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segunda-feira, 26 de março de 2012

Utopia e distopia

Inspirada em um link do Leitura em companhia, pesquisei sobre o tema e considerei bem interessante. Segue uma coletânea para leitura, reflexão e ampliação dor repertório.

sábado, 10 de dezembro de 2011

Modelo de artigo de opinião

Como não justificar a filosofia

Desidério Murcho
Universidade Federal de Ouro Preto
Uma confusão comum no que respeita à justificação da filosofia é que muitas vezes o que se visa, sem que a pessoa se aperceba disso, não é exactamente a justificação da filosofia.
É importante distinguir cinco ideias bastante diferentes: 1) a justificação fraca da actividade filosófica; 2) a justificação forte dessa actividade; 3) a justificação do ensino da filosofia; 4) a justificação do ensino obrigatório da filosofia; e 5) a justificação do financiamento da filosofia com o dinheiro dos contribuintes.
A justificação fraca da actividade filosófica é muito simples: há pessoas que gostam de fazer isso, e ninguém tem o direito de interferir, em condições comuns. Do mesmo modo, o que justifica a prática, tão comum, de ficar em casa a beber cerveja e a ver futebol, ou de ficar a ver telenovelas, é que as pessoas gostam de fazer isso e ninguém tem o direito de interferir, em condições comuns.
Evidentemente, esta é uma justificação muito fraca; podemos desejar saber se, para lá do mero gosto pessoal, tais práticas são recomendáveis à luz da nossa reflexão mais ponderada. Neste caso, a filosofia sai-se bastante melhor do que a maior parte das coisas a que tanta gente dedica tanta energia e tempo na sua vida (às vezes parece até que as pessoas são imortais, ou se julgam imortais, dado perderem tanto tempo com actividades que elas mesmas irão desprezar cinco anos depois). A filosofia sai-se bastante melhor do que muitas outras actividades precisamente por ser uma actividade tão estimulante e cognitivamente relevante; ajuda-nos a compreender melhor vários aspectos importantes da realidade que de outro modo não compreendemos, e é um desafio permanente às nossas capacidades cognitivas. Quem tem uma curiosidade intelectual profunda por certo tipo de problemas insusceptíveis de resposta científica, sente-se fascinado pela filosofia e dedica-se-lhe com gosto, fazendo do seu estudo a parte mais importante da sua vida. Quem o faz tem certamente o direito de o fazer e ninguém tem o direito de interferir, em condições comuns. Evidentemente, o mesmo se aplica a quem não o faz e despreza a filosofia, preferindo ficar a ver hóquei em patins na televisão.
Quando se procura justificar a filosofia publicamente, contudo, não é isto que pode estar em causa — pois é demasiado óbvio que quem quiser fazer filosofia tem o direito de o fazer, em condições comuns. O que está em causa é a justificação do ensino da filosofia. Mas também aqui, se não distinguirmos 3 de 4, a justificação é óbvia: se há quem quer ensinar filosofia e há quem quer aprender filosofia, ninguém tem o direito de interferir, em condições comuns. Nada há de tão especial para justificar porque a justificação parece óbvia, e é óbvia.
Os verdadeiros problemas da justificação da filosofia surgem em 4 e 5: não é óbvio que as pessoas devam pagar do seu bolso, através dos seus impostos, o ensino de algo que desprezam, nem que seja legítimo que os seus filhos sejam obrigados a estudar filosofia, quer queiram quer não, durante dois anos. Contudo, se olharmos para as coisas desapaixonadamente, não vemos uma diferença crucial entre tantas outras disciplinas obrigatórias nos planos de estudos das crianças e jovens e a filosofia. Na verdade, se compararmos a filosofia com muitas outras das chamadas “humanidades”, a filosofia tem um rigor, sofisticação e relevância cognitiva que muitas das outras não têm. E se estes aspectos contam para esta discussão, e devem certamente contar, então a justificação da filosofia não é particularmente difícil.
É certo que obrigar as pessoas a financiar algo que desprezam, por meio dos seus impostos, e obrigar os seus filhos a ter aulas de algo que consideram irrelevante, está longe de ser facilmente defensável. Mas se atacamos a filosofia devido a tal coisa, temos de atacar tantas outras disciplinas precisamente devido ao mesmo. E, neste caso, a solução óbvia, que hoje não é óbvia porque herdámos o dogma do ensino financiado publicamente, é a completa liberalização e privatização do ensino. Desse modo, cada escola ofereceria aos alunos currículos diferentes, e os pais escolheriam o que considerassem melhor, e financiariam as suas escolhas apenas. O ensino seria diversificado e a qualidade melhoraria quase inevitavelmente porque haveria competição entre escolas e professores para fazerem algo que os pais e as crianças e jovens valorizassem. Mas o sonho da completa liberalização e privatização do ensino demorará a ser alcançado — lembrando todavia que só a cegueira histórica faz as pessoas pensar que tal coisa é inalcançável, uma vez que até há muito pouco tempo todo o ensino era privado e nem por isso as pessoas deixavam de estudar. Pode ser verdade que um ensino publicamente financiado seja um passo necessário para cumprir o ideal iluminista de levar a educação a todos, mas certamente não era um ideal iluminista que tal ensino fosse dirigista, centralizado, igual para toda a gente e pensado de cima para baixo; e agora que atingimos o ideal de levar o ensino a todos, é tempo de repensar, sem preconceitos, o modo como financiamos e organizamos o ensino. Mas isto é outro tema; o que importa é que se aceitamos o financiamento público e a obrigatoriedade de tantas outras disciplinas, só um profundo desconhecimento das coisas pode fazer pensar que a filosofia é de algum modo cognitivamente deficitária face às outras áreas curriculares.
Curiosamente, a justificação da filosofia por parte de quem depende dela para viver não é isenta de hipocrisia. Fala-se por vezes como se sem a obrigatoriedade da filosofia no ensino secundário fosse o caos, a barbárie e a miséria; mas isto é falso, pois muitos dos mais desenvolvidos e civilizados países do mundo não têm filosofia como disciplina obrigatória no ensino secundário, e têm departamentos de filosofia bem menores, nas universidades. Ironicamente, alguns países que têm departamentos de filosofia de dimensão desproporcionalmente grande, relativamente a outros, têm uma produção filosófica irrelevante e incomparável com as dos países que têm departamentos de filosofia mais magros e esparsos. De modo que uma parte importante das defesas mais histéricas da filosofia, por parte dos profissionais da área, os professores de filosofia, é apenas a defesa encapotada do seu interesse em ganhar bem e sair cedo, sem nada devolver de valor aos contribuintes que lhes financiam a vida folgada.
A hipocrisia talvez resulte da genuína perplexidade quanto ao real valor da filosofia. Afinal, a esmagadora maioria dos professores de filosofia não parece ter realmente escolhido a sua profissão; o indício favorável a esta asserção é que fazem exactamente o mínimo que for possível fazer sem serem despedidos: não se interessam por livros nem revistas da sua área, dedicam muito mais tempo a actividades paralelas do que à filosofia ou ao seu ensino, e entusiasmam-se muito mais a falar de qualquer inanidade da vida contemporânea do que de filosofia.
E, no entanto, a justificação da relevância cognitiva da filosofia é ridiculamente simples — desde que se conheça razoavelmente a filosofia. Basta dar alguns exemplos e mostrar que em filosofia estudamos problemas reais e importantes, e que a única esperança de ter respostas amplamente consensuais para eles, como acontece nas ciências, é tentar ter respostas amplamente consensuais para eles, pelo que é uma boa ideia continuar a tentar. Além disso, compreendemos muito melhor um problema importante depois de o estudar e de estudar as diferentes tentativas de resolução, mesmo que não tenhamos chegado a resultados amplamente consensuais. O nosso alargamento cognitivo é justamente valorizado pelos seres humanos — pelo menos, por aqueles que não se renderam ainda completamente às inanidades televisivas — e a filosofia tem desempenhado um papel fundamental nesse mister. Esta é a justificação apropriada da filosofia.
Desidério Murchohttp://criticanarede.com/justificar.html

segunda-feira, 29 de agosto de 2011

Proposta de dissertação. Analise as viagens espaciais.



