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quinta-feira, 31 de dezembro de 2009

JEITINHO BRASILEIRO, LEITURAS. Mathias, faça esta

Leia a coletânea. Escreva um texto analisando o tal "jeitinho brasileiro". Pode - e deve - usar uma das obras de leitura da Fuvest para ilustrar seu texto.


Código secreto dos brasileiros
Há um código secreto entre nós brasileiros - "amanhãs" que nunca chegam; "apareça lá em casa", na realidade não é um convite, mas uma maneira de se despedir cordialmente; "virei se Deus quiser", significa "não conte com minha presença"; "já foi providenciado", ou seja, "ainda não vi o caso e não sei do que se trata"; "eu telefono mais tarde" e "a gente se vê" são sinônimos de "eu não tenho tempo agora".

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Mais códigos secretos ...
"Pô, você sumiu??" significando "eu me esqueci de você" ou "não tive tempo para me preocupar com você, agora que eu o vi é que lembrei que você existe"; "fica prá próxima", "fico lhe devendo essa" podem significar "não me aborreça, não estou interessado";"deixa comigo", que poderá significar "se der tempo eu vejo esse negócio", e quando esquecermos de tomar providências basta a resposta "eu tentei, mas houve um desencontro"

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O suborno e a corrupção no Brasil ...
A realidade do suborno é tão patente no Brasil que a revista Imprensa lançou um Guia da Corrupção no Brasil, e em ordem alfabética. É como se o país inteiro estivesse empenhado em fazer valer o célebre diagnóstico do Brasil atribuído a Charles de Gaulle: o Brasil não é um país sério. Aqui no Brasil "tudo acaba em pizza", como diz um adágio popular.

(...)




Por definição: o “jeitinho” brasileiro representa, em uma expressão de fácil entendimento, a malandragem histórica do nosso povo. Malandragem com a qual temos contato desde pequenos e ouvimos constantemente nos meios de comunicação e, indiretamente, presenciamos nos atos das pessoas. Há quem tenha orgulho do “jeitinho”, que por ser tão comum, até prefiro omitir as aspas. No entanto, a idéia do malandro está associada à esperteza, como se houvesse algo de esperto em dizer “odeio político ladrão, mas se estivesse no poder, também roubaria”. O cidadão heroicamente afirma que tem orgulho de ser brasileiro e por isso naturalmente faz uso do jeitinho, mas não percebe que esta “marca nacional” é uma das impulsoras do nosso regresso.


Esses dois últimos anos foram marcados pela corrupção explícita. A dúvida que fica é se vamos assistir a mais momentos corruptos ou se veremos esse câncer se extinguir. De fato, a corrupção não vai acabar, ela é inerente a todos os povos. E não é difícil de imaginar que não são apenas nós que somos ‘espertinhos’. No mundo, há muitos outros povos que também seguem a mesma linha de conduta individualista que seguimos, todavia há lugares onde isso é minimizado. Por quais motivos? Talvez uma melhor eficiência da Justiça ou uma boa consciência coletiva. É difícil definir porque o jeitinho é um fantasma abstrato que nos rodeia, mas traz problemas bem concretos.


Na prática, o jeitinho é uma maneira da pessoa se colocar entre o certo e o errado. Ela sabe que o que está fazendo não é moralmente correto, mas perdoa a si mesmo porque também sabe que estará saindo na vantagem. Assim, qualquer transgressão é justificada, e a pessoa vai vivendo seguindo a Lei de Gérson: “O importante é obter vantagem em tudo”.


Aquele velho papo de que os valores estão invertidos – ou subvertidos – fica ainda mais presente. Qualquer ato que deveria servir como exemplo de moralidade torna-se inútil, pois a sociedade chega a ponto de ser tão materialista que ignora a ética, a moral e outros valores que não são palpáveis. A partir daí, o convívio social vira algo desregrado, e não estou falando de leis, estou falando de sensibilidade coletiva. Muitas leis não seriam necessárias se as pessoas tivessem a noção dos seus limites, obedecendo a liberdade dos outros.


A diferença entre o jeitinho brasileiro e o “jeitinho internacional” é que agregamos essa malandragem como característica cultural do Brasil, assumindo uma postura diferente e orgulhosa de detonar os outros, que somos nós mesmos. E a política? Nesse caso a situação piora quanto notamos que os governos – ou detentores do poder, de uma forma geral – são tão desregrados quanto nós. Aí, o mau exemplo da política torna a sociedade um caos, onde as pessoas sacaneiam por uma questão, digamos, de sobrevivência moral.


