia nuclear, podendo ainda ser oriundo de outros usos, tais como o resíduos hospitalar.

A radioatividade deste material diminui com o tempo. Todo radioisótopo tem uma meia-vida, ou seja, o tempo necessário para perder metade (½) de sua radioatividade. Eventualmente todo resíduo radioativo decai para um elemento não-radioativo. Por exemplo: passados 40 anos, a maioria dos resíduos de combustível nuclear perde 99,9% de radiação.
http://pt.wikipedia.org/wiki/Res%C3%ADduo_radioativo

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LIXO RADIOATIVO É AMEAÇA AO PLANETA

Por Roberto Villar Belmonte

Monte Porzio Catone, Itália, 09/10/2006 – O principal risco ambiental do planeta não são os alimentos contaminados nem as doenças que proliferam por causa da mudança climática, mas os resíduos de urânio de reatores e mísseis, alertou o especialista norte-americano Asaf Durakovic, durante o fórum ambiental encerrados sábado em Roma. As maiores potências nucleares – Estados Unidos, China, França, Grã-Bretanha e Rússia – contam atualmente como o equivalente a cem milhões de bombas como a de Hiroshima, o suficiente para destruir sete vezes a Terra, afirmou Durakovic, diretor do Uranium Medical Research Center (UMRC – Centro de Pesquisa Médica sobre o Urânio).

Durakovic falou durante o IV Fórum Internacional para Jornalistas sobre a Proteção da Natureza, que aconteceu entre quarta-feira passada e sábado, organizado pela não-governamental Associação Cultural Greenaccord, em Monte Porzio Catone, uma localidade próxima de Roma. Desde a Guerra do Golfo contra o Iraque, em 1991, até agora, foram lançados projéteis de urânio empobrecido com 3.601 toneladas de material radioaivo, informou. O UMRC, uma ONG fundada em 1997, com sede nos Estados Unidos e no Canadá, questiona o uso da expressão “urânio empobrecido”, muito utilizada pelos militares.

O urânio natural extraído da natureza é enriquecido para ser usado como combustível nuclear, em um processo que dá origem, como subproduto, ao urânio empobrecido. Tanto este quanto o natural são compostos em mais de 99% do isótopo U328 (um dos elementos que têm o mesmo número de prótons e diferente número de nêutrons, neste caso do urânio). O material supostamente empobrecido só perde menos de 1% do urânio total nos isótopos U234 e U235. Assim, o urânio empobrecido é quase tão concentrado quanto o natural e pode conter traços de plutônio (U236), afirma o UMRC.

Ex-coronel do exército dos Estados Unidos, onde trabalhou como médico, Durakovic percebeu os riscos das novas armas atômicas quando começou a atender soldados norte-americanos que regressavam do Iraque contaminados com a radiação emitida por projéteis que também foram usados nos conflitos de secessão dos Balcãs nos anos 90, na ofensiva norte-americana contra o Afeganistão desde 2001, e na segunda guerra contra o Iraque, iniciada em março de 2003. Em 2000, Durakovic já era, há 12 anos, especialista em medicina nuclear do Departamento de Defesa. O governo o colocou para investigar a chamada síndrome da Guerra do Golfo. Mas diante de suas descobertas, recebeu ordens para suspender a pesquisa, sob pena de perder o emprego.

Durakovic continuou pesquisando por conta própria e descobriu que os veteranos não só tinham o isótopo U238 em seus organismos, mas também plutônio. Sabe-se agora que boa parte da munição com urânio empobrecido fabricada nos Estados Unidos contém esse outro elemento radioativo. Os mísseis com isótopos de urânio, que perfuram facilmente qualquer tanque de guerra, espalham uma nuvem radioativa na atmosfera. A contaminação ocorre principalmente quando estes resíduos são inalados pelos soldados ou pelas comunidades atacadas. Através do sistema respiratório, o urânio chega aos ossos e acaba comprometendo o sistema imunológico, explicou o especialista.

A equipe do UMRC também analisou a contaminação radioativa no Afeganistão. “Encontrei U236 (plutônio) em todos meus pacientes. Este isótopo não existe na natureza. Foi produzido pelo homem nestes 15 anos de guerra nuclear”, disse o médico. Nos últimos 60 anos, houve um grande acúmulo de lixo radioativo no planeta, que coloca em risco a vida terrestre, acrescentou. Há meio milhão de metros cúbicos destes resíduos de alto nível gerados pela produção de armas nucleares e mais de 40 mil toneladas de combustível usado nos reatores das centrais de geração de energia, segundo Durakovic.