Aliens podem destruir a humanidade para proteger outras civilizações, dizem cientistas da Nasa

Do UOL Ciência e Saúde
"O contato com extraterrestres seria um benefício ou preocupação para a humanidade? Um cenário de análises" é um artigo publicado por cientistas da Nasa. No texto, eles defendem que a crescente emissão de gases do efeito estufa pode mostrar para os ETs que nós somos uma ameaça em expansão.
Segundo eles, os aliens podem estar acompanhando as mudanças na atmosfera da Terra como um indício   de que nossa civilização está crescendo sem limites e podem tomar ações drásticas para que não nos tornemos uma ameaça grave.
Este é um dos diversos cenários descritos pelos cientistas, que apesar de acreditarem ser improvável, acham importante preparar a humanidade para o contato. Eles dividem as hipóteses em três categorias: benéficas, neutras e alarmantes.
As boas vão da mera detecção de inteligência extraterrestre, por exemplo, pela interceptação de comunicação alien, a contato com organismos cooperativos, que podem ajudar a avançar nossos conhecimentos e resolver problemas globais como a fome, pobreza e doenças.
Outro bom resultado seria vencer um grupo de ETs agressores ou até sermos salvos por outro grupo de aliens. Neste caso, os humanos além de sair com a moral mais alta pela vitória, ainda poderiam conhecer a tecnologia extraterrestre.
Os resultados mais desagradáveis surgiriam se eles causassem danos à humanidade, mesmo que por acidente. Os ETs poderiam chegar para nos comer, escravizar ou atacar, mas as pessoas poderiam sofrer ainda doenças aliens. Eles poderiam ainda querer realizar experiências catastróficas que poderiam dizimar uma parte da galáxia.
Para reforçar as chances de sobrevivência da humanidade, os pesquisadores pedem cautela no envio de sinais para o espaço, e em particular, alertam contra difusão de informação sobre a nossa constituição biológica, o que poderia ser usado para fabricar armas. Em vez disso, qualquer contato com ETs deve ser limitado ao discurso matemático "até que tenhamos uma ideia melhor do tipo de ET que estamos lidando", disseram os autores.
Os extraterrestres podem ser cautelosos com civilizações que se expandem muito rapidamente, uma vez que estas podem estar propensos a destruir a vida de outros à medida que crescem, assim como os seres humanos levaram à extinção espécies na Terra. No cenário mais extremo, aliens podem optar por destruir a humanidade para proteger outras civilizações.
Por isso, eles alertam para a diminuição na emissão de gases do efeito estufa, que alteram a atmosfera da Terra, que pode ser vista do espaço, e indicaria para os extraterrestres que nossa civilização está em expansão.  Se já temos motivos suficientes para evitar a emissão dos gases para preservar a vida no planeta, acabamos de ganhar mais um!
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''Explorar o espaço terá um efeito ainda maior; mudará completamente o futuro da raça humana e talvez determine se temos de fato algum futuro. Isso não vai resolver muitos de nossos problemas imediatos na Terra, mas nos dará uma nova perspectiva sobre eles e nos levará a olhar tanto para fora como para dentro. Com sorte, explorar o espaço poderia nos unir para enfrentar um desafio comum.

Essa seria uma estratégia de longo prazo - e por longo prazo entendo centenas ou mesmo milhares de anos. Poderíamos ter uma base na Lua dentro de trinta anos, alcançar Marte em cinqüenta anos, e atingir as luas dos planetas mais externos em duzentos anos. Com "alcançar" quero dizer vôos espaciais tripulados. Já mandamos um veículo não tripulado e pousamos uma sonda em Titã, uma das luas de Saturno, mas se considerarmos o futuro da raça humana, temos de ir até lá nós mesmos.

Ir para o espaço certamente não vai ser barato, mas exigirá só uma pequena proporção dos recursos mundiais. O orçamento da Nasa permaneceu grosso modo constante em termos reais desde a época dos pousos da Apollo, mas decresceu de 0,3% do PIB dos Estados Unidos em 1970 para 0,12% hoje. Mesmo que aumentássemos vinte vezes o montante gasto em empreendimentos espaciais internacionalmente, isso seria apenas uma pequena fração do PIB mundial.

Haverá quem argumente que seria melhor gastarmos nosso dinheiro resolvendo os problemas deste planeta, como a mudança climática e a poluição, em vez de desperdiçá-lo em uma busca possivelmente infrutífera por um novo planeta. Não estou negando a importância de combater a mudança climática, mas podemos fazer isso e ainda poupar um quarto de 1% do PIB mundial para o espaço. Nosso futuro não vale um quarto de 1%?
(...)
Há cerca de mil estrelas dentro de uma distância de trinta anos-luz da Terra. Se apenas 1% de cada uma delas tivesse planetas do tamanho da Terra na zona habitável, teríamos dez candidatos a novos mundos.

Com a tecnologia atual, seria possível revisitar nosso planeta, mas a viagem interestelar seria ainda uma meta de longo prazo, nos próximos duzentos a quinhentos anos.

A raça humana existe como espécie separada há cerca de 2 milhões de anos. A civilização teve seu início cerca de 10 mil anos atrás e a taxa de desenvolvimento tem aumentado regularmente. Mas, para que a humanidade continue existindo por mais 1 milhão de anos, teremos de ousar ir aonde ninguém jamais foi.