Considerar que só porque diversos políticos roubam ser uma explicação razoável para exercer o jeitinho, mesmo em coisas menores do que superfaturar uma ambulância, é mergulhar de cabeça em um círculo vicioso do qual ninguém quer intervir, todos querem participar e muitos sofrem com isso.


Ter orgulho do jeitinho é, sem mais, aceitar toda a situação presente que adoramos criticar. Sei que roubar uns milhões é diferente de subornar um policial, mas ambas as situações estão no mesmo patamar ético, partiram de uma mesma iniciativa extremamente egoísta. Viver na surdina, burlar as regras, fazer vista grossa às normas e muito mais podem até dar um gosto de aventura, entretanto deve-se perceber que exaltar o individual em detrimento do coletivo é uma forma ignorante de suicídio. Sem notar, a sociedade vai cortando seus pulsos de pouquinho em pouquinho. Numa morte lenta e deliciosamente terrível.
Adriano Senkevics

http://criticasereflexoes.blogspot.com/2007/11/jeitinho-brasileiro.html

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O jeitinho brasileiro está presente no cotidiano das pessoas como uma forma de obter um rápido favor para si, às escondidas, e sem chamar a atenção; por isso, o jeitinho pode ser também definido como "molejo", "jogo de cintura", habilidade de se "dar bem" em uma situação "apertada”, onde a versatilidade é o ponto ideal para encontrar os resultados desejados em curto prazo, principalmente porque quando se fala em jeitinho, a primeira coisa que vem à mente é algo como: suborno, esperteza, ambição.

Mas, nem todo jeitinho é negativo, podendo ser também visto de uma perspectiva positiva. Por outro lado, o jeitinho coloca o sujeito que o pratica em situação de troca, por se sentir obrigado a retribuir o favor recebido, para que não seja chamado de “ingrato” ou ser reconhecido como aquele sujeito que “cuspiu no prato que comeu”.

Se, por um lado, a prática do jeitinho, encontra-se inserida no cotidiano das pessoas, o mesmo se dá nas organizações burocráticas, o que não é nenhuma surpresa, principalmente pelo formalidade existente nessas organizações, que por ser extremamente racional e impessoal, leva o individuo a lançar mão do “jeito”, permitindo a suspensão temporária da lei e das regras estabelecidas para atingir os seus objetivos. Para se pedir um jeitinho, são utlizados vocábulos “carinhosos”, pois agindo de maneira contrária é provável que não consiga sucesso. Mas, essa não é a única maneira de definir o jeitinho brasileiro, pois nem todo jeitinho é negativo, já que, o mesmo pode ser visto tanto de uma perspectiva negativa ou positiva. O lado negativo do jeitinho está presente naquela situação em que o sujeito tenta conseguir a solução de algum problema através da transgressão de uma norma, ou simplesmente transgredindo os princípios morais para defender seus interesses.
O que caracteriza a passagem do negativo para o positivo é tipo de relação existente entre as pessoas envolvidas. Essas relações existentes entre jeito e favor podem ser consideradas normais já que pedir um favor não transgride regras preestabelecidas, enquanto que o "jeito" transmite a idéia de infração, o que conseqüentemente, é preciso dar um jeito para não haver punição.
Assim, justificamos os nossos atos: se pudermos pagar menos impostos a um governo que não devolve aos seus contribuintes os benefícios a que faz jus, por quê fazê-los?
O jeitinho brasileiro está inserido em outros universos, tais como: familiar, sexual, emocional, financeiro; em outras esferas o jeitinho torna-se difícil por ir de encontro a situações que podemos chamá-las de força maior, e aí, incluiríamos as doenças, os acidentes e a morte.
Alguns fatores são considerados quando se desejar praticar o jeitinho: o status, a maneira de vestir e o dinheiro; esses fatores não são decisivos, principalmente porque podem ser vistos de forma autoritária e de poder .
Citando Roberto da Mata podemos comparar o jeitinho com a malandragem para identificar a relação existente entre um e outro. Daí pode constatar que tanto o personagem malandro como o ritual do jeitinho possui características semelhantes ; o malandro é conhecido pela engenhosidade, sutileza, destreza, carisma, lábia que permitem manipulação de pessoas ou resultados, de forma a obter o melhor destes, e da maneira mais fácil, o que também acontece com quem pratica o jeitinho.
Em suma , o “jeitinho” é um modo simpático, desesperado ou humano de relacionar o impessoal com o pessoal estando enraizado na cultura brasileira . Não tem jeito, é cultural.