Todas as alternativas de armazenamento desses dejetos aplicadas até hoje são inseguras, acrescentou o especialista. Em 1957, houve uma explosão em uma usina russa em Kyshtym, nos Montes Urais, por causa do calor gerado pela grande concentração de resíduos radioativos em um só lugar, recordou. Em sua opinião, a proposta de lançar contêineres com este lixo no espaço é uma grande bobagem, por causa do elevado custo e do risco de explosões no lançamento dos foguetes. Os depósitos marinhos foram usados no passado, mas já não são aceitos. “Todos os depósitos que existem são inseguros, verdadeiras bombas de tempo”, advertiu este especialista em radiações ionizantes. A situação é mais grave nos países em desenvolvimento.

“Um novo informe da Universidade de Ibadan destacou a total ineficácia de um depósito de lixo radioativo na Nigéria”, informou. Além disso, os testes com armas nucleares feitos tanto no mar quanto em terra também deixam grandes quantidades de resíduos e danos ambientais, destacou Durakovic. “Estamos diante de um problema, que não percebemos porque é invisível. É necessário deixar de produzir armas radioativas. Mas a fabricação não pára por causa dos muitos interesses econômicos em jogo. A retirada e o acúmulo de resíduos nucleares movem milhares de bilhões de dólares”, ressaltou o especialista. Em sua opinião, a energia atômica não poderá ser vista nunca como alternativa aos combustíveis que causam o aquecimento global. “Pode causar um efeito contrário, o inverno nuclear, pelo enorme risco de contaminação”, concluiu. (IPS/Envolverde)

http://outraglobalizacao.blogspot.com/
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Pesquisa recente, promovida na Internet pelo portal Terra, trouxe uma revelação surpreendente: 67,2% dos visitantes apóiam tranqüilamente o uso da energia nuclear.

Aquela reação inicial de pânico contra as usinas nucleares já é coisa do passado. Com o correr dos anos e graças à informação correta que foram recebendo, as pessoas começaram a perceber que não havia qualquer razão lógica para aquele temor. Pelo contrário, nestas quatro décadas, o funcionamento seguro e regular de mais de 400 centrais nucleares serviu para inspirar segurança. Além disso, as centrais nucleares vêm mostrando ao mundo que, em matéria de energia limpa, sem a dramática emissão de gases poluentes, elas são imbatíveis.

Na luta contra a degradação do meio ambiente, a energia nuclear oferece a melhor solução. No entanto, mesmo com o bom equacionamento dos aspectos de segurança, fica sempre a indagação: e o famoso e “perigosíssimo” lixo atômico?

Como enfrentar esta questão? Para inicio de conversa, a verdade é que, no mundo de hoje, o problema com todos os tipos de lixos já é um pesadelo em todos os cantos do planeta. O mundo está tendo muita dificuldade para se livrar de todos os tipos e formas de rejeitos, tão fantástica é a quantidade de lixo que a humanidade produz todos os dias. O pior é que, no pior dos casos, trata-se de lixo que, lançado na atmosfera em quantidade fantástica, não tem como ser armazenado e não perde, com o tempo, as suas características tóxicas.

Por mais que os países façam encontros internacionais, para estabelecer regras de melhoria na qualidade dos ares e das águas do planeta, a verdade é que o uso crescente e desarvorado dos combustíveis fosseis tem agravado a questão. O fato incontestável é que, apesar de toda uma corrente contrária de opinião pública, a diminuição da emissão dos gases poluentes só tem ocorrido nos países que geram grande parte de sua energia através de centrais termonucleares.

Até mesmo na Alemanha, onde fanáticos verdes se deixam governar por uma estranhíssima e poderosíssima ONG internacional que lidera a campanha pelo fechamento das centrais nucleares, mesmo lá, o resultado ambiental é dos melhores. O curioso é que, em quatro décadas de operação regular e tranqüila, as 19 centrais nucleares alemães jamais sofreram qualquer incidente ou acidente, constituindo-se, por isso mesmo, no mais respeitado padrão internacional de critérios e procedimentos de segurança nesse setor.

Pois apesar de tudo isso, e à falta de outros argumentos, a questão do destino a ser dado aos rejeitos radioativos de alta intensidade, continua a ser a fonte das restrições ao uso pacifico da energia nuclear. Vale a pena, então, conhecer a questão mais de perto.

A primeira pergunta deve ser a seguinte: será que, em relação aos “outros lixos”, a ciência e a tecnologia podem afirmar que todos os problemas estão bem resolvidos?