Stephen Hawking é astrofísico e catedrático da Lucasian Chair de Matemática na Universidade de Cambridge, Inglaterra

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Com Ciência - A pesquisa científica relacionada com o espaço tem sido tradicionalmente conduzida pelos países desenvolvidos. O sr. acredita que esta área tecnológica pode trazer benefícios sociais para os países mais pobres?
José Monserrat Filho - A Era Espacial começou em 4 de outubro de 1957 com o lançamento ao espaço do primeiro satélite feito pelo homem, o Sputnik, da ex-União Soviética. A conquista do espaço, portanto, começou há cerca de 44 anos. Neste período, é ainda relativamente muito pequeno o número de países com capacidade para realizar atividades espaciais e promover pesquisas científicas e tecnológicas sobre o espaço. Dá para contar nos dedos os países com capacidade para efetuar lançamentos espaciais: EUA, Rússia, França, China, Japão, Índia, Israel. O Brasil talvez venha a ser o próximo, se a terceira tentativa de lançamento do VLS (Veículo Lançador de Satélites) tiver êxito, este ano ou em 2002. Na realidade, a maioria absoluta dos lançamentos é feita pelos EUA, França/Europa, Rússia e China. O número de países que dominam a tecnologia de construir satélites é um pouco maior, mas não muito; anda em torno de 20, e aí, sim, entra o Brasil, que já produziu dois satélites de coleta de dados (SCD-1 e SCD-2), postos em órbita pelo foguete norte-americano Pegasus, da Orbital Sciences, e um satélite de sensoriamento remoto, em cooperação com a China, o CBERS (Chinese-Brazilian Earth Resources Satellite), lançado pelo foguete chinês Langa Marcha. Tem sido uma luta para fazer com que os benefícios do sensoriamento remoto (observação da Terra), por exemplo, cheguem à legião dos países em desenvolvimento, que certamente muito ganhariam com isso. Ocorre que uma das coisas mais difíceis no mundo de hoje é a transferência de tecnologia espacial. Assim, o homem penetra no espaço deixando atrás de si um planeta dividido entre um punhado de países que dominam a ciência e a tecnologia espaciais e os outros, mais de 150, cada vez mais distantes dos novos conhecimentos e técnicas dessa área estratégica

Com Ciência - Quais seriam as aplicações mais interessantes deste conhecimento para o Brasil?
Monserrat - Creio que os países pobres não deixarão de ser pobres enquanto não gozarem dos benefícios das tecnologias espaciais e enquanto não puderem participar de alguma forma das pesquisas científicas de ponta, entre elas as que se defrontam com os caminhos e os enigmas do Universo. As tecnologias espaciais permitem que os países tenham modernos sistemas de comunicação, conheçam e administrem melhor suas riquezas em todos os setores, e contem com competentes serviços de previsão do tempo. O Brasil é um país de dimensões continentais e óbvia vocação espacial. Impossível mapear, monitorar e aproveitar nosso vasto território, nossa imensa costa e nosso variadíssimo patrimônio de recursos naturais, de forma eficiente e sistemática, sem dados de satélite. Já fizemos muito em diferentes áreas das ciências e das tecnologias espaciais. Mas poderíamos ter feito muito mais. Formamos muita gente boa durante décadas, algo excepcional, embora depois tenhamos perdido grande número de especialistas e pesquisadores como resultado de uma política salarial perversa. Creio que o setor espacial ainda não tem a prioridade que poderia e deveria ter entre nós. Basta confrontar o Brasil e a Índia, cujas atividades espaciais começaram juntas, no começo dos anos 60. Hoje, a Índia está bem adiante de nós.
"A órbita geoestacionária é um recurso valiosíssimo e limitado. Não há lugar para todo mundo."



http://www.eca.usp.br/njr/voxscientiae/sandra_marao_45.htm

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O núcleo humano

http://zelmar.blogspot.com/2011/08/o-nucleo-humano.html

domingo, 28 de agosto de 2011

A desigualdade global



Mino Carta*

Frases feitas afirmam-se periodicamente. Depois da queda do Muro de Berlim vingou a ideia de que também ruíra a ideologia como se a nova crença não fosse altamente ideológica. No momento, se você observa que nem tudo no Brasil anda às mil maravilhas, ouvirá de bate-pronto que o mundo inteiro está em crise. Alguém acrescentará: nesta moldura de franca decadência, até que nós estamos em condições menos graves. Em parte, é verdade. Factual, como indicam os índices de crescimento do País, ainda bastante razoáveis.
No imanente e no contingente, verdades factuais de diversos pesos têm de ser registradas, a começar pela crise econômica e financeira e pelas responsabilidades dos senhores da Terra, impávidos na repetição dos erros que provocaram o desastre de 2008 e que, três anos depois, precipitam a recaída. Recaídas sempre agudizam a doença.
Há, em contrapartida, os avanços científicos e tecnológicos. São passos importantes, e mesmo assim têm duas faces como Janus bifronte, e se prestam a aprofundar as desigualdades, em um mundo que se povoa de velhos nos países ditos ricos e cresce à desmesura nos países pobres. Somos hoje 7 bilhões de terráqueos e seremos 10 bilhões em poucas décadas. Pergunta óbvia e imediata: haverá comida para todos? Surgem, porém, outras perguntas, igualmente pertinentes: qual será o tamanho da contribuição desse aumento populacional ao desequilíbrio ambiental? Previsões sombrias: as temperaturas crescerão 4 graus. Ah, sim, vai faltar água.
Estamos de acordo quanto ao fato de que George Orwell foi um infatigável pessimista. Leonardo da Vinci imaginou o helicóptero, Verne o submarino, Orwell o Grande Irmão, a nos espreitar dia e noite. Os três anteciparam os eventos. Propuseram o teorema e o provaram. Talvez valha considerar como a evolução tecnológica e a chamada cultura de massa acabaram por dar razão a Orwell. A humanidade bombardeada pelas versões midiá-ticas comandadas pelos Murdoch da vida, titulares e aspirantes, espionada até nos recessos mais recônditos, tolhida fatalmente à prática do espírito crítico, emburrece em progresso inexorável.
O seguinte quesito exige uma resposta rápida: anima-nos constatar que líderes globais se chamem Cameron, Sarkozy, Obama, Berlusconi, Merkel etc. etc.? Houve tempos melhores, e eis mais um sinal da decadência, sem falar de Trichet, Bernanke e companhia. Sim, o mundo é cada vez mais medíocre, para não dizer incompetente. Inepto em geral, e mesmo na inépcia, desigual. Não me refiro, está claro, à desigualdade econômica e social ou mesmo estética, como se tivesse a pretensão de comparar o Sambódromo carioca com o Coliseu, a anacrônica Sé de São Paulo com a Catedral de Chartres.
Jean Clair, o mais importante crítico de arte francês, acaba de publicar um livro em que investe contra a chamada arte contemporânea. Digamos, ao acaso, a do inglês Hirst, que vende por 12 milhões de dólares um cadáver de tubarão mergulhado em um cubo de vidro cheio de formol, a fingir uma intacta ferocidade. Clair denuncia os assassinos da arte, de fato mestres em marketing. Na Europa, instigado pela própria crise, desenrola-se um intenso debate sobre a validade de empulhações variadas propostas por bienais e outras tertúlias pretensamente artísticas, e sobre os preços impostos pelo mercado em delírio. Por aqui, continuamos a importar vezos, modas, besteiras inomináveis.
O Reino Unido produz uma televisão como a BBC, aqui é a treva. Quem se der a comparar os jornalões nativos com The Guardian ou o La Reppublica não poderá deixar de cair em depressão. Também não são nativos os irmãos Coen, Seamus Heaney ou Philip Roth. Em compensação os nababos brasileiros, sobretudo paulistanos, assemelham-se aos emires do Golfo, e um dos países de pior distribuição de renda do mundo baseia em São Paulo a segunda maior frota de helicópteros do globo.
A maioria dos brasileiros não possui a consciência da cidadania e até hoje 1% da população é dona de 50% das terras férteis. Temos um povo resignado e uma elite, salvo raras exceções, exibicionista, ignorante, mal-educada e terrivelmente provinciana. Não é assim em outros cantos, e são estes pontos que convém ressaltar se o assunto é a desigualdade global. E o Brasil, sempre para ficar nos exemplos, é também o país onde um assassino contumaz como Cesare Battisti recebe asilo e, no momento, do Ministério da Justiça os documentos que o habilitam como livre cidadão a viver e trabalhar entre nós.
Não é por acaso que quaisquer estudos, pesquisas e estatísticas sobre o ensino no Brasil exibem a precariedade do próprio. No fundo, o Caso Battisti é, antes de mais nada, a prova de uma enorme, abissal ignorância, exibida à larga, até com empáfia, em nome da soberania nacional. Avulta a ignorância de autoridades, juristas e juízes (?) que ao enfrentarem o problema nem se dignaram a inteirar-se da história da Itália do pós-Guerra.
Encerrado o lamentável capítulo, na esteira acaba de vir a derradeira decisão: turistas italianos poderão permanecer 90 dias por ano, improrrogáveis, em lugar dos 180 dias anteriores, proporcionados a todos os europeus. Soa como represália aos protestos de Roma, retoque final à altura da história toda.
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* Mino Carta é diretor de redação de CartaCapital. Fundou as revistas Quatro Rodas, Veja e CartaCapital. Foi diretor de Redação das revistas Senhor e IstoÉ. Criou a Edição de Esportes do jornal O Estado de S. Paulo, criou e dirigiu o Jornal da Tarde.