http://www.administradores.com.br/artigos/o_jeitinho_brasileiro_de_ser_e_sua_influencia_no_diaadia_das_organizacoes/22249/

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( não consegui entender quem entrevista quem Rose)
E) Quais são os exemplos mais comuns do jeitinho brasileiro?

Jeitinho é o que chamamos essa flexibilidade do brasileiro para lidar com as regras, desafios e desigualdades que ele enfrenta todo dia. O jeitinho é patrimônio nacional e está presente na forma como o trabalhador informal tem jogo de cintura pra sustentar a família, na ginga das empresas ao contratar office-boys sexagenários como forma de se beneficiar da legislação e driblar as filas dos bancos, ou até na pior forma de jeitinho que é a que remete às práticas de suborno ou proveito de qualquer vantagem indevida para se obter benefícios.

(JE) É só no Brasil que isso acontece?

Se dermos uma olhada em como a nossa sociedade se formou e em como ela funciona, veremos que no Brasil os laços familiares e as relações de amizade são fundamentais para que seja possível ganhar o perdão de uma multa, passar na frente da fila ou conquistar um cargo em um orgão público – as regras acabam sendo ignoradas em favor da amizade. A aversão que temos à formalidade é outra característica: no dia a dia, por exemplo, nomeamos colegas de trabalho e até mesmo clientes com apelidos ou diminutivos (inho/a). No ambiente de negócios acaba existindo a preocupação de fazer com que a amizade adquira uma importância muito grande, algo totalmente incomum em países que prezam pela objetividade nas relações comerciais. Neste aspecto, levando-se em consideração a peculiaridade da nossa formação, somos ímpares no mundo.

(JE) Essas práticas só acarretam prejuízos ou não, por que?

É importante não estereotiparmos o “jeitinho” como algo unicamente ruim. O jeitinho tá no DNA cultural do Brasil e é uma forma interessante de fazer mais com menos e de ter a flexibilidade necessária para lidar com situações novas, algo por sinal, muito valorizado no mundo moderno. Eu diria que a parte em que isso nos traz um imenso malefício é quando nos referimos às práticas desonestas que quebram as regras, ativam a corrupção e causam prejuízos morais que acabam sendo absorvidos pela sociedade como sendo algo “normal” já que a prática se torna comum.

(JE) A impunidade faz com que as pessoas que gostam de seguir as regras sejam vistas de forma distorcida?

É certo que sim. O fato de a sociedade absorver certas práticas como algo que “faz parte do jogo” contribui para que a população tenha uma “indignação passiva” incapaz de gerar algum tipo de mobilização ou de mudar o comportamento das pessoas que se sentem indignadas. Num ambiente desses, qualquer pessoa que queira fazer a coisa certa vai se sentir exceção e vai trazer um desconforto grande pra sociedade.

(JE) O jeitinho brasileiro contribui para o não cumprimento das leis?

O mau jeitinho sem dúvida contribui. Ele existe pra driblar a regra, pra gerar favorecimentos e pra criar exceções. Se a lei que é criada pra regular as práticas e igualar os cidadãos não é respeitada, toda a expectativa criada em torno de uma maior justiça social fica comprometida.

(JE) E por falar em leis, aqui no Brasil, elas são coerentes com o modo de viver, com a cultura?

O problema está muito menos nas leis e muito mais no brasileiro. Se a cultura da indisciplina, do favorecimento ilícito e da falta de ética é aceita pelo senso comum da população é pouco provável que se consigam fazer leis adequadas a essa realidade. É um grande erro pensar que o exemplo deva vir de cima antes de começarmos a agir. Cabe a cada brasileiro individualmente a responsabilidade ética pela construção de um país diferente.

http://pecademissaoevatrabalhar.wordpress.com/2008/02/08/o-bom-jeitinho-brasileiro-entrevista/

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