Infelizmente, a resposta é negativa e a situação do planeta é preocupante. Os vários tipos de lixo são um assunto cada vez mais complicado no mundo de hoje. São, sem dúvida, grandes desafios, ainda sem respostas. A situação mais apavorante é a dos lixos químicos ou biológicos. Alguns não têm como ser confinados, pois se espalham pela atmosfera, pelos rios, pelas cidades e pelos campos. É o que acontece com os plásticos, com os despejos das industrias, com a contaminação das águas pluviais e com a carga dos gases tóxicos provocada pela queima de combustíveis fosseis. Para nossa sorte, o lixo radioativo não faz parte desta lista mortífera.

O lixo radiativo tem como ser monitorado. Para ele podem ser encontrados locais e recipientes seguros, conhecidos, monitoráveis e localizáveis. Além disso, o lixo radioativo é muito variado, em tipo, tamanho e durabilidade.

Existe o chamado lixo hospitalar, composto desde simples roupas, luvas, sapatos, lençóis, gases, e instrumentos, usados na medicina, sujeitos a pequenas contaminações, até equipamentos mais sofisticados, indispensáveis na pesquisa e na área de tratamentos. Para lixos desse tipo, de baixa atividade, basta montar um local específico, seguro, vigiado e bem localizado. O mesmo ocorre com o lixo de média atividade. Para ele, os recipientes devem ainda ser mais seguros e mais resguardados.

Mas, quando alguém fala em lixo atômico (uma expressão bastante pobre, aliás…) o que está sendo questionado é o lixo produzido pelos reatores das centrais termonucleares. Curiosamente, sempre omitem na discussão o fato de que esse tipo de lixo é o que está mais bem resolvido. A solução que já vem sendo posta em prática há décadas é muito satisfatória e segura.

Ocorre que, apesar da potência dessas centrais, o lixo radiativo que elas produzem é surpreendentemente pequeno. Para se ter uma idéia, vale lembrar o caso da França. Lá, as centrais nucleares geram 75% de toda a energia elétrica consumida pelo país. (Aqui, nem se chega a 1% …). No entanto, se juntarem todo o lixo radiativo de alta atividade, produzido por elas desde 1974 até hoje, o seu volume ocupa um espaço correspondente a uma piscina olímpica!

No caso do lixo dos reatores nucleares, existe ainda uma característica que, em geral, as pessoas desconhecem. Trata-se do período de duração da radiatividade desse tipo de lixo. Essa radiatividade é reduzida cem vezes, no seu primeiro ano de confinamento. Após dez anos, estará reduzida mil vezes. E, após 800 anos, chegará ao nível da radiatividade que se encontra na natureza normalmente. Ao contrário disso, muitos lixos químicos e bacteriológicos jamais perdem a suas periculosidade.Ou capacidade tóxica.

Assim sendo, para o lixo dos reatores, a solução correta depende apenas de escolher, com objetividade e critério científico, um local que, sem contato com lençóis d’água e com estabilidade de solo, ofereça espaço seguro para receber os recipientes. Só isso e nada mais do que isso.

O lixo de alta intensidade radioativa, a ser produzido nas centrais de Angra I e Angra II, vai compor um pequeno volume, que pode ficar ainda por muitos e muitos anos na própria usina, em piscinas seguras e apropriadas. Essa questão, portanto, diante dos fatos, não pode e não deve servir de argumento para que não se queira utilizar este tipo de geração de energia.

A energia nuclear nos dará dupla vantagem. Não vamos poluir ainda mais o ar que respiramos e vamos ficar absolutamente independentes em matéria de energia elétrica. Temos imensas jazidas de urânio. Temos a tecnologia de seu enriquecimento. Temos a tecnologia da montagem e do funcionamento de uma central nuclear. Temos os mais competentes e modernos especialistas do mundo neste setor.

Se é para nos preocuparmos com problemas de lixo, vamos pensar nos outros tipos, que infernizam as nossas cidades e acabam com a nossa qualidade de vida. São bilhões de toneladas de refugos domésticos, industriais, agrícolas, formando aterros apavorantes. São os plásticos. São as bactérias. São os esgotos. São os vazamentos de óleo. É a chuva ácida. São milhões de canos de descarga, jogando nos ares do mundo, a cada segundo, o gás que vai envenenar o planeta. Esses lixos, sim, precisam de uma solução.
http://www.imil.org.br/artigos/a-questao-do-lixo-radioativo/

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Texto complementar p treinar inglês


http://www.bbc.co.uk/portuguese/learningenglish/witn/2010/03/100303_aprenda_australia.shtml

Um comentário:

  1. SOS TERRA PRECISA DE AJUDA E PESSOAS CONSCIENTES PARA NÃO ACABARMOS NO ESPAÇO COMO NO FILME WALL-E

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