Diplomata chama indianos de "sujos e escuros" e causa mal-estar


PROPOSTA DE CARTA.


DE SÃO PAULO
Uma diplomata americana na Índia causou um mal-estar diplomático depois de dizer na sexta-feira que a falta de banho a deixou com a pele "suja e escura" dos indianos, segundo informação do jornal indiano "Economic Times".
"Eu estava em uma viagem de Delhi para Orissa que deveria durar 24 horas. Mas depois de 72 horas o trem não chegou até o destino... e minha pele ficou suja e escura como a dos indianos", disse a vice-cônsul americana, Maureen Chao.
No discurso à Universidade SRM, Chao se lembrava da sua época de estudante. "Cerca de 20 anos atrás, eu era uma estudante como vocês e tive a oportunidade de fazer um semestre no exterior. Eu escolhi vir à Índia, fascinada pela cultura e pela religião. Eu viajei pelos vilarejos para entender melhor a cultura. Eu fiquei impressionada pela graça e simpatia do povo."
O jornal "Los Angeles Times" disse que, segundo pessoas presentes no local, os estudantes aplaudiram o comentário.
"Todos no auditório acharam que era para ser um comentário espirituoso. É normal que os estudantes aplaudam quando é feito um comentário sobre o grupo", disse o diretor de relações internacionais da universidade, T.V. Gopal.
No entanto, o comentário desagradou a alguns. O fundador do Partido PMK, S. Ramadoss, pediu ao governo que expulsasse a diplomata do país.
"[O que ela disse] é altamente condenável. Os indianos são excepcionais em muitas áreas, incluindo tecnologia da informação, surpreendendo inclusive os americanos. Não se pode tolerar que uma funcionária do governo dos EUA diga isso". afirmou Ramadoss em um comunicado, de acordo com informação divulgada pelo "Times of India".
Outros grupos políticos, incluindo o Partido Comunista, pediu que a diplomata se retirasse do consulado, de acordo com informação do "Daily News".
O consulado americano em Chennai, capital do Estado Tamil Nadum se pronunciou sobre o incidente. "Durante o discurso, Chao fez comentários inapropriados." No website, o consulado disse que a vice-cônsul pede desculpas se ofendeu alguém, pois essa não era sua intenção.

Exercícios de realismo/naturalismo

http://vestibular.com.br/revisao/realismo-e-naturalismo

Exercícios de gramática normativa. Para a Maysa e Andressa


LEON NIKOLÁIEVITCH TOLSTÓI por João Armando Nicotti
O nome Leon Tolstói sugere considerações importantes em relação a outros nomes da literatura russa: sua obra surgiu,nas palavras de um crítico, a partir das denominadas escolas puchikiniana e gogoliana. Foi contemporâneo de Turguêniev, Dostoiévski, Gonchárov e Saltikóv-Schedrín; apreciou O herói de nosso tempo, de Liérmontov; ao reler A filha do capitão, de Púchkin, enfatizou que a psicologia dos personagens ficara em segundo plano e, mais tarde, estabeleceu estreitas relações com Korolénko, Tchekhov e Górki, a geração posterior. Suas primeiras obras (1852-1857) abrangem as épocas de sua vida: Infância,Adolescência Juventude. Em seguida, sua participação em guerras (Cáucaso e Criméia) fica registrada também, na literatura. A partir de então, Tolstói, longe da carreira militar e tendo como preceptor Iván Turguêniev, investe na literatura, na educação, e concentra-se, também, nos problemas existenciais, sociais e filosófico-religiosos do homem russo. Idealiza uma sociedade russa (similar à apresentada em Os cossacos, 1864) em que todos desfrutem do mesmo plano de igualdade; constrói um vasto painel da vida russa a partir da invasão napoleônica em Guerra e paz (1863-1869) e discute a infidelidade conjugal num mundo hipócrita da alta sociedade russa e a morte em Anna Kariênina(1877), tema este reincidente e específico em títulos como A morte de Ivan Ilitch Sonata a Kreutzer. O leitor de Tolstói, em especial o de Guerra e paz  Anna Kariênina, é absorvido pela complexa rede de interesses e jogos psicológicos que confirmarão o destino de cada protagonista. O liame entre autor e leitor se fecha na tentativa deste de se compreender um pouco mais no cenário da existência humana. Tolstói foi um pensador da sociedade russa: escreveu sobre a repressão czarista (Não posso calar!, 1908), discutiu os ditames da Igreja (A confissão, 1882, ePadre Sérgio, 1911), sugeriu um modelo pedagógico novo para a educação (Abecedário, 1872) e buscou critérios para uma definição de arte (O que é a arte?, 1898). Expulso da Igreja Ortodoxa russa, em 1901, Tolstói pregava um cristianismo novo, desligado do dogmatismo eclesiástico a partir da transformação interior do indivíduo. Em Ressurreição, a espiritualização renovada em seus protagonistas deveria ser, segundo o desejo do autor, extensiva a todo o povo da Rússia. Com a chegada do século XX, Tolstói almejava uma nova vida para os injustiçados sociais, na perspectiva de reconciliação do bem, da moral reavaliada e da bondade acima de tudo. Sua obra como um todo enfatizou a vida e suas diferentes formas de amor, assim como apresentou, na essência de personagens como Anna Kariênina, Vronski, Liêvin, Ivan Ilitch, Guerássim, Políkushka, André Bolkonski, Natacha Rostov e Evgueni Irténiev, as manifestações problematizadas frente à vida e à morte, eternizando esse dualismo que compõe o grande mistério da condição humana.
Guia de Leitura – 100 autores que você precisa ler é um livro organizado por Léa 
Masina que faz parte da Coleção L&PM POCKET.
http://www.lpm-blog.com.br/?p=10544

Para o Vítor, uma crõnica. O lixeiro feliz, de Antonio Caetano.



O lixeiro vem cantando um samba na madrugada chuvosa, todo de laranja da capa que o cobre contrastante como um monge pop no asfalto da sua cor.
Vai acrescentando nobreza ao gesto que repete simples de varrer uns montinhos de lixo para dentro de uma pá e atirá-los no latão de plástico que manobra, ágil. A voz que ecoa o samba anima o corpo de leveza e olhando nem parece que ele canse, menino brincando de ser lixeiro, feliz da vida como se vadiasse.
Não distingo a letra e nem preciso, tão contente é a voz que entoa o samba, talvez de sua própria lavra, lixeiro passista disputando a primazia do enredo deste ano em algum bloco de subúrbio ... Quem sabe? "E se soubesse, o que saberia?" diria Fernando Pessoa...
Saberia, como eu sei, que o lixeiro é feliz. Porque se move assim, animado da própria voz, cheio de si, cantando seus sonhos na madrugada chuvosa.
Pois é, meu amigo Pessoa... Tu que sofreste o tormento de ser tantos, tu merecias um lixeiro assim cantando em tua rua - como também eu acho que mereço ganhar esta crônica de presente... Na rua da tabacaria não passavam lixeiros cantarolando sambas de madrugada. Isso pode ser tão triste, e ainda mais, se levas Kant muito a sério...
Imagino a rua da tabacaria muito branca e triste, sem mulatos, sem negros, sem sambas - só talvez o lamento longínquo de um fado a cantar essa nostalgia oceânica, essa tristeza funda de nunca sentir-se de todo presente, que é Pessoa e Portugal inteiro.
Intuo o peso dessa tristeza lusa nestes versos de "Tabacaria": "Come chocolates, pequena, come chocolates. Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates". Tristeza que, no entanto, se perde quando releio esses mesmos versos à brasileira.
O que quero dizer é que não me entristece saber que não existe mais metafísica no mundo do que o fato de existir e que toda grandeza reside nisso, em simplesmente existir agora, no chocolate que se come, na água que se bebe, no beijo que se dá, em tudo, enfim, que é sensível e presente.


http://www.cafeimpresso.com.br/Cronicas/2003/031027.htm

Leia o texto, faça uma paráfrase. Tema: o medo contemporâneo



Excelente texto! Leiam, reescrevam em paráfrase ( que não é resumo). ( abaixo, coloquei outro texto, cuja leitura é opcional. Trata do medo de não dar certo na vida).
A tese central do sociólogo Zygmunt Bauman no volumeConfiança e Medo na Cidade (Trust and Fears in the Cities, 2005) pode ser encarada como um prolongamento das conhecidas ideias de Gilles Lipovetsky sobre o individualismo contemporâneo. Vamos por partes. No livro que a Relógio d’Água agora editou, traduzido por Miguel Serras Pereira, Bauman reúne três breves ensaios em que procura diagnosticar as razões do medo que parece contaminar a vida nas nossas cidades. A questão, para o sociólogo, assenta num paradoxo em que apenas a origem é difícil de detectar, mas cujas consequências se adivinham com facilidade. Segundo ele, as medidas de segurança extrema que existem nas metrópoles contemporâneas servem, acima de tudo, para gerar mais medo, mais insegurança, pelo aumento do temor de perder os bens que tanto se procura proteger. Quanto mais se receia perder algo, mais se acredita que isso pode realmente acontecer. Não nos importamos com o que fica ao alcance dos outros, mas aquilo que abrigamos do olhar alheio torna­‑se logo mais precioso, apenas por causa da protecção que se entendeu atribuir­‑lhe. Para Bauman, os «actuais medos nasceram com a irrupção simultânea da liberalização e do individualismo, numa altura em que se já haviam tornado frouxos ou quebrado os laços de parentesco e de vizinhança que uniam com firmeza as comunidades e corporações» (p. 16).
A dissolução da solidariedade e a sua substituição pela competição entregam as pessoas aos seus próprios recursos, afastam­‑nas dos apoios da comunidade. Assim desamparado, um ser humano vê ressurgir temores ancestrais, sobretudo por compreender que cada vez contará menos com o auxílio da sociedade em que ainda se insere. Bauman tem toda a razão quando afirma que, «hoje em dia, com o advento da modernidade líquida, o fantasma mais aterrador é o representado pelo medo de ficar para trás» (p. 18). Ficar para trás não significa, como outrora, um afastamento provisório do mercado de trabalho, que admitia a esperança do regresso, mas a completa eliminação de qualquer papel na sociedade. Hoje, como nos lembra o autor, «cada vez mais, ouvimos certas pessoas dizerem de outras que essas outras são supérfluas» ou, utilizando «uma palavra cruel, inumana, inventada nos Estados Unidos, mas que se propagou como um violento incêndio por toda a Europa», desclassificadas. Este último vocábulo torna bem claro que aquele a que refere está já fora do sistema de classes, não porque este tenha sido abolido, mas porque o ser humano em questão não tem aí lugar. Perdeu­‑o ou nunca o teve, isso é pouco relevante, o que importa é que se está a dizer a alguém que ficou fora do mundo, não coube lá dentro, foi atirado para a margem, e a sua única utilidade reside em lembrar aos outros, às pessoas de bem, o que lhes pode acontecer se não se agarrarem suficientemente ao tipo de vida que levam.
De onde vem tudo isto? Para Bauman, «ao impor a modernização acelerada de lugares muito distantes, o grande mundo do comércio livre, da livre circulação financeira, criou uma enorme quantidade de gente supérflua, que perdeu qualquer meio de sustento e já não pode continuar a viver como o faziam os seus antepassados» (p. 75). As cidades sofrem, assim, uma fractura entre aqueles a quem não resta nenhuma esperança e os que se agarram com todas as forças à preservação do statu quo. Presos ao individualismo resultante da quebra dos laços comunitários, estes últimos desenvolvem um medo do desconhecido que tende a aumentar à medida que procuram proteger­‑se. A tendência, que bem conhecemos nas nossas cidades, consiste em procurar os iguais, em descobrir refúgio entre aqueles que também se encontram do lado de dentro da sociedade. Os condomínios fechados, claro, são o paradigma desse tipo de comportamento, que, por culpa da sua perversidade, não resolve nenhum dos problemas que se encontram na sua origem. Lembra Bauman que homogeneizar «os bairros, e reduzir depois ao mínimo inevitável todo o comércio e comunicação entre eles, é uma receita infalível para avivar e intensificar o desejo de segregar e de excluir» (p. 46). O sociólogo introduz, então, duas noções, ambas resultantes da proliferação da diversidade na metrópole actual, mas que representam duas atitudes opostas em relação a essa realidade. Trata­‑se da mixofilia e da mixofobia. Sendo a primeira «um forte interesse, uma propensão, um desejo de mistura com as diferenças, ou seja, com os que são diferentes de nós», e consistindo a segunda no temor dos «perigos que os desclassificados representam», o que conduz à recusa de contactar os estranhos e a uma reclusão continuamente reforçada por parte de muitos habitantes da cidade, natural se torna que Bauman proponha que deveríamos «fazer alguma coisa no sentido de aumentar a mixofilia e de reduzir a mixofobia» (pp. 82-83).
Simmel poderia ser aqui convocado, mas, ao ler os ensaios de Bauman, ocorreu­‑me mais A Era do Vazio (L'Ère du Vide, 1983), de Gilles Lipovetsky, publicado há anos na mesma colecção em que surgiu agora Confiança e Medo na Cidade. Nesse livro, Lipovetsky apontava a importância da sedução e do fascínio narcisista para o crescimento da indiferença e, consequentemente, do individualismo contemporâneo. É da desagregação dos laços sociais que se trata. Nada que não mereça uma detalhada reflexão, neste tempo em que se discute o futuro da segurança social e alguns jornalistas insistem em dar importância às reuniões conventuais de uns senhores que, declarando­‑se comprometidos com o país, vêm defender precisamente o aumento da indiferença e da distância social.

..............................................ESTE TEXTO É SÓ PARA LER ( SE TEMPO HOUVER).

O medo contemporâneo
O medo de não dar certo na vida tem cercado muitos jovens. Eu conversava com uma pessoa recentemente e ela me
dizia que já não tinha forças para conquistar seus sonhos e que se contentaria com a vida medíocre que ela poderia ter.
As pessoas costumam lamentar o próprio fracasso. Do que adianta sonhar e continuar dormindo? Sonhos, como eu disse
em um artigo anterior a este, são projetos de vida, se não o uní-los com disciplina do que nos servirá? Estaremos
dispostos a tal vida medíocre?
''Não podemos querer viver uma vida ensaiada, a vida não é uma pose para fotografia. A vida é uma viagem no qual a
bagagem deve ser proporcional à necessidade do viajante''. 
O mundo não está acostumado a aceitar suas derrotas e fazer delas uma escada para o sucesso. Porque para eles
parece mais fácil vencer o medo de não dar certo apontando para o erro dos outros do que vasculhando internamente a
própria essência. Vivemos competindo com os acertos dos outros, tentando superá-los, e com as falhas dos outros
tentando mostrar que não falhamos tanto. Sempre o outro o prato principal. E eu? Onde eu fico? -  Não se trata de
egocentrismo, mas de identidade. Fracassar faz parte da trajetória.
Descubra quem você é, escolha o que você quer, sonhe, mas compreenda as suas próprias escolhas. Uma pessoa
inteligente não se prepara para o sucesso, mas se prepara para o fracasso. Há uma frase muito conhecida que diz: ''os
desafios são inevitáveis, porém as derrotas são opcionais''. 
Shakespeare acertou ao dizer que o ser humano é ''essência de vidro''. Quebramos com facilidade, o que eu quero
dizer é que ninguém caminha sozinho. Nos tropeços da vida, você vai precisar de alguém para lhe amparar. 
A gente tem um exemplo perfeito dessa necessidade do outro, na trilogia O Senhor dos Anéis, no Retorno do Rei,
quando o frodo já cansado desmaia e o Sam, amigo de Frodo que o acompanhou durante toda essa jornada, olhou
para o amigo e disse: ''eu não posso carregar o anel, mas posso carregar você''. Colocou o amigo desfalecido nos
ombros e o levou até o local onde ele cumpriria sua missão. Foi uma das cenas mais lindas do filme.
Sua essência de vidro pode está ameaçada, sei que o vou dizer pode parecer impossível, mas não tenha medo do
fracasso. Estude, entre numa universidade, e corra atrás da sua realização profissional, mas não caminhe sozinho. Você
precisará de um ''Sam'' na sua vida. Esgote ao máximo suas possibilidades de realização. E depois você vai poder
dizer igual Adélia Prado: ''Eu não tenho tempo algum, porque ser feliz me consome!''
Não seja mais um; seja alguém!
Kellen Reis
http://www.kellenreis.com.br/index2.php?option=com_content&do_pdf=1&id=29


mAIS UM TEXTO OPCIONAL ( ACHO QUE MAIS P MIM MESMA)
http://pepsic.bvsalud.org/scielo.php?pid=S1414-98932003000200008&script=sci_arttext

Kevin Kelly: "A tecnologia é uma dádiva de Deus"


Peter Moon

Quando a revista Wired foi lançada, EM 1994, obteve sucesso imediato ao explorar a influência cultural das novas tecnologias que surgiam uma atrás da outra do celeiro do Vale do Silício, na Califórnia. Quem percebeu primeiro a transformação tecnológica na sociedade foram os americanos Louis Rossetto e Kevin Kelly, respectivamente o fundador e o primeiro editor da Wired. Rossetto afastou-se da revista em 1999, e Kelly prosseguiu como repórter especial. Não abandonou sua função em tempo integral, que é pensar as conexões entre a tecnologia e a sociedade. Kelly é um evangelizador, um guru da tecnologia. Em seu livro O que a tecnologia quer (2010), afirma que a complexidade crescente da tecnologia atua em nosso favor, por ser uma obra do Criador.

ÉPOCA – O título de seu novo livro é sobre os desejos da tecnologia. O que ela quer?
Kevin Kelly – Não estou sugerindo que seu telefone ou seu celular tenham algum desejo próprio ou propósito em particular além daqueles para os quais foram projetados, conversar e trocar informações à distância. O que defendo no livro é que o conjunto de tecnologias criadas pelo homem vive um momento de crescente união, graças ao advento dos computadores e da internet. E essa união das tecnologias visa a um objetivo.

ÉPOCA – Qual seria esse objetivo?
Kelly – Os produtos das novas tecnologias tendem a se tornar cada vez mais complexos e especializados com o passar do tempo. Um exemplo é a câmera fotográfica digital. Quando surgiu, ela quase não tinha recursos e gerava imagens de baixíssima resolução. Hoje, mesmo câmeras mais baratas têm uma resolução altíssima e realizam automaticamente todos os ajustes de foco, brilho, luminosidade etc. Essa complexidade e especialização das câmeras torna o ato de fotografar muito mais fácil e rápido. Não é mais preciso fazer um curso de fotografia para conseguir tirar fotos “quase” profissionais. As câmeras digitais são um exemplo. O mesmo padrão de complexidade está presente em celulares, computadores, TVs, carros, aviões e elevadores. Quanto mais complexos ficam essas máquinas e esses equipamentos, mais tarefas são facilitadas ou eliminadas, tornando o trabalho mais produtivo, acelerando o aprendizado e alterando o lazer dos privilegiados que têm acesso às novas tecnologias.

ÉPOCA – Há aí uma contradição? Como a tecnologia pode ficar cada vez mais complexa e ao mesmo tempo oferecer uma experiência simples e fácil para quem usa?
Kelly – A contradição é aparente. A busca de simplicidade é decorrência do aumento da complexidade. Quanto mais funções se insere num celular, tanto maior é a necessidade de o usuário contar com um jeito de usar simples, para não afastá-lo dessas novas tecnologias. Tome o exemplo das redes sociais. As antigas redes de computador dos anos 1980 eram um universo dominado por programadores. Só eles tinham o domínio da tecnologia para poder se divertir trocando mensagens e arquivos. As redes sociais evoluíram. São ecossistemas digitais planetários, muito mais complexos e mais fáceis de usar.

ÉPOCA – Então, o propósito da tecnologia é facilitar nossa vida?
Kelly – Uma coisa é a finalidade da tecnologia, produzir bens e serviços, liberando o homem do trabalho braçal e repetitivo em troca do trabalho intelectual. Outra coisa bem diferente é seu propósito. O propósito maior da tecnologia é a comunhão dos seres humanos.
"O propósito maior da tecnologia
é a comunhão
dos seres humanos"

ÉPOCA – O senhor diz que temos a obrigação moral de aumentar a quantidade de tecnologia disponível no mundo.
Kelly – Somos 7 bilhões de humanos. Há 5 bilhões de celulares no mundo. Mais de 2 bilhões de pessoas têm acesso à internet. A questão não é mais o fosso que separa os plugados dos desplugados. O problema hoje é reduzir a distância entre aqueles que primeiro têm acesso às novas tecnologias e os retardatários.

ÉPOCA – É a função social da tecnologia?
Kelly – Muito mais do que isso. O acesso às novas tecnologias deve ser encarado como um direito básico do ser humano. Há 1 bilhão de celulares na África. Expandir o acesso às telecomunicações e à internet para as comunidades dos países subdesenvolvidos é o meio mais rápido e eficiente para que tenham acesso à educação e à cultura. Os dividendos sociais são óbvios. Não são os únicos.

ÉPOCA – O que está sugerindo?
Kelly – Quem tem acesso à educação tem mais chance de progredir na vida. Mulheres com mais acesso à informação têm menos filhos. Famílias menores têm mais chance de elevar seu padrão de vida. A consequente redução da natalidade acabará por reduzir o impacto da humanidade sobre os recursos escassos do planeta. Ao mesmo tempo, a proliferação da educação proporcionada pela disseminação das novas tecnologias vai expandir a conscientização da importância da preservação do meio ambiente. Podemos prosseguir no caminho atual, expandindo uma civilização tecnológica predadora dos recursos do planeta. Nesse caso, acabaremos sozinhos no mundo. Não creio que exista alguém com bom-senso que acredite que a vida na Terra seria melhor se estivéssemos sozinhos, sem animais selvagens, sem contato com a natureza, vivendo num planeta devastado. É claro que é melhor dividir o planeta com as outras espécies. É evidente que nossa vida será mais completa e feliz. Por isso acredito que a tecnologia tem uma função maior, que é levar a humanidade a um novo estágio, no qual poderemos viver em comunhão com os demais seres vivos.

ÉPOCA – O senhor diz que a tecnologia seria um sétimo reino da vida, além dos outros seis reconhecidos pela ciência, entre os quais animais, plantas, fungos e bactérias. Como assim?
Kelly – A tecnologia é produto da mente humana. Esta, por sua vez, é resultado de bilhões de anos de evolução desde o surgimento da vida na Terra. Nesse sentido, a tecnologia também é obra da evolução. A tecnologia atual pode se adaptar para preservar a vida no planeta. Ou pode continuar o passo que tem seguido, o da inadaptação, e contribuir para a destruição da vida. Sou um otimista. A tecnologia deveria ser encarada como o sétimo reino da vida, pois surgiu para garantir a preservação dos demais.

ÉPOCA – O senhor ganhou fama como um guru da tecnologia. Também é um cristão fervoroso. Sua devoção não o estaria fazendo assumir ao pé da letra o papel de evangelizador da tecnologia?
Kelly – Não há confusão. O propósito maior que enxergo no desenvolvimento da complexidade da tecnologia é o mesmo que vejo na evolução da vida na Terra. Não creio que Deus tenha nos dado os dons da vida e da razão para que pudéssemos conceber os meios da nossa própria destruição, carregando o resto do planeta conosco.

ÉPOCA – Se o aumento da complexidade tecnológica é constante, cedo ou tarde as máquinas começarão a pensar?
Kelly – Sim, a possibilidade do advento da inteligência artificial é concreta, embora eu a considere remota. Mas posso estar errado. O aumento da complexidade tecnológica não precisa necessariamente desembocar na inteligência. Quem é mais complexo, um carro ou um cachorro? O cachorro é incomensuravelmente mais complexo do que a mais complexa das máquinas feitas pelo homem. Cães não pensam. Mas não é preciso as máquinas pensarem para que a evolução da tecnologia descortine cenários sombrios para o futuro da humanidade, como aqueles apresentados nos filmes Matrix e O exterminador do futuro. Esses cenários são uma possibilidade. A tecnologia pode ser usada para o bem ou para o mal. Porém, novamente, não acredito que Deus nos teria dado a dádiva da tecnologia apenas como forma de sabotar sua própria criação.

KEVIN KELLY
QUEM É
O americano Kevin Kelly, de 59 anos, é escritor, blogueiro, conservacionista, fotógrafo e guru da tecnologia
O QUE FEZ
Em 1994, fundou em São Francisco, com Louis Rossetto, a revista Wired, da qual foi diretor executivo até 1999. Hoje é repórter especial da Wired e escreve o blog The Technium
O QUE PUBLICOU
Out of control (1994), New rules for the new economy (1999) e What technology wants (2010)
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Fonte: http://revistaepoca.globo.com- 05/08/2011 

sábado, 27 de agosto de 2011

DRAUZIO VARELLA Viagem ao passado


Nasci no Brás durante a Segunda Guerra Mundial. Não havia outro bairro que encarnasse a quintessência da vida paulistana daquele tempo: imigrantes italianos, portugueses e espanhóis, operários e casas de cômodos.
As ruas eram de paralelepípedos, cinzentas como os muros das fábricas. Para achar uma árvore era preciso andar até a igreja de Santo Antônio, em que meus pais e meus tios casaram e batizaram seus filhos.
Meu avô paterno emigrou sozinho para o Brasil com a sabedoria dos 12 anos de idade. Nos ombros, a responsabilidade de enviar dinheiro à mãe e aos irmãos mais novos, que haviam acabado de perder o pai na Galícia, norte da Espanha. Em São Paulo, casou com uma conterrânea e tiveram três filhos. Homem à antiga, proibiu minha avó de falar espanhol em casa, com medo de que os filhos um dia quisessem mudar para o país ibérico.
Meus avós maternos chegaram jovens e nunca mais retornaram a Portugal. Ele, baixo e atarracado, tinha uma escrivaninha com tampo de correr e uma caligrafia bordada que lhe havia garantido o posto de telegrafista no glorioso Corpo de Bombeiros. Ela, mulher de presença forte, andava sempre de preto. Todo fim de tarde, entretida com o bordado, ouvia as poesias de Bocage e os romances de Eça de Queiroz que o marido lia em voz alta.
Minha infância foi marcada pelo futebol na calçada da fábrica em frente de casa, pelos operários que saíam cedo com a marmita, pelas mães que berravam o nome dos filhos na hora das refeições e pelas brigas das mulheres nos cortiços aos domingos, ocasião em que se tornava mais acirrada a disputa pela posse do tanque, do varal e do banheiro coletivo.
Por descender de imigrantes que romperam laços com a península Ibérica, jamais tive nenhum compromisso com seus países de origem. Com exceção da afinidade cultural transmitida pelos costumes familiares, nunca me passou pela cabeça que, além de brasileiro, eu pudesse estar associado a outra nacionalidade.
Muitos anos atrás, fui ver "Bodas de Sangue", filme do espanhol Carlos Saura. Fiquei espantado diante daqueles bailarinos esguios com o mesmo tipo de calvície que eu e com a semelhança física entre eles e as pessoas que frequentavam a casa dos meus avós. Evidentemente, meus genes chegaram até mim graças à competição e à seleção natural que deu origem aos povos ibéricos.
Consciente dessa aventura evolutiva, estive há pouco tempo em Portugal e no norte da Espanha. Não existe comparação entre a vida nesses lugares e aquela que forçou meus avós a emigrar. A adesão à Comunidade Europeia revitalizou a economia, tornou as cidades seguras e bem cuidadas, criou empregos e mecanismos sociais para amparar os mais frágeis.
Se no início do século passado esses países dispusessem de tais recursos para proteger seus agricultores, meus avós teriam permanecido em suas aldeias.
Nessas circunstâncias, caro leitor, quem sairia prejudicado?
Este que vos escreve. Primeiro, porque meus pais teriam vivido a quilômetros de distância um do outro, circunstância pouco favorável à minha concepção. Depois, porque, ainda que tal encontro porventura ocorresse, eu não teria experimentado as alegrias e agruras de ser brasileiro.
Você argumentará que eu não viveria num país com tanta desigualdade, corrupção institucionalizada, impunidade, falta de educação e violência urbana.
É verdade, nos países ricos esses problemas são incomparavelmente menos graves, mas há outro lado: eles estão empenhados em manter a qualquer preço o bem-estar já conquistado. O futuro deles é lutar pela preservação do passado, enquanto o nosso está em construção.
Entre eles, as relações humanas são mais cerimoniosas, e o cotidiano, repetitivo e previsível. Não lhes sobra espaço para o inesperado, o encontro com a felicidade exige planejamento prévio: o e-mail para visitar um irmão, as férias na praia em 2014, o ingresso para um espetáculo que acontecerá dez meses mais tarde. A vida lá não pulsa como aqui.
Organização, serviços públicos de qualidade, leis rigorosas e aposentadorias decentes são privilégios que asseguram conforto e segurança, bens invejados pelos que não têm acesso a eles, mas que não parecem trazer alegria aos povos que deles desfrutam. 

Quando o passado deixa de iluminar o futuro Luiz Vianna Werneck*

http://zelmar.blogspot.com/2011/08/quando-o-passado-deixa-de-iluminar-o.html

“Chegamos ao fim de uma civilização” José Saramago -




***(Parte da entrevista publicada em Zero Hora – 25.11.2000)

Pergunta - Só vemos as sombras da realidade?
Resposta - Não sei se as sombras ou as imagens nos ocultam a realidade. Isso se pode debater infinitamente,mas estamos perdendo a capacidade crítica do que acontece no mundo. Parece que estamos encerrados na caverna de Platão. Não confundimos uma coisa com a outra, mas estamos abandonando nossa responsabilidade de pensar, de atuar. Convertemo-nos em seres inertes sem capacidade de indignação, de inconformismo e do protesto que noscaracterizou durante muitos anos.
 Pergunta Estamos seduzidos pelas imagens, pela publicidade?
Resposta - Um bombardeio! Chegamos ao ponto de inventar um conceito que não tem nenhum sentido: a realidade virtual. É um absurdo. O real não é virtual e o virtual não é real. Essa realidade virtual está se impondo detal forma que as crianças botam esses óculos na cabeça e se mantêm presas a essa realidade sem se dar conta do que está acontecendo realmente. E tem mais! Há muita gente que sem esses óculos está vivendo em outro mundo, como se o mundo real não existisse.
 Pergunta - Seria um fracasso da civilização, mais de 2 mil anos depois de Platão?
Resposta - Não sei. A humanidade sempre foi um caleidoscópio de culturas, de diversidade, que, desgraçadamente, vai se estreitando a cada dia. Já não se acha nada novo. Creio que essa civilização acabou, evamos entrar em uma mentalidade muito diferente. Não sei se melhor ou pior. A que tínhamos tampouco era boa. Chegamos ao fim de uma civilização, e a que está vindo não me agrada. Mas os que deveriam se pronunciar,principalmente, são os jovens.
 Pergunta - Estamos dominados pelo poder econômico?
Resposta Completamente. O poder econômico suplantou o poder político, a cultura. Norman Mailer declarou queClinton será o último presidente dos Estados Unidos porque, a partir de agora, as corporações, isto é, asmultinacionais, não precisarão de intermediários políticos e dominarão o mundo. Elas inventarão os políticos e os sistemas que lhes convierem. A política será uma ferramenta do sistema, do mercado. O neoliberalismo, a meujuízo, é um novo totalitarismo, disfarçado de democracia e mantendo as aparências.
 Pergunta Como? No sentido de converter o indivíduo em uma peça a mais da engrenagem?
Resposta - E o controla até pontos inimagináveis. As profecias de Orwell se cumpriram. Acabou a privacidade. A espionagem se instalou na vida social com tanta doçura que ninguém se dá conta. As comunicações estão controladas... E tem mais. Você telefona para pedir uma informação e sai uma música, de uma máquina. Você ainda não recebeu nada, mas estão te cobrando a chamada desde o primeiro segundo. E ninguém protesta. Vivemos em um mundo onde a exploração encontrou fórmulas de um requinte mefistofélico, diabólico.
 Pergunta -  A cultura está ficando estreita, e as desigualdades mais amplas?
Resposta - Não só as desigualdades entre ricos e pobres, mas entre os que sabem muito e os que sabem pouco, e cada vez sabem menos. A ignorância está se expandindo no mundo de uma forma aterradora. Há uma minoria que sabe tudo e controla tudo e uma maioria que sabe pouco e cada vez sabe pior o que acha que sabe. A educação, da escola fundamental até a universidade, é um desastre, é uma fábrica de produzir ignorantes. No fundo, é um problema de redistribuição da riqueza.
 Pergunta - A Caverna (mais recente obra do entrevistado) é um grito de rebeldia?
Resposta - É a constatação de uma evidência. O shopping center é um símbolo desse novo mundo de que falo. Mas há outro pequeno mundo que desaparece. O das pequenas indústrias e do artesanato. Todos os dias desaparecem espécies animais, vegetais, idiomas, profissões, ofícios. Está claro que tudo morre, mas há pessoas que têm direito a viver, a construir sua própria felicidade, e são eliminadas. Perdem a batalha pela sobrevivência, mas elas mesmas já não suportam viver sob as regras do sistema. Andam como vencidos, mas com dignidade, dizendo que não querem esse mundo.
 Pergunta - É uma visão fatalista. Não há uma porta da esperança?
Resposta - Não acredito. A porta que se abre e nunca esteve fechada é a da relação de afeto e ternura entre os personagens. Nesse sentido, sim. Mesmo assim, não gosto muito dessa esperança Parece-me que é algo que sempre estamos postergando. Devemos ser conscientes do que está acontecendo e intervir. Querem que não façamos perguntas e que não discutamos, sob a ameaça do desemprego, de perder a família. Esse é o novo totalitarismo. E me impressiona a indiferença das pessoas.
 Pergunta - Uma insurreição ética, civil?
Resposta - É fácil dizer, mas não sei como se faz.Acabo acreditando que as pessoas não se mexem. Não é o medo antigo da polícia, da tortura ou da prisão, que ainda existe em muitos lugares, mas o medo da insegurança e do desemprego. E esse medo paralisa.


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